Fernando Ulrich alerta sobre os riscos de elevar a meta de inflação no Brasil, argumentando que isso abriria a 'porta do inferno fiscal inflacionário'. Ele critica o governo por manter déficit elevado, usar bancos públicos para expandir crédito de forma política e gerar pressão inflacionária, tornando a Selic ineficaz. Ulrich defende inflação baixa (2% ou menos) e ajuste fiscal para reduzir juros de forma sustentável.
Fernando Ulrich - economista e analista de mercado
Elevar a meta de inflação não reduz a Selic de forma sustentável; apenas institucionaliza a inflação alta.
Déficit fiscal elevado e expansão de crédito por bancos públicos geram impulso fiscal que aquece a economia e pressiona a inflação.
O Banco Central perde eficácia quando o governo gasta demais e usa bancos públicos para crédito político.
Inflação baixa (2% ou menos) combinada com ajuste fiscal permitiria Selic mais baixa de forma duradoura.
Crédito de bancos públicos não segue lógica de mercado, mas sim ordens políticas, agravando a inflação.
A meta de inflação já está na prática aliviada; torná-la oficialmente mais frouxa é perigoso.
Governo que gasta muito e gera déficit inflacionário torna a política monetária impotente.
A solução não é elevar a meta, mas reduzir o déficit e o impulso fiscal.
O perigo de elevar a meta de inflação
Ulrich considera extremamente perigosa a ideia de aliviar ainda mais a meta de inflação, que já está na prática aliviada (a meta é 'trá sendo inflação').
Tornar oficial uma meta de inflação mais frouxa e mais alta é 'abrir a portinha do inferno fiscal inflacionário no Brasil'.
Elevar a meta de inflação não reduz a Selic de forma sustentável; isso é uma falácia.
O Brasil deveria ter inflação bem baixa, ao redor de 2% ou até menos, com taxa de juros condizente (menor que 14%).
Para isso, é necessário um governo que não tenha déficit tão elevado e que não use ferramentas de gasto fiscal que geram impulso fiscal, atividade econômica e pressão nos preços.
O papel do déficit fiscal e do crédito público
O governo, mesmo com Selic a 5%, 10% ou 15%, continua gastando e incentivando a atividade econômica, aquecendo a economia.
O governo usa bancos públicos para canalizar crédito e aumentar o endividamento privado, gerando mais atividade econômica.
Crédito de banco público não segue a lógica econômica ou de mercado, mas sim a lógica política: 'o governo está mandando'.
Essa política de estado pressiona ainda mais a inflação.
O Banco Central, diante de um cenário de governo gastando muito e déficit inflacionário, tem pouca capacidade de ação.
Passos práticos
Pressionar para que a meta de inflação não seja elevada; defender meta de 2% ou menos.
Cobrar ajuste fiscal para reduzir o déficit público e o impulso fiscal.
Questionar a expansão de crédito por bancos públicos que não segue critérios de mercado.
Exigir independência do Banco Central para que possa atuar sem interferência política.
Frases marcantes
"Isso é abrir a portinha do inferno fiscal inflacionário no Brasil."
"Não caiam nessa falácia de que elevando a meta de inflação a gente vai conseguir reduzir a Selic."
"Crédito de banco público não segue a lógica econômica, a lógica de mercado, segue a lógica política."
"O nosso Banco Central, quando tem um cenário de governo gastando muito, déficit é inflacionário... não tem muito que a Selic possa fazer."
"Seria melhor o Brasil ter uma inflação bem baixa, ao redor de 2%, senão até menos."
Mencionados no episódio
Banco Central do Brasil - autoridade monetária
Selic - taxa básica de juros
bancos públicos - instituições financeiras estatais (ex: Banco do Brasil, Caixa, BNDES)