Fernando Ulrich
A economia americana adicionou 172 mil empregos em maio, mais que o dobro do esperado, com revisões positivas para março e abril. Isso eleva a probabilidade de alta de juros pelo Fed, derrubando bolsas, ouro e Bitcoin, enquanto o dólar sobe. O mercado precifica que o Fed não cortará juros e pode subi-los em dezembro.
Alphabet anunciou captação de US$ 85 bilhões, a maior da história para uma empresa de capital aberto, superando a Petrobras em 2010. Desse total, US$ 10 bilhões virão da Berkshire Hathaway, marcando a primeira grande aposta da holding em IA. O dinheiro financiará Capex em inteligência artificial, que deve superar US$ 190 bilhões em 2026.
As taxas dos títulos públicos brasileiros atingem recordes, com o Tesouro Pré-fixado pagando mais de 14,7% ao ano e o Tesouro IPCA+ 2050 rendendo acima de 7% de juro real. O movimento é impulsionado tanto pelo risco fiscal doméstico quanto pelo ambiente global de alta de juros, mas o diferencial entre as taxas brasileiras e americanas ainda está abaixo dos picos históricos de 2016.
O apresentador argumenta que o governo será forçado a fazer um ajuste fiscal, seja ele de esquerda ou direita, devido à restrição orçamentária imposta pelo Plano Real. No entanto, alerta para uma brecha legal criada em 2019 que permite ao Banco Central transferir lucros cambiais das reservas para o Tesouro em caso de 'severas restrições de liquidez', o que poderia ser usado para financiar a dívida pública e reativar a impressora de dinheiro, levando ao colapso da moeda.
A lei de 2019, que regulamentou a transferência de resultados do Banco Central, contém um artigo que permite, com autorização do CMN, usar os recursos da reserva de resultado para pagar a dívida pública em caso de 'severas restrições de liquidez'. Em 2020, essa brecha foi usada para transferir R$ 325 bilhões ao Tesouro. O apresentador alerta que, em um cenário de crise fiscal futura, o governo poderia repetir o movimento, gerando um ciclo vicioso de desvalorização cambial e inflação.
Investigação comercial dos EUA concluiu que o Brasil comete práticas desleais, citando o Pix como evidência. A proposta de tarifa de 25% ainda está em negociação, mas já afeta a percepção de risco. Setores como energia, café e farmacêuticos seriam isentos.
Javier Milei publicou artigo no Financial Times convidando empresas de IA a se instalarem na Argentina com regime tributário competitivo e regulação mínima. A proposta inclui a criação de 'corporações não humanas', permitindo que agentes de IA sejam sócios de empresas limitadas.
ETFs de criptomoedas registraram saídas de US$ 4,4 bilhões em 13 sessões. O Bitcoin testa suporte em US$ 60.500, pressionado pelo boom de IA que atrai capital e atenção dos investidores. A guerra no Oriente Médio e a venda de Bitcoin pela Strategy (Michael Saylor) também contribuem para o estresse.
O episódio compara a situação brasileira com a de países que adotaram moedas estrangeiras ou uniões monetárias. Portugal e Espanha, após entrarem no euro, foram forçados a praticar austeridade, reduzindo a inflação de dois dígitos para cerca de 2%. O Equador, ao dolarizar a economia em 2000, viu a inflação cair de mais de 36% para 2-3% ao ano, mesmo sob governos de esquerda. A lição é que sem acesso à impressora de dinheiro, o governo precisa viver dentro do orçamento.
As NTN-Bs (Tesouro IPCA+) com vencimento em 2035 operam acima de 8%, sem alívio mesmo com a bolsa em alta no ano. O fiscal preocupante, a inflação alta e os juros externos pressionam a curva. A próxima reunião do Copom pode manter a Selic, com projeções de 14% ao ano.
O apresentador conclui que, embora o cenário mais provável seja um ajuste fiscal, a incerteza é grande demais para concentrar todos os investimentos no Brasil. Ele recomenda diversificar internacionalmente como forma de seguro contra o risco de colapso do real, mencionando a consultoria financeira Liberta Wealth como opção para ajudar na alocação de patrimônio.