Fernando Ulrich analisa o IPO da SpaceX, o maior da história, com valuation de US$ 1,77 trilhão. Ele explica os motivos da abertura de capital, os riscos de diluição, o baixo float inicial, a dependência do Starship e o risco do homem-chave (Elon Musk). Conclui que, apesar do entusiasmo inicial, o papel pode sofrer correção e ele não entraria agora, mas considera uma queda de 50% como oportunidade.
O IPO da SpaceX é o maior da história, com valuation de US$ 1,77 trilhão e captação de US$ 75 bilhões.
Elon Musk abre o capital agora para financiar a Starship e data centers orbitais de IA, aproveitando o momento de alta da inteligência artificial.
O float inicial é de apenas 5% das ações, mas o lockup escalonado pode liberar até 3,5 bilhões de ações em 6 meses, gerando pressão vendedora.
A tese de valuation depende 60% do sucesso dos data centers no espaço, que exigem a Starship, ainda em fase de testes.
O risco de diluição existe: a SpaceX tem opção de compra da Csoro por US$ 60 bilhões, emitindo mais 444 milhões de ações.
O principal risco é o homem-chave: Elon Musk tem controle absoluto e qualquer problema com ele pode abalar a empresa.
Fernando Ulrich não recomenda comprar no IPO, mas esperaria uma correção de 50% para entrar.
Apesar dos riscos, Musk tem histórico de entregar o impossível, e a SpaceX pode se tornar uma das empresas mais importantes para a humanidade.
Detalhes do IPO e captação
Preço de venda esperado: US$ 135 por ação.
IPO começa na sexta-feira, 12 de junho.
Valuation recorde de US$ 1,77 trilhão.
Captação de US$ 75 bilhões (oferta primária de mais de 550 milhões de ações), podendo chegar a US$ 80 bilhões com oferta adicional.
Recursos vão para o caixa da empresa para financiar Starship, data centers orbitais, infraestrutura de IA, fábricas e verticalização (ex: Terra Fab).
Demanda já superou 4 vezes a oferta, segundo informações recentes.
Bancos líderes ganham comissões milionárias pela distribuição.
Motivação de Elon Musk para abrir o capital
Musk manteve a SpaceX privada desde 2002; agora precisa de muito capital para a missão de colonizar Marte.
A missão sempre foi tornar a vida humana multiplanetária, desde os documentos de fundação.
Starlink foi criada para gerar receita e financiar a missão principal.
Em 2026, Starlink e lançamentos de carga serão os principais segmentos lucrativos.
A era da IA permite levantar mais dinheiro do que qualquer outro setor.
Starship é essencial para aumentar a capacidade de carga: de 2.000 toneladas métricas em 2025 para 2 milhões de toneladas métricas por ano em 2032.
Data centers orbitais de IA são a nova aposta para gerar receita e justificar o valuation.
Riscos do IPO: diluição e float
Risco de diluição: SpaceX tem opção de compra da Csoro por US$ 60 bilhões, que exigiria emissão de 444 milhões de novas ações (quase o mesmo número do IPO), diluindo acionistas em mais de 3%.
Float inicial baixo: 55 milhões de ações (cerca de 5% do total) serão negociadas.
Lockup escalonado: em 2 meses, mais 15 milhões de ações podem ser destravadas; em 6 meses, até 7 bilhões de ações (considerando gatilhos de valorização).
Cenário conservador: 2,6 bilhões de ações vendidas por insiders em 6 meses; cenário otimista: 3,5 bilhões.
Após 1 ano, ações de Elon Musk e outros acionistas relevantes são liberadas.
Pressão vendedora pode aumentar ao longo do tempo, causando volatilidade.
Riscos de engenharia: dependência da Starship
Starship ainda está em fase de testes; sem garantia de prazos.
Satélites Starlink V3 e AI1 (para data centers orbitais) dependem da Starship para serem lançados devido ao tamanho e peso.
Starlink V3: quando aberto, tem mais de 60 m de envergadura (maior que um Boeing 737).
Satélite AI1: 70 m de largura, superando a envergadura de um Boeing 747.
Atualmente, Falcon e Falcon Heavy não conseguem levar essas cargas.
Mesmo que a Starship funcione, o custo por lançamento precisa ser economicamente viável para centenas/milhares de voos por ano.
Falha nos testes ou atrasos podem derrubar o preço da ação, já que 60% do valuation depende do sucesso dos data centers no espaço.
Risco do homem-chave (Key Man Risk)
Elon Musk tem controle absoluto sobre a SpaceX.
Boa parte do valuation e da capacidade de execução depende dele.
Se algo acontecer com Musk (doença, invalidez, desistência), o impacto seria enorme.
Ao mesmo tempo, ele é o maior ativo: seu histórico de entregar o impossível (Tesla, SpaceX, etc.) atrai investidores.
Aposta na SpaceX é, acima de tudo, uma aposta em Elon Musk.
Expectativa de curto prazo e recomendação
IPO deve ser um sucesso inicial: ação pode disparar nos primeiros dias/semanas devido à alta demanda e entrada de ETFs após 15 dias.
Após o entusiasmo inicial, espera-se uma correção forte devido aos riscos de diluição, float crescente e incertezas técnicas.
Fernando Ulrich não recomenda comprar no IPO; esperaria uma queda de 50% (valuation abaixo de US$ 1 trilhão) para considerar entrada.
Citação de amigo: 'nunca tenha um short estrutural contra Elon Musk', mas shorts de curto prazo podem ser viáveis.
Passos práticos
Não comprar no IPO; aguardar correção de pelo menos 50%.
Monitorar os testes da Starship e notícias sobre data centers orbitais.
Avaliar o cronograma de lockup e possíveis vendas de insiders.
Considerar o risco de diluição com a aquisição da Csoro.
Diversificar a carteira; não concentrar em uma única ação de alto risco.
Para quem quer exposição, esperar ETFs ou fundos que incluam a SpaceX após a estabilização.
Frases marcantes
"O que realmente move o Elon Musk é a missão da SpaceX, de estender a luz da consciência além da Terra, para a Lua, para Marte, para as estrelas."
"A grande aposta de data centers no espaço é a principal parte da tese do negócio do valuation de quase 2 trilhões de dólares."
"Aposta na SpaceX é sobretudo uma aposta no Elon Musk, na sua visão, na sua capacidade de execução."
"Nunca, sob hipótese alguma, tenha um short estrutural nesse cara."
"Tesla, SpaceX, XI. Cada uma dessas companhias tinha 1% de chance de dar certo e 99% de implodir. Fazer uma delas apenas é um feito para poucas pessoas do mundo. Fazer todas elas juntas, vá pra PQP."
"Hoje eu não penso em entrar, mas talvez se o papel der uma bela de uma corrigida, faça sentido."
Mencionados no episódio
SpaceX — empresa de exploração espacial de Elon Musk
Elon Musk — CEO e fundador da SpaceX
Starlink — constelação de satélites de internet da SpaceX
Starship — foguete reutilizável de próxima geração da SpaceX
Falcon 9 / Falcon Heavy — foguetes atuais da SpaceX
Csoro — empresa a ser adquirida pela SpaceX (opção de compra por US$ 60 bilhões)
Terra Fab — fábrica de chips em parceria com Tesla e Intel
Liberta Wealth — consultoria financeira de Fernando Ulrich
Brad Johnson — executivo da SpaceX (mencionado como participante dos road shows)
Jamie Dimon — CEO do JPMorgan (pergunta mencionada sobre o IPO)