Taxa de Juros sufoca a economia; Trump perdeu a guerra no Irã?; SpaceX decola no IPO
Fernando Ulrich analisa a decisão do COPOM de cortar a Selic para 14,25% e o impacto na credibilidade do BC, o acordo EUA-Irã que reabre o Estreito de Ormuz e é visto como derrota de Trump, o IPO da SpaceX que levantou US$ 85 bilhões, e responde perguntas sobre reformas, Bitcoin, residência fiscal e mudança de carreira.
O COPOM cortou a Selic para 14,25% mas a comunicação confusa gerou alta nos juros futuros, minando a credibilidade do BC.
O endividamento das famílias brasileiras atingiu recorde: 30% da renda comprometida com serviço da dívida e 10,5% só com juros.
O memorando EUA-Irã reabre o Estreito de Ormuz, mas é criticado por dar ao Irã acesso a US$ 100 bi em ativos congelados e promessa de US$ 300 bi em reconstrução, sem limites nucleares claros.
A SpaceX fez o maior IPO da história, levantando US$ 85 bilhões e girando US$ 285 bilhões em 5 dias, 10x o volume diário da B3.
O novo presidente do Fed, Kevin Warsh, defende comunicação mais enxuta, o que Ulrich apoia, criticando o excesso de comunicação do BC brasileiro.
Ulrich é contra a proibição estatal de redes sociais para menores de 16 anos, defendendo que a decisão deve ser familiar.
Para Ulrich, a reforma mais urgente no Brasil é a administrativa, cortando gastos e privilégios, antes de qualquer reforma tributária.
O ChatGPT perdeu participação de mercado para o Google Gemini e Claude, enquanto a OpenAI acumulou prejuízo de US$ 21 bilhões em 2025.
Decisão do COPOM e crise de credibilidade
O COPOM reduziu a Selic em 25 pontos-base, para 14,25%, como amplamente esperado.
O comunicado sofreu mudanças substanciais: 25% dos parágrafos foram removidos e 35% adicionados, algo incomum.
O BC sinalizou que, mantendo a trajetória atual de juros, a inflação projetada para o último trimestre de 2027 ficaria abaixo da meta de 3%.
Para evitar que a inflação caia abaixo da meta, o BC indicou que pode reduzir os juros mais rapidamente, mirando a convergência para o primeiro trimestre de 2028.
O mercado interpretou a mudança como hesitação do BC, gerando alta nos juros futuros: o DI 2036 subiu e o Tesouro IPCA+ 2032 atingiu máxima histórica de IPCA+8,57%.
Ulrich argumenta que o BC está certo em cortar juros, pois a Selic elevada está sufocando a economia, mas errou na comunicação, gerando ruído e perda de credibilidade.
O endividamento das famílias brasileiras está em nível recorde: 30% da renda comprometida com serviço da dívida e 10,5% só com juros, ambos os maiores da série histórica desde 2005.
A dívida pública é agravada pelo fato de metade dela estar atrelada à Selic (Tesouro Selic), aumentando a despesa com juros.
Acordo EUA-Irã e reabertura do Estreito de Ormuz
Foi assinado um memorando de entendimento de 14 pontos entre EUA e Irã, mediado pelo Paquistão, para encerrar a guerra e reabrir o Estreito de Ormuz.
O estreito já está sendo reaberto: navios petroleiros, inclusive sauditas, estão passando, mas o fluxo ainda é baixo (5-10 por dia, contra 100-120 antes da guerra).
A primeira cláusula exige o fim imediato de todas as hostilidades, incluindo ataques de Israel contra Hezbollah e Líbano.
Israel e muitos aliados de Trump criticaram o acordo como uma derrota dos EUA, comparando-o desfavoravelmente ao JCPOA (acordo nuclear de Obama).
Diferenças principais: o JCPOA era um acordo nuclear final e multilateral (P5+1+UE); o memorando é bilateral, preliminar e foca em cessar-fogo por 60 dias.
O Irã não aceitou novos limites técnicos ao enriquecimento de urânio; apenas reafirmou o compromisso de não buscar armas nucleares.
Os EUA se comprometem a descongelar até US$ 100 bilhões em ativos iranianos e a um plano de reconstrução de ao menos US$ 300 bilhões, condicionado ao acordo final.
O Irã ganha poder ao demonstrar capacidade de fechar o estreito, saindo mais fortalecido do que antes da guerra.
A relação entre EUA e Israel está na pior tensão histórica, com críticas mútuas entre Trump e Netanyahu.
IPO da SpaceX e volume recorde
A SpaceX realizou seu IPO, vendendo cerca de 600 milhões de ações (aproximadamente 5% da empresa) e levantando US$ 85 bilhões.
O volume de negociação nos primeiros 5 dias foi de US$ 285 bilhões, com pico de US$ 82 bilhões no dia do IPO.
Para comparação, a B3 (bolsa brasileira) gira em média US$ 6 bilhões por dia; apenas a SpaceX girou 10 vezes mais.
A ação atingiu máxima de US$ 225, valuation de US$ 2,5 trilhões, e fechou a US$ 185 no feriado de 19 de junho.
Ulrich destaca que o sucesso da SpaceX contrasta com a situação da OpenAI, que acumula prejuízos bilionários.
Mudanças no Fed com Kevin Warsh
Kevin Warsh, novo presidente do Fed, defende uma comunicação mais enxuta, criticando o excesso de explicações que geram ruído e minam a credibilidade.
Ulrich concorda plenamente, citando o exemplo do COPOM: o BC brasileiro fala demais, gera confusão e acaba tendo efeito contrário ao desejado.
Warsh propõe revisar a forma como o Fed interpreta os dados de inflação e o impacto da política monetária, o que pode levar a cortes de juros.
Ulrich vê convergência de interesses entre Trump (que quer juros baixos) e Warsh (que busca justificativas econômicas para cortar), mas não acredita em manipulação direta.
OpenAI e concorrência no mercado de IA
O ChatGPT perdeu participação de mercado, caindo para menos de 50% (possivelmente varejo, excluindo enterprise).
Google Gemini é o segundo colocado com cerca de 20%, impulsionado pela integração direta no buscador do Google.
Claude (Anthropic) aparece em terceiro lugar.
Vazamento de dados do Ed Zitron mostra que a OpenAI teve receita de US$ 13 bilhões em 2025, mas prejuízo total de US$ 21 bilhões, com gastos de US$ 5,7 bilhões só em vendas e marketing.
Ulrich questiona a viabilidade econômica dos modelos de IA puros, sem barreiras de entrada ou moats, ao contrário da SpaceX que tem negócios diversificados (Starlink, lançamentos).
Tanto OpenAI quanto Anthropic protocolaram pedidos confidenciais de IPO na SEC.
Proibição de redes sociais para menores de 16 anos no Reino Unido
O primeiro-ministro Keir Starmer anunciou a proibição de redes sociais para menores de 16 anos, com a justificativa de devolver a infância às crianças.
Ulrich concorda que as redes sociais prejudicam crianças e adolescentes, mas é frontalmente contra a proibição estatal.
Para Ulrich, a decisão deve ser da família, não do governo, pois a proibição estatal pode gerar rebeldia e formas de contornar a regra.
Em sua casa, a política é proibir ao máximo Instagram, TikTok, YouTube e Twitter para os filhos, sem negociação.
Educação no Brasil: frequência escolar abaixo do pré-pandemia
A taxa ajustada de frequência escolar líquida em 2025 foi de 96,1%, ainda abaixo dos 97,1% de 2019.
Ulrich considera a educação um dos grandes problemas geracionais do Brasil, agravado pela baixa qualidade e pela queda na frequência.
Perguntas dos espectadores
Sobre o corte de juros com inflação alta: Ulrich defende que o BC precisa reduzir juros porque o aperto atual traz mais prejuízos do que benefícios; as causas da inflação de curto prazo são outras.
Reformas necessárias: a mais urgente é a reforma administrativa, cortando gastos e privilégios; a reforma tributária não reduziu a carga, que é de 1/3 do PIB.
Residência fiscal: é possível mudar para Paraguai ou Panamá, mas se continuar morando no Brasil, o fisco brasileiro ainda o considerará residente, anulando os benefícios.
Troca no Fed e inflação: Ulrich não crê em manipulação, mas sim em convergência de interesses entre Trump e Warsh para justificar cortes de juros.
STRC (Strategy): Ulrich segue comprado, não pensa em vender, e promete um vídeo aprofundado sobre a queda do papel.
MBL e libertarianismo: Ulrich não deu apoio a candidatos; apenas concordou com algumas propostas de Renan Santos, mas não é endosso.
Bitcoin a US$ 300.000 em 2029: possível, mas não é recomendação de investimento.
Peso argentino: deve desvalorizar levemente para 1500-1700 por dólar para ganhar competitividade; Ulrich vai à Argentina em julho e torce por queda.
Livros sobre a Crise de 29: recomenda 'America's Great Depression' de Murray Rothbard e '1929' de Andrew Ross Sorkin.
Criadores de conteúdo que acompanha: Juan Ramón Rallo, Patrick Boyle, Case Nisted, Yes Theory e Johnny Harris.
Mudança de carreira aos 57 anos: Ulrich sugere não colocar a família em risco de ruína, mas se a situação for insustentável, estruturar financeiramente a transição; ele próprio largou uma carreira executiva aos 28 anos para fazer mestrado em Madri.
Passos práticos
Avalie sua exposição a títulos atrelados à Selic e ao IPCA+ diante da alta dos juros futuros.
Reveja o nível de endividamento da sua família: se o comprometimento da renda com dívidas estiver acima de 30%, busque renegociar ou quitar dívidas de maior custo.
Para quem tem filhos, reflita sobre o uso de redes sociais por crianças e adolescentes; considere restrições familiares em vez de esperar por regulação estatal.
Se planeja mudança de carreira, especialmente após os 50 anos, estruture uma reserva financeira que cubra pelo menos 2-3 anos de despesas antes de tomar a decisão.
Acompanhe o desenrolar do acordo EUA-Irã e o impacto no preço do petróleo e nas taxas de juros globais.
Para investidores, fique atento ao IPO da OpenAI e Anthropic; Ulrich sugere cautela devido aos prejuízos e à falta de barreiras de entrada.
Frases marcantes
"Se você trouxer algum ruído na comunicação e o mercado não entender ou perceber que a autoridade monetária está hesitante, isso pode minar a credibilidade do Banco Central."
"O Irã sai mais empoderado, emergindo como uma nação que tem capacidade de fechar o estreito. Portanto, ele retém essa autonomia que antes não tinha."
"As redes sociais estão prejudicando e muito as crianças e adolescentes. Sou contrário ao uso indiscriminado dessas redes por crianças, mas discordo frontalmente de que o governo é a entidade responsável por regular e decidir isso."
"O Fed explica demais, telegrafa demais. Isso faz mais mal para o mercado do que bem."
"Eu tomei essa decisão quando decidi largar minha carreira de executivo de multinacional... e hoje vejo que foi a melhor decisão que eu fiz na minha vida."
"O endividamento das famílias brasileiras está em nível recorde: 30% da renda comprometida com serviço da dívida."
Mencionados no episódio
COPOM — Comitê de Política Monetária do Banco Central do Brasil
Selic — taxa básica de juros brasileira
Tesouro Selic — título público atrelado à Selic
Tesouro IPCA+ — título público atrelado à inflação
JCPOA — Plano de Ação Conjunto Global, acordo nuclear com o Irã de 2015
Estreito de Ormuz — estreito estratégico para o transporte de petróleo
Hezbollah — grupo político e militar libanês
SpaceX — empresa de exploração espacial de Elon Musk
Starlink — serviço de internet via satélite da SpaceX
Fed — Federal Reserve, banco central dos EUA
Kevin Warsh — novo presidente do Federal Reserve
OpenAI — empresa de inteligência artificial, criadora do ChatGPT
Anthropic — empresa de IA, criadora do Claude
Google Gemini — modelo de IA do Google
Ed Zitron — jornalista que vazou dados financeiros da OpenAI
Strategy (STRC) — ação da empresa de Michael Saylor, com dividendos mensais
Michael Saylor — CEO da Strategy (antiga MicroStrategy)
MBL — Movimento Brasil Livre
Renan Santos — candidato político
Lula — Luiz Inácio Lula da Silva, presidente do Brasil
Murray Rothbard — economista austríaco, autor de 'America's Great Depression'
Andrew Ross Sorkin — jornalista, autor de '1929'
Juan Ramón Rallo — economista espanhol
Patrick Boyle — youtuber britânico de finanças
Case Nisted — youtuber de estilo de vida
Yes Theory — canal de viagens e otimismo
Johnny Harris — youtuber de geopolítica
Liberta Wealth — consultoria financeira independente de Fernando Ulrich
B3 — Bolsa de Valores brasileira
NASDAQ — bolsa de valores americana
NBA — National Basketball Association
New York Knicks — time de basquete campeão da NBA em 2025