🚨 [AO VIVO] ORMUZ VAI REABRIR, COPOM E FED E O MAIOR IPO DA HISTÓRIA | AfterMarket
Episódio ao vivo do AfterMarket discute o cenário macro pós-decisão do Fed (tom hawkish, juros reais em alta), o impacto no Brasil (dominância fiscal, eleição polarizada, valuations baratos mas com riscos), o boom de IA/SpaceX e a Copa do Mundo. Participam Christian Keleti, Andrew Rider e Bruno Garcia.
Christian Keleti (host, gestor)Andrew Rider (host, gestor)Bruno Garcia (convidado, gestor sênior com 20+ anos de mercado)
Brasil não tem espaço para aumentar receita (carga tributária já alta) e corte de despesas é politicamente inviável.
O ajuste fiscal necessário para estabilizar a dívida é de 3,5% do PIB – muito difícil de ser feito por corte de gastos.
Risco de calote via inflação: se a dívida é local, o governo pode 'imprimir' dinheiro, gerando inflação e corroendo o valor real da dívida.
NTNB (título indexado à inflação) é melhor que CDI em cenário de dominância fiscal, pois protege contra inflação.
Valuation da bolsa brasileira: barato, mas não o suficiente
Muitas empresas negociam a 4-5x lucro, com dividend yield de 20% e programas de recompra de ações.
Equity risk premium (ERP) da bolsa brasileira está em cerca de 2,5% acima da NTNB – abaixo da média histórica.
Para o investidor local, a renda fixa (NTNB) oferece melhor risco-retorno que a bolsa, dado o cenário fiscal.
Para o estrangeiro, o earning yield de ~12% mais inflação é atrativo, mas ele não faz hedge cambial – o risco é a desvalorização do real.
Se o estrangeiro fizer hedge cambial, boa parte do retorno é perdida; a aposta na bolsa brasileira é uma aposta na moeda.
O lucro corrente pode não ser sustentável: juros reais acima de 10% por 4 anos devem comprimir margens de bancos, consumo e alavancadas.
Exemplos de empresas baratas: Vale (yield de ~8% em dólar), mas setor financeiro e bond proxies sofrem com câmbio.
Eleição presidencial brasileira: cenário polarizado e riscos
Pesquisas mostram Lula e Bolsonaro empatados tecnicamente, com vantagem de 4-6 pontos para Lula; Renan aparece como terceira via com chances baixas.
Bolsonaro tem rejeição altíssima (maior que Lula) e não se ajuda com escândalos (Banco Master, declarações de Eduardo Bolsonaro).
Lula também tem rejeição alta, mas base fiel; a eleição será decidida pelo eleitor independente, que está migrando para Lula.
Renan precisa crescer rapidamente para tirar Bolsonaro do segundo turno; cenário atual é de segundo turno entre Lula e Bolsonaro, com Lula favorito.
Se Renan não crescer, o mercado continuará pessimista: a chance de um governo Lula sem ajuste fiscal é vista como muito negativa.
A nomeação de Alckmin para coordenar a transição é vista como pouco crível para sinalizar ajuste fiscal.
O gráfico 'bumerangue' mostra que o ambiente benigno do início do ano (juro real baixo, dólar fraco, direita na frente) se inverteu completamente.
Boom de IA e SpaceX: capitalismo destrutivo ou oportunidade?
SpaceX fez o maior IPO da história, com valuation de ~US$ 165 bi (mais que o patrimônio de Warren Buffett).
Apenas 7,5% do float foi para o mercado; o valuation real será testado quando mais ações forem liberadas (setembro).
O IPO drena capital de emergentes: bancos americanos precisaram de US$ 50 bi para estabilização, tirando balanço de países como Brasil e Coreia.
A tese de IA é estrutural: CAPEX das hyperscalers (Google, Microsoft, Amazon) deve continuar crescendo por anos, impulsionando toda a cadeia.
Empresas de infraestrutura (óptica, refrigeração, memória) se beneficiam mais que as próprias hyperscalers – 'na corrida do ouro, venda pás e picaretas'.
Memória (Hynix, Samsung) teve revisão de lucro maior que a alta das ações: múltiplos ficaram mais baratos apesar da valorização de 80-100%.
Risco técnico: 70% do volume de Hynix vem de opções e ETFs alavancados; posicionamento está esticado e pode gerar correção violenta.
Coreia do Sul: metade da população investe em bolsa; gringo vendeu US$ 70 bi no ano; índice subiu 100% graças a duas ações (Hynix e Samsung).
Copa do Mundo: futebol e metáforas de mercado
Brasil estreou mal, perdendo para Marrocos; time foi 'amassado' e mostrou falta de dinamismo e criatividade no meio-campo.
Casemiro teve atuação pífia; Rafinha deve ir para o banco; Neymar é a esperança para trazer criatividade.
Seleções europeias (França, Alemanha) e Argentina são favoritas; França é a mais competitiva, Argentina joga a última Copa de Messi.
Comparação com mercado: Brasil 'tomou um calor' assim como o mercado brasileiro sofreu com a mudança de cenário global.
Torcida e fé: mesmo com cenário difícil, os participantes torcem pelo Brasil na Copa e por uma melhora no mercado.
Lições de longevidade no mercado brasileiro (Bruno Garcia)
Bruno Garcia tem mais de 20 anos de gestão no Brasil, com períodos de grande sucesso e um grande drawdown que ensinou muito.
Segredos: manter-se curioso, aprender sempre, resiliência (apanhar e levantar), gerenciamento de risco rigoroso.
Nunca dar all-in: administrar dinheiro de terceiros exige respeito e minimização de drawdowns.
Visão internacionalizada: o Brasil não é uma ilha; o investidor compara oportunidades globalmente, e é preciso oferecer prêmio adequado.
Não ter amor à posição: se o risco-retorno não compensa, é preciso reduzir exposição, mesmo sendo brasileiro e torcendo pelo país.
Honestidade intelectual: fazer análise fria, com paralelos globais, e aplicar ao Brasil.
Paixão pelo que faz: a motivação vai além do dinheiro; é preciso se reinventar em ciclos ruins.
Passos práticos
Para investidores brasileiros: prefira NTNB (títulos indexados à inflação) ao CDI em cenário de dominância fiscal.
Se exposto à bolsa brasileira, foque em empresas com lucros resilientes e capacidade de recomprar ações ou pagar dividendos elevados.
Para estrangeiros: avalie o cupom cambial (earning yield em dólar) sem hedge cambial, mas esteja ciente do risco de desvalorização do real.
Em IA, invista em infraestrutura (óptica, refrigeração, memória) em vez de hyperscalers – a tese de 'pás e picaretas' é mais direta.
Evite small caps americanas e emergentes tradicionais enquanto o juro real americano estiver subindo; prefira ativos ligados a IA.
Acompanhe de perto os dados de inflação americanos (CPI, PCE) – cada dado será crucial para o mercado pós-Fed sem guidance.
Na Coreia, cuidado com o excesso de especulação: 70% do volume de Hynix vem de opções; correção pode ser violenta.
Para a Copa do Mundo: torça, mas não baseie decisões de investimento em futebol.
Frases marcantes
"O Fed não vai mais dar forward guidance. A volatilidade virá dos dados, não do Fed."
"O Brasil é aquele cara viciado em gastar que já pegou dinheiro com agiota. Se o gringo parar de financiar, o ajuste vem na moeda."
"Na corrida do ouro, venda pás e picaretas. Quem está ganhando dinheiro de verdade é a infraestrutura de IA, não as hyperscalers."
"O CDI é o pior investimento: você fica ganhando 1% ao mês rezando para a inflação não subir."
"Ações que sobem 80% podem ficar mais baratas se o lucro subiu 150%. O mercado tem dificuldade de pensar exponencialmente."
"O segredo da longevidade no mercado é resiliência, curiosidade e não ter amor à posição. Apanha, levanta e segue."
Mencionados no episódio
Fed (Federal Reserve) – banco central dos EUA
Powell (Jerome Powell) – chairman do Fed
COPOM (Comitê de Política Monetária do Banco Central do Brasil)
SpaceX – empresa de exploração espacial de Elon Musk
Tesla – montadora de veículos elétricos
Hynix (SK Hynix) – fabricante coreana de memória
Samsung – conglomerado coreano de tecnologia
Intel – fabricante americana de chips
AMD – fabricante americana de chips
Google (Alphabet) – empresa de tecnologia
Oracle – empresa de software
OpenAI – desenvolvedora de IA
Vale – mineradora brasileira
Petrobras – petroleira brasileira
Eletrobras – elétrica brasileira
NTNB – título público brasileiro indexado à inflação
CDI – taxa de juros interbancária brasileira
WHG (WHG Gestão de Recursos) – gestora de recursos
Goldman Sachs – banco de investimento
Kospi – índice da bolsa coreana
Kosdaq – índice de small caps coreano
MSCI Emerging Markets – índice de mercados emergentes
S&P 500 – índice americano
Nasdaq – índice americano de tecnologia
Russell 2000 – índice de small caps americanas
Copa do Mundo 2026 – torneio de futebol
Messi (Lionel Messi) – jogador argentino
Neymar – jogador brasileiro
Casemiro – jogador brasileiro
Rafinha – jogador brasileiro
Lula (Luiz Inácio Lula da Silva) – ex-presidente e candidato
Bolsonaro (Jair Bolsonaro) – ex-presidente e candidato
Renan (Renan Calheiros) – senador e possível candidato
Alckmin (Geraldo Alckmin) – vice-presidente na chapa de Lula
Banco Master – banco brasileiro envolvido em escândalo
Flávio Bolsonaro – filho de Jair Bolsonaro
Eduardo Bolsonaro – filho de Jair Bolsonaro
Fernando Garcia – pai de Bruno Garcia, campeão mundial de pesca