They said Milei was destroying Argentina. Is that true?
Fernando Ulrich analisa dados econômicos recentes da Argentina sob Javier Milei, mostrando que PIB, inflação, risco-país e balança comercial melhoraram, mas destaca que o verdadeiro sinal de confiança é o aumento dos depósitos em dólares nos bancos argentinos, indicando que a população acredita na sustentabilidade do programa.
Fernando Ulrich — economista e youtuber brasileiro
O PIB da Argentina atingiu máxima histórica em março de 2025, com alta de 3,5% mês contra mês e 5,5% anual.
A inflação anual ainda está em 32,4%, mas a oferta monetária (M2) está estabilizando, o que sinaliza queda futura da inflação.
Os depósitos em dólares nos bancos argentinos subiram para 33% do M2 total, próximo ao recorde da era Macri, refletindo confiança no programa de Milei.
A base monetária e o M2 estão crescendo menos de 1% ao mês, indicando que o Banco Central parou de imprimir dinheiro em excesso.
O risco-país argentino caiu para cerca de 500 pontos, ainda acima do Brasil (120), mas muito abaixo dos picos recentes.
A balança comercial registrou superávit recorde desde 2009, com exportações impulsionadas por agro, energia e mineração.
As reservas internacionais subiram para quase US$ 46 bilhões, ajudando a quitar dívidas externas e preparar o fim do controle de câmbio.
Milei conseguiu vitória nas eleições de meio termo, permitindo reformas estruturais adicionais.
Contexto e visão geral
Ulrich afirma que se identifica com as ideias de Milei e concorda com quase todas as medidas, mas ressalta que o plano de estabilização é complexo.
O programa de Milei visa salvar o peso argentino, comparável ao Plano Real brasileiro, mas com desafios maiores devido à herança kirchnerista.
As notícias recentes são positivas, mas Ulrich alerta para não cair em extremos: nem tudo são maravilhas, nem Milei está destruindo a economia.
A polarização em torno do tema é grande, com críticas de que Milei aumentou a pobreza, o que Ulrich considera falso.
Taxa de câmbio e estabilidade cambial
Desde a posse de Milei (final de 2023), o câmbio foi desvalorizado para refletir a realidade e desde então se estabilizou entre 1.440 e 1.490 pesos por dólar.
Essa estabilidade é notável para os padrões históricos argentinos, que sempre tiveram alta volatilidade cambial.
A estabilização cambial é um dos pilares para a confiança no programa econômico.
Bolsa de valores e risco-país
O ETF ARGT (cotado em dólares) subiu após as eleições de meio termo, que Milei venceu, permitindo reformas.
O risco-país argentino caiu de picos de volatilidade em 2024 para cerca de 500 pontos em setembro de 2025, com tendência de cair abaixo disso.
Comparativamente, o risco-país do Brasil está em torno de 120 pontos, mostrando que a Argentina ainda tem prêmio de risco elevado, mas em trajetória de melhora.
Balança comercial e reservas internacionais
A balança comercial registrou superávit recorde desde 2009, impulsionado por agro, energia e mineração.
As exportações em volume cresceram, e as importações em volume aumentaram 45% desde o início do governo Milei.
As reservas internacionais líquidas e absolutas estão no maior nível desde início de 2025, chegando a quase US$ 46 bilhões.
O aumento das reservas é crucial para quitar a dívida externa contraída com o FMI e para eventualmente eliminar o controle de câmbio (cepo cambiário).
PIB e atividade econômica
O PIB com ajuste sazonal atingiu 156,3 em março de 2025, o maior nível da série histórica, superando picos de 2022 e 2025.
Na variação mensal, houve alta de 3,5% (beneficiada pelo efeito base, já que fevereiro teve queda de quase 3%).
Na comparação anual (março contra março do ano anterior), o PIB cresceu 5,5%.
A economia argentina está se recuperando após a recessão inicial do ajuste.
Inflação e oferta monetária
A inflação mensal (IPC) caiu para 2,6% em abril de 2025, após meses em torno de 2,9%.
A inflação anual ainda está em 32,4%, longe do pico de 300% logo após a liberação de preços represados.
Ulrich enfatiza que a inflação futura depende da oferta monetária (M2) e da demanda por moeda.
A base monetária caiu de quase 45 trilhões de pesos em meados de 2024 para 41 trilhões, com variação anual de 35% (em queda).
O M2 (agregado monetário amplo) estabilizou nos últimos meses, com variação mensal de apenas 0,1% em abril e 0,8% em fevereiro.
A variação anual do M2 está em 29,1% e com tendência de queda, o que é um sinal positivo para a inflação futura.
Se o M2 continuar estável, a inflação deve cair nos próximos meses, pois a impressão passada de dinheiro já está sendo absorvida.
Confiança: depósitos em dólares
Na Argentina, é possível ter contas bancárias em dólares, diferentemente do Brasil.
O aumento dos depósitos em dólares indica confiança no programa econômico, pois os argentinos temem confiscos ou desvalorizações (como no Corralito de 2001).
O M2 total em dólares é de US$ 92 bilhões, dividido entre massa monetária em pesos (convertida) e depósitos em dólares (parte verde).
A proporção de depósitos em dólares sobre o M2 total subiu para 33%, próximo ao recorde da era Macri (35% em 2019).
Esse percentual havia caído para 15% no final de 2023, quando Milei assumiu, e agora está subindo consistentemente.
O aumento dos depósitos em dólares mostra que os argentinos acreditam que não haverá confisco ou colapso cambial.
Desafios e ressalvas
Ulrich ressalta que o trabalho ainda não está pronto: são necessárias mais reformas estruturais.
A inflação anual de 32,4% ainda é muito alta, e a estabilização monetária precisa se manter por vários meses para consolidar a queda da inflação.
O risco-país argentino ainda é muito superior ao brasileiro, indicando que o país ainda é visto como arriscado.
A herança kirchnerista de décadas de desordem econômica e populismo não será resolvida em apenas um mandato.
Ulrich recomenda cautela: é preciso aguardar os próximos meses para confirmar a tendência de estabilização.
Passos práticos
Acompanhe mensalmente os dados de M2 e base monetária da Argentina para verificar se a estabilização se mantém.
Observe a proporção de depósitos em dólares sobre o M2 total como indicador de confiança populacional.
Compare o risco-país argentino com o brasileiro para avaliar o prêmio de risco relativo.
Acesse o aplicativo Follow the Money para conteúdos aprofundados sobre economia argentina e outros temas.
Frases marcantes
"A inflação que vemos ainda na Argentina hoje é resultado da impressão passada de dinheiro."
"Se o estoque de dinheiro estabiliza, alguma hora os preços se acomodam e não vão subir mais."
"Quanto mais aumentam os saldos bancários em dólares, maior é a confiança do argentino no programa de estabilização."
"Milei está fazendo a coisa certa pelo lado fiscal, mas pela ótica monetária os agregados não conseguiu ainda estabilizar de fato – e ao que tudo indica está finalmente conseguindo."
"O legado de bagunça fiscal e inflação nas alturas não foi criado em apenas 4 anos, é uma herança de décadas de desordem econômica e populismo."
Mencionados no episódio
Javier Milei — presidente da Argentina
Alberto Fernández — ex-presidente da Argentina
Cristina Kirchner — ex-presidente da Argentina
Mauricio Macri — ex-presidente da Argentina
Fundo Monetário Internacional (FMI) — instituição financeira internacional
ETF ARGT — fundo de índice da bolsa argentina cotado em dólares
Follow the Money — aplicativo e plataforma de conteúdo econômico de Fernando Ulrich
Corralito (2001) — confisco de depósitos bancários na Argentina
Plano Real — plano de estabilização econômica brasileiro dos anos 1990