Fernando Ulrich
Os rendimentos dos títulos de 30 anos dos EUA ultrapassaram 5,18%, maior desde 2007; Reino Unido atingiu 5,8% (máximo desde 1995) e Japão chegou a 2,8%. O movimento rápido desde 2021 reflete choque do petróleo, inflação persistente e deterioração fiscal. Isso pressiona governos endividados e pode desencadear crises cambiais e de dívida.
Com dívida pública acima de 200% do PIB, o Japão sofre pressão adicional do carry trade e da depreciação do iene. O Banco do Japão precisa subir juros para conter a inflação, mas isso elevaria os gastos com juros a ponto de consumir quase toda a arrecadação tributária. O país está encurralado entre a alta dos juros e a desvalorização cambial.
O apresentador critica o alarmismo sobre IA destruir empregos, argumentando que a quantidade de trabalho não é fixa e que a história mostra que inovações tecnológicas criam novas profissões. Ele cita o paradoxo de Jevons: maior eficiência leva a maior demanda pelo recurso, no caso o trabalho humano.
O vazamento de áudios envolvendo Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro gerou forte reação negativa, reduzindo suas chances eleitorais no Polymarket de 45% para 29%. O apresentador avalia que, embora o escândalo complique a candidatura, ainda não é o fim da linha para Flávio. O episódio pode beneficiar candidatos de terceira via, como Romeu Zema, que se posicionou criticamente. O mercado financeiro reagiu com alta do dólar e queda da bolsa, mas sem pânico generalizado, indicando que a derrota de Flávio não está totalmente precificada.
O PIB da Argentina atingiu o maior nível da série histórica em março, com alta de 3,5% sobre fevereiro e 5,5% na comparação anual. A inflação mensal caiu para 2,6% em abril, mas a anual ainda está em 32,4%. O apresentador destaca que a oferta monetária (M2) está se estabilizando, o que pode levar a inflação a cair ainda mais nos próximos meses.
Empresas como Intel (+480%), AMD (+330%), Micron (+900% em 12 meses) e SK Hynix (+1000%) estão se valorizando mais que a Nvidia, impulsionadas pela demanda por infraestrutura de IA. A Micron e a Samsung já valem mais de US$ 1 trilhão. O movimento mostra que a bolha de IA se espalhou para toda a cadeia de suprimentos, incluindo memória HBM e semicondutores.
Os índices de ações da Coreia do Sul (+227%) e Taiwan (+91%) superaram a Nasdaq (+41%) no último ano, puxados por TSMC, Samsung e SK Hynix. As exportações de Taiwan atingiram US$ 200 bilhões e a conta corrente superou US$ 213 bilhões, um salto histórico. A Coreia do Sul também registrou superávit comercial de quase US$ 200 bilhões. O boom de IA está transformando a macroeconomia desses países.
O PIB americano cresceu impulsionado por gastos em infraestrutura para data centers e inteligência artificial, que representam 75% do crescimento no primeiro trimestre. Esse investimento é concentrado em apenas sete empresas (hyperscalers), criando uma dependência arriscada para a economia e o mercado de ações.
As grandes empresas de tecnologia estão investindo 100% do fluxo de caixa livre em Capex, com estimativas de gastos superiores a US$ 800 bilhões em 2025. Esse movimento levanta preocupações sobre a capacidade de monetização desses investimentos e a formação de uma bolha, similar ao estouro da internet em 2000.
Apenas sete empresas (Nvidia, Microsoft, Amazon, Google, Meta, Broadcom, Micron) são responsáveis por 52% do crescimento esperado dos lucros do S&P 500 em 2026. Essa concentração extrema torna o mercado vulnerável a choques, e o fluxo de caixa livre dessas empresas está caindo, o que historicamente antecede quedas nos lucros.
O Ibovespa fechou maio em queda de 7%, o pior desempenho mensal em mais de três anos, pressionado pelo cenário eleitoral incerto e pela alta da inflação. O IPCA de maio foi o maior para o mês em 10 anos, com pressão de alimentos e energia, o que pode reduzir ou interromper o ciclo de cortes de juros pelo Banco Central. O PIB brasileiro cresceu 1,1% no primeiro trimestre, mas a dívida pública já ultrapassou 93% do PIB pela metodologia do FMI.
O mercado de inteligência artificial atrai fluxo recorde de capital: 87% do venture capital e 49% da dívida investment grade já são direcionados a projetos de IA. A SpaceX reduziu o valuation de seu IPO de US$ 2 tri para US$ 1,8 tri, e a Anthropic levantou US$ 65 bi em nova rodada. O ETF de semicondutores disparou acima das médias históricas, sinalizando euforia. O economista Torsten Slok alerta que o novo '60/40' dos portfólios é IA vs. não-IA.
O IPO da SpaceX, previsto para 12 de junho na Nasdaq, pode levantar US$ 75 bilhões, superando o recorde da Saudi Aramco. O valuation de US$ 1,75 trilhão representa 93 vezes a receita de US$ 18,7 bilhões, um múltiplo sem precedentes para uma empresa desse porte. A oferta incluirá 30% das ações para o varejo, algo incomum em IPOs desse tamanho.
O prospecto do IPO revela que a palavra 'AI' aparece 1.251 vezes, mais que 'space' (1.228). O mercado endereçável total de IA é de US$ 26,5 trilhões, contra US$ 370 bilhões do setor espacial. A empresa já fechou contratos bilionários com Anthropic (US$ 45 bilhões em 3 anos) e Cursor (opção de compra avaliada em US$ 60 bilhões), mostrando que o foco principal agora é infraestrutura de IA.
O valuation de 93 vezes a receita é muito superior à mediana histórica de IPOs de tecnologia (13,7 vezes) e até mesmo ao pico da bolha das pontocom (43 vezes). O analista sugere que o IPO pode ser o evento que traga realidade às expectativas exageradas do setor de IA, especialmente com a concorrência de IPOs da OpenAI e Anthropic, que juntos podem somar US$ 4 trilhões em valuation.
Michael Saylor vendeu 32 BTC por US$ 2,5 milhões, gerando ruído no mercado. O analista explica que a venda foi uma sinalização de que a empresa está disposta a vender Bitcoin para gerir seu balanço, e não uma mudança de estratégia. A venda visa mostrar às agências de risco que a empresa não está refém do discurso de 'nunca vender'.
A economia americana adicionou 172 mil empregos em maio, mais que o dobro do esperado, com revisões positivas para março e abril. Isso eleva a probabilidade de alta de juros pelo Fed, derrubando bolsas, ouro e Bitcoin, enquanto o dólar sobe. O mercado precifica que o Fed não cortará juros e pode subi-los em dezembro.
Alphabet anunciou captação de US$ 85 bilhões, a maior da história para uma empresa de capital aberto, superando a Petrobras em 2010. Desse total, US$ 10 bilhões virão da Berkshire Hathaway, marcando a primeira grande aposta da holding em IA. O dinheiro financiará Capex em inteligência artificial, que deve superar US$ 190 bilhões em 2026.
O Irã passou a exigir pagamento em Bitcoin para seguros de navios que transitam pelo Estreito de Ormuz, conforme noticiado por veículos como Bloomberg e Financial Times. A iniciativa, chamada Ormuz Safe, permite pagamento rápido e verificável via blockchain, contornando sanções financeiras. O movimento é visto como previsível e inevitável devido às vantagens tecnológicas do Bitcoin sobre o ouro e o sistema bancário tradicional.
As taxas dos títulos públicos brasileiros atingem recordes, com o Tesouro Pré-fixado pagando mais de 14,7% ao ano e o Tesouro IPCA+ 2050 rendendo acima de 7% de juro real. O movimento é impulsionado tanto pelo risco fiscal doméstico quanto pelo ambiente global de alta de juros, mas o diferencial entre as taxas brasileiras e americanas ainda está abaixo dos picos históricos de 2016.
O apresentador argumenta que o governo será forçado a fazer um ajuste fiscal, seja ele de esquerda ou direita, devido à restrição orçamentária imposta pelo Plano Real. No entanto, alerta para uma brecha legal criada em 2019 que permite ao Banco Central transferir lucros cambiais das reservas para o Tesouro em caso de 'severas restrições de liquidez', o que poderia ser usado para financiar a dívida pública e reativar a impressora de dinheiro, levando ao colapso da moeda.
A lei de 2019, que regulamentou a transferência de resultados do Banco Central, contém um artigo que permite, com autorização do CMN, usar os recursos da reserva de resultado para pagar a dívida pública em caso de 'severas restrições de liquidez'. Em 2020, essa brecha foi usada para transferir R$ 325 bilhões ao Tesouro. O apresentador alerta que, em um cenário de crise fiscal futura, o governo poderia repetir o movimento, gerando um ciclo vicioso de desvalorização cambial e inflação.
O apresentador analisa a forte saída de investidores estrangeiros da B3, que totalizou R$ 11,4 bilhões só em maio, derrubando o Ibovespa de 200 mil para 175 mil pontos. Ele atribui o movimento a temores globais (guerra, juros altos) e ao cenário doméstico conturbado (crise política, fiscal, eleitoral). A fuga de capital pressiona o câmbio, que voltou a superar R$ 5,00.
O episódio destaca a disparada das taxas de juros de longo prazo nos países do G7, que atingiram 4,52% na média dos títulos de 30 anos, impulsionadas por inflação, guerra no Irã e fragilidade fiscal. O endividamento médio do G7 é de 133% do PIB, com destaque para Japão (204%) e EUA (140%). O apresentador alerta que esse movimento histórico pode desencadear um estresse de mercado e correção nas bolsas.
A Nvidia divulgou resultados impressionantes: receita de US$ 81 bilhões no primeiro trimestre, alta de mais de 80% ante o mesmo período do ano anterior, e margem bruta de 75%. A empresa aprovou US$ 80 bilhões em recompra de ações e possui US$ 50 bilhões em caixa. O apresentador destaca que a empresa continua sendo a maior do planeta em valor de mercado, mas questiona se os IPOs de OpenAI e Anthropic podem estourar a bolha de IA.
Para frear a desvalorização do iene, o Japão vendeu treasuries americanos (cerca de US$ 20 bi em março), o que desagrada o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent. Ele prefere que o Japão suba juros, mas isso é fiscalmente doloroso. O atrito mostra a dificuldade de coordenar políticas cambiais entre as duas maiores economias.
Em janeiro de 2025, o New York Fed realizou uma verificação de taxa de câmbio (rate check) entre dólar e iene, sinalizando possível intervenção. Isso valorizou o iene em quase 2% no dia. A ação faz parte da estratégia de Trump e Bessent de enfraquecer o dólar, pressionando outros países a apreciarem suas moedas sem um acordo formal.
Se os juros continuarem subindo, governos podem recorrer a medidas draconianas como tabelar taxas ou forçar bancos centrais a comprar dívida pública (repressão financeira). Isso levaria à impressão de moeda e disparada de ativos reais como ouro e Bitcoin. O cenário é de incerteza histórica, com guerra no Oriente Médio e bolha de IA como catalisadores.
O episódio usa dados históricos para mostrar que, apesar do medo, inovações como a agricultura mecanizada, eletricidade e planilhas eletrônicas aumentaram o emprego em novas áreas. Gráficos do artigo da a16z indicam que a demanda por programadores cresceu com a IA, e setores como contabilidade se expandiram após a automação.
O Goldman Sachs lista profissões mais suscetíveis à substituição (operadores de telefone, analistas de seguros) e as mais beneficiadas (engenheiros, médicos, CEOs). O apresentador destaca que programadores, apesar do medo, estão vendo demanda crescer com a IA.
A visita de Trump à China, com uma comitiva reduzida (apenas Elon Musk e Jensen Huang), foi simbólica, mas sem resultados práticos sobre a guerra no Irã ou Taiwan. A China se posicionou como igual, sem ceder. A falta de perspectivas de resolução do conflito no Oriente Médio pressiona os juros globais, com o Treasury de 10 anos atingindo 4,59%, maior nível desde 2008. O apresentador vê a alta dos juros como um sinal importante de estresse no sistema financeiro.
O apresentador acredita que há uma bolha em tecnologia e IA, e que um crash nesse setor arrastaria o Bitcoin para baixo, com quedas de 10% a 50%. Ele mantém cautela e recomenda liquidez em dólar e real para aproveitar oportunidades. Apesar do risco, ele vê a IA como uma inovação positiva no longo prazo, comparável a revoluções tecnológicas anteriores, e incentiva o estudo e adoção dessas ferramentas.
As taxas de juros dos títulos soberanos subiram fortemente, com o Treasury americano de 10 anos em 4,59%, o japonês de 10 anos em 2,71% e o britânico de 30 anos em 5,85%. O apresentador atribui o movimento à falta de resolução da guerra no Oriente Médio e ao aperto monetário global. Ele considera esse um dos sinais mais importantes para investidores, indicando estresse no sistema financeiro.
A proporção de depósitos bancários em dólares sobre o M2 total subiu para 33%, próximo ao recorde da era Macri. Isso indica que os argentinos confiam na estabilidade do programa econômico de Javier Milei e não temem um novo confisco ou desvalorização cambial.
A Argentina registrou recordes de exportações em março e abril, com superávit comercial na máxima desde 2009, impulsionado por agro, energia e mineração. As importações em volume cresceram 45% desde o início do governo Milei, ajudando a elevar as reservas internacionais para quase US$ 46 bilhões.
O apresentador compara a atual euforia com IA à bolha da internet, destacando similaridades nos gráficos de preços de semicondutores e na concentração de valor de mercado. Empresas como Cisco, que caiu 90% após 2000, agora se aproxima do pico anterior. As 10 maiores empresas globais em 2026 são dominadas por IA (Nvidia, TSMC, Broadcom), assim como em 2000 eram dominadas por empresas de internet.
As hiperescaladoras (Meta, Amazon, Google, Microsoft, Oracle) devem gastar US$ 800 bilhões em Capex de IA em 2026, impactando diretamente o PIB americano. Analistas estimam que, sem esse gasto, a economia dos EUA já poderia estar em recessão. O investimento em data centers e infraestrutura está sustentando o crescimento, mas levanta dúvidas sobre sustentabilidade.
O sentimento do consumidor nos EUA caiu para 47,6 em abril, mínima histórica similar a junho de 2022, enquanto o mercado de ações atinge recordes. O consumo, que representa 70% do PIB, está abaixo da tendência, mas o crescimento é sustentado pelos investimentos em IA, criando uma dicotomia preocupante.
O investidor Michael Burry alertou para uma bolha e um crash próximo, comparando o momento atual à bolha da internet. O mercado já precifica quedas de 35% no Nasdaq para o final do ano, com opções de proteção negociadas a prêmios elevados, indicando que muitos investidores compartilham desse receio.
O ciclo econômico americano está em um regime transitório de 'slowdown/recovery', com indicadores como a curva de juros invertida falhando em prever recessão. O cenário é binário: ou os investimentos em IA geram retorno e sustentam o crescimento até 2029, ou uma crise geopolítica (como o fechamento do Estreito de Ormuz) desencadeia uma recessão e queda brusca do mercado.