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O Nasdaq se recuperou de um tombo de 10% com alta de mais de 15% em abril, uma das maiores da história. A Nvidia e a TSMC sustentam o otimismo, mas gestores americanos operam com cautela, reduzindo exposição em momentos de euforia. O movimento mostra como as narrativas mudam rápido com fundamentos sólidos.
O episódio descreve uma inversão completa das teses de mercado desde o início da guerra. Em janeiro, esperava-se enfraquecimento do dólar, cortes de juros globais e fluxo para emergentes. Após o conflito, o dólar se fortaleceu, os juros subiram e a tecnologia passou a sugar todo o fluxo global, deixando ativos como o Ibovespa para trás.
O basket de inteligência artificial subiu 111% no ano, mas as revisões de lucro foram ainda maiores (160%), fazendo com que as ações fiquem mais baratas. O episódio argumenta que não há bolha, pois o crescimento de lucros sustenta a alta, diferentemente da bolha dos anos 2000. A restrição de oferta de insumos (semicondutores, energia) é o principal motor de valorização.
O Federal Reserve surpreendeu ao adotar postura mais agressiva, com metade do comitê projetando ao menos um aumento de juros este ano. Os juros reais de 2 anos nos EUA saltaram de 0,5% para 2% em dois meses, mudando o cenário global. Isso pressiona ativos sensíveis a juros, como small caps e mercados emergentes, enquanto a economia americana segue forte, impulsionada por consumo e capex de IA.
O investimento em inteligência artificial está acelerando, com big techs como Google comprometendo recursos massivos. A corrida pelo modelo líder gera um dilema do prisioneiro: ninguém pode parar de gastar. Isso beneficia toda a cadeia, desde infraestrutura (refrigeração, óptica) até memória e semicondutores, com empresas como Hynix e Samsung vendo lucros dispararem. A tese de 'pás e picaretas' se fortalece, com ações de AI ficando mais baratas conforme os lucros sobem mais que os preços.
O mercado de crédito local no Brasil opera de forma quase independente dos eventos macroeconômicos globais, como guerras e variações cambiais. Essa desconexão ocorre porque o mercado é dominado por investidores locais, tem baixa participação estrangeira devido a questões fiscais, e não há instrumentos de venda a descoberto. Isso torna o crédito brasileiro mais suscetível a fluxos de captação e resgate do que a fatores macro, o que pode ser positivo para diversificação de carteiras, já que a correlação com outros ativos é baixa.
O cenário macroeconômico brasileiro mudou drasticamente desde janeiro de 2025. As expectativas de corte de juros de 300 bps deram lugar à precificação de manutenção da Selic, o dólar se fortaleceu, e a chance de reeleição de Lula aumentou. Os gatilhos foram a guerra no Oriente Médio (alta de commodities) e a expansão fiscal, que elevaram a inflação e reduziram o espaço para afrouxamento monetário global e local.
Marcelo Urbano, gestor de crédito com 32 anos de experiência, afirma que o mercado de crédito no Brasil está repleto de oportunidades, apesar do aumento da inadimplência e dos juros altos. Ele compara o momento a uma trilha em condições difíceis, onde a experiência e a diligência são cruciais para navegar com segurança. A chave é errar o mínimo na entrada dos ativos e diversificar o portfólio.
Urbano alerta que o mercado de Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) cresceu rapidamente, ultrapassando R$ 80 bilhões, e que muitos gestores não sabem analisar corretamente esses ativos. Ele critica o uso de métricas como PDD e valorização da cota subordinada, que podem dar uma falsa sensação de segurança. A verdadeira qualidade de um FIDC só é avaliada pelo fluxo de caixa e pela taxa interna de retorno (TIR) das safras.
O Brasil não cresceu como outros mercados emergentes desde 2015-16, com PIB medíocre e bolsa de valores atrás de pares. O endividamento das famílias atingiu 30% da renda, e o crédito corporativo sofre com juros altos e spreads voláteis. A estagnação contrasta com o desenvolvimento de outros países.
O episódio explica como os Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) estão promovendo uma desbancarização do crédito no Brasil, transferindo operações dos bancos para o mercado de capitais. Com a flexibilização regulatória e o avanço tecnológico, qualquer empresa pode originar crédito e vendê-lo a FIDCs, que oferecem ao investidor uma rentabilidade alvo com estrutura de cotas subordinadas como colchão de perdas. Esse movimento amplia o acesso ao crédito e cria novas oportunidades de investimento, mas também exige maturidade do investidor para entender os riscos.
O Fed, sob Powell, sinalizou postura mais dura, com metade do comitê prevendo alta de juros ainda este ano. O juro real de 2 anos nos EUA saltou de 0,5% para 2% em dois meses, mudando o cenário global. Isso pressiona emergentes como o Brasil, encarece o custo de capital e fortalece o dólar.
O mercado brasileiro está barato em valuation, com empresas a 4-5 vezes lucro e dividendos de 20%, mas o risco fiscal e a incerteza eleitoral afastam investidores. O equity risk premium ainda é baixo frente à NTNB, e a renda fixa parece mais atraente. Estrangeiros podem entrar pelo cupom cambial, mas sem proteção cambial o risco é alto.
Nos EUA, 40% do patrimônio está em ETFs, que têm vantagens tributárias e regulatórias sobre fundos tradicionais. Lá, ETFs podem fazer short, alavancagem e derivativos, enquanto no Brasil são limitados a índices. A migração para passiva é impulsionada pela dificuldade de gestores ativos baterem o S&P 500.
Gestores americanos estão mais interessados em China, Taiwan, Índia e até Indonésia do que no Brasil. O fluxo estrangeiro para a bolsa brasileira diminuiu após o rali de janeiro, e o cenário eleitoral incerto com a possibilidade de reeleição de Lula afasta investidores. A guerra comercial e a inflação americana também desviam a atenção.
Fundos multimercado macro têm desempenho fraco em 2025, com a maioria abaixo do CDI, devido a choques geopolíticos e alta de juros. Já os fundos long-short conseguem gerar alfa, com o primeiro quartil superando o CDI. A indústria enfrenta reestruturações, fusões e resgates, com gestores tendo que operar de forma tática.
A inteligência artificial está gerando inflação no curto prazo, ao contrário da tese deflacionária. A demanda por semicondutores, energia e data centers é tão alta que os preços sobem, forçando empresas como a Apple a reajustar preços. Essa inflação de oferta, diferente do petróleo, não é transitória e complica a política monetária dos bancos centrais.
O Ibovespa começou o ano forte, mas perdeu fôlego e agora rende menos que o CDI. O Brasil perdeu representatividade nos índices de mercados emergentes (de 8% para 5%) e globais (0,3-0,4%), enquanto Taiwan e Coreia cresceram com tecnologia. O fluxo estrangeiro para o Brasil caiu, e gestores estão zerados ou vendidos em bolsa brasileira.
As taxas de juros de longo prazo nos EUA, Europa e Japão subiram devido ao aumento do endividamento fiscal e à discussão sobre o juro neutro mais alto. O mercado não tolera mais taxas baixas como no passado. No Brasil, a curva de juros também subiu, com surpresas inflacionárias e pressão fiscal, tornando o ambiente mais volátil para gestores.
O índice KOSPI subiu 100% no ano, puxado por Hynix e Samsung, que representam 50% do índice. Metade da população coreana investe em bolsa, e estrangeiros já venderam US$ 70 bilhões no ano. A formação de preço é especulativa, com 70% do volume de Hynix vindo de opções e ETFs alavancados. Grandes prime brokers reduziram exposição na Coreia para liberar capital para IPOs como o da SpaceX, aumentando o risco de correção.
A SpaceX atingiu valuation de US$ 165 bilhões em um dia, superando o valor de mercado da Berkshire Hathaway. O valuation é considerado 'maluco' por alguns, negociando a múltiplos elevados de receita, com promessas de receitas futuras de foguetes e Starlink. A entrada nos índices e o float limitado (7% do capital) distorcem o preço. A verdadeira valuation será testada a partir de setembro, com a liberação de mais ações.
A política monetária restritiva no Brasil, com juros elevados, combinada com o crescimento das apostas online (bets), está reduzindo a renda disponível das famílias. O serviço da dívida compromete cerca de 30% da renda, e as bets estão desviando recursos que seriam destinados ao consumo, especialmente nas classes menos favorecidas. Isso tem impacto direto no varejo, com redes de supermercados pedindo recuperação judicial.
Diante de spreads muito apertados e baixo prêmio por alongar prazo ou piorar qualidade de crédito, a gestora optou por uma carteira mais curta e de alta qualidade no mercado local, compensando com alocação em bonds de América Latina (hedgeados para real). Essa estratégia gerou 25% do alfa do fundo com apenas 12-13% de exposição, aproveitando a baixa correlação entre os mercados e oportunidades como a recuperação argentina.
Com os spreads de crédito comprimidos no Brasil, Urbano defende que é essencial montar um portfólio high grade de verdade, sem margem para erros. Ele observa que, em momentos de alta liquidez, a diferenciação entre empresas saudáveis e arriscadas diminui, aumentando o risco de defaults. A recomendação é focar em empresas com histórico sólido e gestão confiável.
Urbano explica que o mercado de special situations no Brasil oferece oportunidades de comprar dívidas descontadas, como no caso da Ligga Telecom, comprada a 40% do par e hoje a 50%, com potencial de 85%. No entanto, ele alerta para os riscos de execução, como no caso da Cora, onde a empresa não conseguiu monetizar ativos conforme esperado. A estratégia exige paciência e análise profunda.
Urbano destaca que a participação dos grandes bancos no crédito caiu de 80% para 65% nos últimos anos, impulsionada por medidas do Banco Central como a desmutualização das maquininhas, o open banking e as duplicatas escriturais. Ele vê o FIDC como veículo perfeito para essa desintermediação, com regulação em evolução, mas ainda com governança a melhorar.
Os spreads de crédito abriram fortemente desde outubro de 2024, especialmente em debêntures incentivadas, com abertura de 120 bps no agregado. O movimento foi 95% técnico, por necessidade de venda e resgates, e não por deterioração de crédito. Fundos fecharam captação e depois reabriram, sinalizando confiança nos prêmios atuais.
Varejo sofre com margens apertadas, alta alavancagem e dependência de crédito ao consumidor, sendo evitado por gestores. Fibra óptica enfrenta concorrência acirrada e estagnação na expansão, com foco em rentabilidade por cliente. Juros altos ainda pressionam esses setores, mas alguns papéis abriram demais e podem ser oportunidades.
Mesmo com eventual queda de juros, o impacto da política restritiva continuará ao longo do ano e parte do próximo. O leg (defasagem) faz com que empresas e famílias ainda sofram com custo de capital elevado, especialmente setores de margem apertada como varejo e agro.
João Peixoto Neto relembra como o surgimento do home broker no final dos anos 1990 foi disruptivo, reduzindo drasticamente as taxas de corretagem e permitindo que investidores pessoa física operassem com alta frequência. Antes, as corretoras cobravam 0,5% por operação, o que inviabilizava o day trade para a maioria. A tecnologia barateou o acesso e multiplicou o número de investidores, pavimentando o caminho para a explosão dos FIDCs e de outros produtos estruturados.
O especialista alerta que, com a popularização dos FIDCs, surgirão tanto operações bem estruturadas quanto golpes e picaretagens. A chave para mitigar riscos é a pulverização da carteira: uma carteira estatística com muitos créditos dilui a inadimplência, que hoje gira em torno de 3% para empresas. Já a concentração em poucos devedores, como no caso da Americanas, pode levar a perdas catastróficas. O investidor deve estudar antes de aplicar e não buscar rentabilidade sem entender o risco.
A SpaceX, com valuation de US$ 165 bilhões após um dia, levanta questionamentos sobre preços justos em meio ao boom de AI. Enquanto isso, empresas de infraestrutura de AI (memória, óptica, refrigeração) tiveram revisões de lucro maiores que a alta das ações, indicando que podem estar mais baratas. O Capex em AI deve continuar crescendo, mas a monetização ainda é incerta.
O Capex maciço em AI está aquecendo a economia americana, com consumo forte e geração de empregos. No entanto, setores sensíveis a juros (small caps, consumo, financeiro) sofrem com a alta das taxas. A bifurcação do mercado se acentua: empresas ligadas a AI se beneficiam, enquanto as demais são prejudicadas pelo custo do capital.
Nos EUA, grandes hedge funds como a Electron não usam partnership; o dono do dinheiro ou um comitê executivo decide. Já no Brasil, a sociedade é vista como essencial para reter talentos. A diferença cultural mostra que não há modelo único de sucesso, e a flexibilidade americana pode ser mais eficiente em momentos de crise.
O governo Biden criou burocracia que travou fusões e aquisições, prejudicando fundos event-driven. Com Trump, a expectativa é de uma corrida do ouro, com mais oportunidades para operações de M&A. Gestores como a Paint Water, que dedicam 80-85% dos ativos a eventos corporativos, devem se beneficiar.
Os gestores de multimercado reduziram o tamanho das posições compradas em juros (apostando em queda) e venderam real, devido ao dólar forte e ao cenário eleitoral brasileiro. Em contrapartida, mantêm posições compradas em ações de tecnologia globais, que mesmo com exposição pequena (até 10%) podem gerar retornos significativos.
O episódio discute como valuations aparentemente insustentáveis podem se concretizar quando há inovação disruptiva, como ocorreu com a Tesla, que superou a soma de todas as montadoras. No caso da SpaceX, o prêmio pode embutir expectativas de que, em 10 anos, viagens de foguete se tornarão comuns. A dificuldade de pensar exponencialmente leva investidores a subestimar o potencial de empresas como SpaceX e Google.
As dificuldades financeiras de grandes empresas como Raízen e Braskem são atribuídas principalmente a decisões erradas de investimento e a um longo período de preços deprimidos de commodities, e não diretamente aos juros altos. A alavancagem elevada combinada com receitas pressionadas por commodities levou à renegociação de dívidas, mostrando que o ciclo de commodities é um fator de risco mais relevante que a política monetária para esses casos.
Urbano afirma que comprar bonds brasileiros no exterior é quase um 'play de cupom cambial', pois o retorno depende mais do câmbio e dos juros americanos do que da análise de crédito. Ele admite que, apesar de ter experiência, não se sente confortável para fazer gestão ativa nesse mercado, preferindo atuar de forma oportunística, como em 2016 e na pandemia.
Os Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDICs) são preferidos por terem o ativo já dentro do veículo, evitando dificuldades de execução de garantia. Apesar de serem menos líquidos, oferecem retorno adicional significativo em relação a debêntures de risco equivalente, sendo uma oportunidade desarbitrada no mercado brasileiro.