Fernando Ulrich analisa a bolha de IA, mostrando que a valorização das ações está concentrada em empresas de semicondutores e memória, com impacto global em Taiwan e Coreia do Sul. Ele compara com a bolha da internet e alerta para o risco de reversão, embora não saiba quando ocorrerá.
A Nasdaq subiu 41% nos últimos 12 meses, mas o ETF de semicondutores subiu 159%, mostrando concentração no setor de IA.
Empresas como Intel (+480%), AMD (+330%) e Micron (+900%) tiveram valorizações explosivas, mas a Nvidia subiu 'apenas' 58% no ano.
A cadeia de suprimentos de IA é global: TSMC (Taiwan) subiu 112%, SK Hynix (Coreia) subiu quase 1000% e Samsung 446%.
Taiwan e Coreia do Sul têm superávits em conta corrente de mais de US$ 200 bilhões, impulsionados pelas exportações de chips.
O mercado americano sem IA subiu apenas 3,5% em 2026, enquanto o índice de IA subiu 42% – a bolha carrega o mercado.
A similaridade com a bolha da internet é forte: Cisco, Intel e Qualcomm tiveram trajetórias parecidas com as atuais Intel, AMD e Micron.
As 10 maiores empresas do mundo em 2026 são dominadas por IA (Nvidia, Google, Apple, TSMC, Broadcom, etc.), repetindo padrões históricos de euforia.
Michael Burry alerta que a demanda por capacidade de computação pode estar superestimada, e a reversão dos investimentos em capex pode causar um estouro da bolha.
Desempenho dos índices e setor de semicondutores
Nasdaq subiu 41% nos últimos 12 meses, impulsionada por tecnologia.
ETF de semicondutores (SOX) subiu 159% no mesmo período, mostrando concentração no setor.
Nvidia subiu 58% no ano, mas já entrou em correção; ainda é a empresa mais valiosa do planeta.
Intel subiu 480% nos últimos 12 meses, com mais que triplicação no último mês e meio.
AMD subiu 330% no período, também com forte aceleração recente.
Broadcom subiu 79% e Cisco 87% no último ano, ambas beneficiadas pela infraestrutura de IA.
O mercado está concentrado: SP500 subiu 9% em 2026, mas sem IA subiria apenas 3,5%; índice de IA (Goldman Sachs TMT AI Index) subiu 42%.
Gargalos na cadeia de suprimentos: memória HBM
Memória HBM (high bandwidth memory) é um gargalo crítico para data centers de IA.
Micron (EUA) detém 1/5 do mercado de HBM e subiu cerca de 9 vezes no último ano, entrando no clube do trilhão de dólares.
Samsung (Coreia) também detém 1/5 do mercado de HBM e subiu 446%.
SK Hynix (Coreia) domina mais da metade do mercado de HBM e subiu quase 1000%.
SK Hynix agora vale mais que Berkshire Hathaway, e Samsung e Micron estão acima de US$ 1 trilhão.
A demanda por HBM está ligada ao capex das hyperscalers (Meta, Amazon, Google, Microsoft, Oracle), que projetam gastar US$ 800 bilhões em 2026.
Impacto macroeconômico em Taiwan e Coreia do Sul
Taiwan: PIB impulsionado por exportações, consumo e governo a partir de 2025.
Exportações de Taiwan para EUA superaram as para China/Hong Kong a partir de 2024/2025, devido à TSMC fornecendo para Nvidia.
Balança comercial de Taiwan atingiu US$ 200 bilhões nos últimos 12 meses (março/2026), um salto histórico.
Conta corrente de Taiwan: US$ 213 bilhões superavitários – impressionante para uma economia de menos de US$ 1 trilhão.
Coreia do Sul: balança comercial de quase US$ 200 bilhões e conta corrente de US$ 177 bilhões superavitária.
Queda em 2022-23 foi devido ao choque do petróleo da guerra da Ucrânia (Coreia importa energia).
Ambos os países têm economias menores que o Brasil (cerca de US$ 2 trilhões cada), mas superávits enormes graças à IA.
Comparação com a bolha da internet (anos 2000)
Gráficos atuais de Intel, AMD, Arm Holdings, Micron e SOX se assemelham aos de Cisco, Intel, Qualcomm e SOX no fim dos anos 1990.
Cisco chegou a valer US$ 536 bilhões em março/2000, caiu mais de 90% e hoje se aproxima de US$ 470 bilhões – trajetória similar.
Na bolha da internet, empresas como Cisco tinham receita e lucro reais, assim como Nvidia hoje – não eram apenas PowerPoints.
O boom atual é de capex em infraestrutura (data centers, chips, energia), assim como foi o boom de infraestrutura de internet nos anos 1990.
A dúvida central é a sustentabilidade da demanda: até quando as empresas continuarão investindo pesado em IA?
Evolução das 10 maiores empresas do mundo (1980-2026)
1980: dominância de petróleo (Exxon, Shell) e tecnologia (IBM, Kodak).
1990: dominância do Japão (bancos e indústrias), com IBM e Exxon no fim da lista.
2000: bolha da internet – Microsoft, Cisco, Intel, Lucent, Deutsche Telekom.
2010: ascensão da China e petróleo – Exxon, Petrochina, Apple, Petrobras (7ª), bancos chineses.
2020: big techs americanas – Microsoft, Apple, Amazon, Google, Facebook, mais chinesas (Alibaba, Tencent).
2026: bolha de IA – Nvidia, Google, Apple, Microsoft, Amazon, TSMC, Broadcom, Tesla, Meta, Samsung.
Padrão: a mania do momento domina o topo da lista, sugerindo excesso de otimismo e risco de reversão.
Riscos e alerta de Michael Burry
Michael Burry (investidor famoso por prever a crise de 2008) escreveu sobre o resultado da Nvidia e a demanda por AI compute.
Burry alerta que a demanda atual por tokens e capacidade de computação pode estar superestimada pelas empresas.
O ciclo de retroalimentação positiva (mais capex → mais receita/lucro → mais capex) pode se reverter abruptamente.
Quando a demanda cair, a receita e o lucro das empresas da cadeia despencam, mas a dívida permanece, derrubando as ações.
Ulrich não sabe quando será o estouro (semanas, meses ou anos), mas considera inevitável.
Ele não está comprando ações de IA por considerar o risco-retorno desfavorável para 5-10 anos.
Posicionamento pessoal de Fernando Ulrich
Ulrich reconhece que a IA é uma tecnologia revolucionária e real, com ganhos de produtividade.
A euforia e a bolha são naturais em inovações disruptivas, como aconteceu com a internet.
Ele prefere não surfar a onda: não compra nenhum papel de IA, pois vê mais risco que retorno no longo prazo.
Avisa que não é prudente apostar contra no curto prazo, pois as ações podem continuar subindo.
Recomenda cautela e observação, sem participar da euforia.
Passos práticos
Avalie sua exposição a ações de IA e semicondutores; considere se o risco-retorno é favorável para seu horizonte de investimento.
Monitore os gastos de capex das hyperscalers (Meta, Amazon, Google, Microsoft, Oracle) como sinal de sustentabilidade da demanda.
Fique atento aos balanços de empresas como Nvidia, Micron, SK Hynix e TSMC para sinais de desaceleração.
Considere diversificar para setores não relacionados à IA, já que o mercado amplo (SP500 sem IA) tem desempenho fraco.
Leia o substack de Michael Burry para acompanhar sua análise sobre a demanda por IA.
Não aposte contra a bolha no curto prazo, mas evite aumentar exposição em valuations extremos.
Frases marcantes
"O mercado americano está sendo carregado por essas empresas de IA."
"A mania de IA já ultrapassou a fronteira dos Estados Unidos porque é um mercado global."
"Não lembro de ter visto nada assim na história macroeconômica recente."
"Embora a história não se repita, ela sim rima e os padrões estão cada vez mais parecidos."
"Imaginar que este bonde investimento vai seguir crescendo ano após ano, isso não é possível."
"Eu prefiro nem participar. Vou assistir de camarote."
Mencionados no episódio
Nasdaq - índice da bolsa americana de tecnologia
ETF de semicondutores (SOX) - índice de empresas de semicondutores
Nvidia - fabricante de GPUs para IA
Intel - fabricante de chips
AMD - fabricante de processadores
Broadcom - empresa de infraestrutura de hardware
Cisco - empresa de equipamentos de rede
Micron - fabricante de memórias HBM
SK Hynix - fabricante coreana de memórias HBM
Samsung - conglomerado coreano, fabricante de memórias
TSMC (Taiwan Semiconductor Manufacturing Company) - fabricante de chips para Nvidia
ASML - fornecedora holandesa de máquinas de litografia
Goldman Sachs TMT AI Index - índice de ações de IA do Goldman Sachs
Yardeni Research - empresa de pesquisa econômica
Michael Burry - investidor conhecido por prever a crise de 2008
Substack - plataforma de newsletters
Liberta Wealth - consultoria financeira de Fernando Ulrich