The Rest is History
O episódio explica que a Itália, inicialmente neutra, decidiu entrar na guerra em 1915 movida por interesses expansionistas, buscando anexar territórios do Império Austro-Húngaro como Trentino, Trieste e Dalmácia. Essa motivação contrastava com a dos outros países, que alegavam defender suas terras. A decisão foi tomada contra a vontade da maioria da população e resultou em um milhão de mortos, alimentando o ressentimento que levou à ascensão do fascismo.
Benito Mussolini, então jornalista socialista, mudou de posição para apoiar a guerra e fundou os Fasces de Ação Revolucionária, embrião do fascismo. Ele esteve presente nos discursos de D'Annunzio e, após a guerra, capitalizou o descontentamento com o resultado do conflito para ascender ao poder. O episódio mostra como a Primeira Guerra Mundial criou as condições para o fascismo na Itália.
O episódio narra a Batalha de Maratona (490 a.C.) como um dos confrontos mais decisivos da história, onde os atenienses, em desvantagem numérica, derrotaram os persas. A vitória é celebrada como a defesa da liberdade e da democracia contra o despotismo, influenciando o desenvolvimento do Ocidente. O historiador John Stuart Mill considerou a batalha mais importante para a Inglaterra do que a Batalha de Hastings.
A terceira estrofe do hino, raramente cantada, contém a frase 'hireling and slave', que muitos interpretam como referência a escravos fugitivos que se aliaram aos britânicos. O episódio explora o contexto: os britânicos recrutaram ativamente escravos fugitivos, prometendo liberdade, e Francis Scott Key era um proprietário de escravos e oponente do abolicionismo. A NAACP pediu a substituição do hino em 2017 por considerá-lo racista.
O período de 19 anos de guerra civil entre Matilde e Estêvão é conhecido como A Anarquia, quando 'Cristo e seus santos dormiram'. Barões locais aterrorizavam a população com torturas, como ratos no estômago e cordas apertadas na cabeça. A falta de um rei forte levou ao caos e à violência generalizada.
Edith Cavell, enfermeira inglesa, ajudou a criar a primeira escola de enfermagem profissional da Bélgica. Durante a guerra, ela se juntou a uma rede de resistência que escondia e ajudava soldados aliados a fugir para a Holanda neutra. Cavell foi presa, julgada e executada por fuzilamento em 1915, tornando-se um símbolo de bravura e martírio.
Em 7 de maio de 1915, o transatlântico britânico RMS Lusitania foi torpedeado por um submarino alemão U-20 ao largo da costa da Irlanda, matando mais de 1.000 pessoas, incluindo 159 americanos. O episódio descreve como o navio, que transportava munições e passageiros civis, foi atacado sem aviso, gerando indignação global e sendo um passo crucial para a entrada dos EUA na Primeira Guerra Mundial.
O presidente Woodrow Wilson, inicialmente isolacionista, enfrentou pressão após o torpedeamento do Lusitania, que matou 159 americanos. A Alemanha subestimou a reação dos EUA, considerando-os fracos, mas o incidente minou a neutralidade americana e pavimentou o caminho para a entrada dos EUA na guerra em 1917.
O episódio mostra que 'God Save the King' surgiu em setembro de 1745, no Teatro Real Drury Lane, como um hino patriótico para apoiar a dinastia Hanoveriana contra a ameaça jacobita de Bonnie Prince Charlie. A canção rapidamente se espalhou por teatros e pubs, tornando-se um fenômeno viral e a primeira grande canção pop. Sua melodia foi adotada por mais de 20 países, de Liechtenstein ao Havaí, consolidando-se como o modelo de hino nacional moderno.
Paul McCartney explica como a cidade de Liverpool, com sua herança irlandesa e o pós-guerra, criou uma cultura de resiliência e humor que influenciou diretamente os Beatles. A capacidade de rir das dificuldades e a forte identidade local foram cruciais para o sucesso da banda, especialmente ao enfrentar a imprensa americana.
O episódio detalha como a campanha de Gallipoli, concebida por Winston Churchill, se transformou em um desastre militar e político. Churchill, então Primeiro Lorde do Almirantado, foi responsabilizado pelo fracasso, levando à sua demissão e a uma crise no governo britânico. A operação, que visava tirar o Império Otomano da guerra, resultou em um impasse sangrento com condições horríveis para os soldados.
O episódio descreve em detalhes a vida nas trincheiras da Frente Ocidental em 1915, baseado no livro 'Goodbye to All That' de Robert Graves. Os soldados enfrentavam lama, piolhos, ratos, e o tédio, mas também havia momentos de camaradagem e até mesmo certa normalidade, como refeições regulares e jogos. A experiência variava conforme a classe social e o temperamento, com alguns soldados achando a rotina melhor que o trabalho em minas ou fábricas.
O episódio analisa como a campanha de Galípoli, idealizada por Winston Churchill, foi um desastre militar. Churchill propôs um ataque naval aos Dardanelos para tomar Constantinopla e quebrar o impasse na Frente Ocidental, mas subestimou as defesas otomanas. A operação resultou em pesadas perdas e expôs a falta de planejamento, tornando-se um símbolo de incompetência estratégica.
O poeta e nacionalista Gabriele D'Annunzio foi peça-chave para incitar a população italiana à guerra, com discursos inflamados que misturavam religiosidade e violência. Ele liderou manifestações em Roma, chamando os políticos anti-guerra de traidores e pregando a purificação pelo sangue. Sua retórica prefigurou o fascismo e influenciou diretamente a decisão do parlamento de aprovar a guerra em maio de 1915.
O general Luigi Cadorna, comandante do exército italiano, liderou as tropas com táticas obsoletas de ataque frontal, ignorando as lições da guerra moderna. As batalhas no rio Isonzo e no planalto cárstico resultaram em enormes perdas devido ao terreno montanhoso e à resistência austríaca. Cadorna demitiu centenas de oficiais em vez de ajustar sua estratégia, contribuindo para o fracasso militar e o alto número de baixas.
Miltíades convenceu os generais atenienses a atacar os persas na planície de Maratona, mesmo sem cavalaria e em menor número. A decisão baseou-se na inteligência de que a cavalaria persa havia sido embarcada, criando uma janela de oportunidade. Os atenienses correram em direção ao inimigo, tática inédita que causou pânico e garantiu a vitória.
A batalha é vista como o triunfo da liberdade sobre a tirania, um tema recorrente na cultura ocidental. Poetas como Byron e historiadores como Mill a exaltaram como marco da identidade europeia. Para os persas, foi um mero contratempo; para os gregos, a prova de que a democracia podia vencer impérios.
O episódio detalha como Francis Scott Key escreveu 'The Star-Spangled Banner' em 1814, durante a Guerra de 1812, após testemunhar o bombardeio britânico ao Fort McHenry. Key usou uma melodia inglesa popular, a 'Anacreontic Song', para criar um broadside ballad que rapidamente se espalhou pelos jornais. O hino só se tornou oficial mais de um século depois, mas já era um símbolo nacional.
A Guerra de 1812 é raramente discutida, mas teve impactos duradouros: os EUA tentaram invadir o Canadá e falharam, fortalecendo a identidade canadense; os britânicos queimaram a Casa Branca; e o conflito terminou em empate. O episódio destaca como a guerra é um marco fundador para o Canadá, que co-sedia a Copa do Mundo de 2026 com EUA e México.
Key era um advogado bem-sucedido, proprietário de escravos e membro da Sociedade Americana de Colonização, que defendia o envio de negros libertos para a África. Como promotor, processou ativistas antiescravistas, mas também representou escravos em busca de liberdade. Sua biografia complexa alimenta o debate sobre o hino.
O episódio explora a vida de Matilde, filha do rei Henrique I, que foi nomeada herdeira do trono inglês no século XII. Após a morte do pai, seu primo Estêvão tomou o poder, desencadeando uma guerra civil de 19 anos conhecida como A Anarquia. Matilde nunca foi coroada, mas seu filho Henrique II tornou-se rei, estabelecendo a dinastia Plantageneta.
O episódio discute como as rainhas medievais deveriam ser pacificadoras e intercessoras, nunca desafiando a autoridade masculina. Matilde, ao agir como um rei – autoritária e inflexível – foi criticada pelos cronistas. Seu fracasso em ser coroada deveu-se em parte à recusa em desempenhar o papel feminino esperado.
Matilde nunca foi rainha reinante, mas seu filho Henrique II tornou-se rei, e todos os futuros monarcas ingleses descendem dela. Seu exemplo foi ambíguo: mostrou que mulheres podiam transmitir a coroa, mas sua tentativa de governar resultou em anarquia, servindo como advertência contra o governo feminino.
A Bélgica foi ocupada pelos alemães em 1914, com divisão em zonas e governo militar. A economia foi desmantelada, máquinas levadas para a Alemanha e mais de 100 mil trabalhadores deportados. A ocupação causou humilhação nacional, colapso econômico e fome, levando a um revivalismo católico e à resistência belga.
Edith Cavell foi executada por fuzilamento em 12 de outubro de 1915, apesar de apelos de neutralidade dos EUA e Espanha. A execução gerou indignação global e foi comparada ao incêndio de Lovaina e ao naufrágio do Lusitânia. A Alemanha justificou a sentença com base no código militar alemão, que previa pena de morte para traição de guerra.
A Alemanha, em desvantagem de recursos, lançou uma campanha de guerra submarina irrestrita para sufocar o comércio britânico, que importava 2/3 de seus alimentos. Apesar de afundar cerca de dois navios por dia, o impacto foi pequeno, mas o custo reputacional foi alto, com ataques a navios neutros e a perda de vidas americanas, como Leon C. Thrasher, gerando tensão diplomática.
O Lusitania transportava 4 milhões de cartuchos de rifle, 1.000 caixas de granadas de artilharia e 46 toneladas de pó de alumínio, material bélico enviado por fabricantes americanos para a Grã-Bretanha. A Alemanha argumentou que isso legitimava o ataque, enquanto os EUA defenderam como carga privada legal. O episódio levanta questões éticas sobre o uso de navios civis para transporte de material de guerra.
Durante as Guerras Napoleônicas, 'God Save the King' foi consagrado como 'anthem' (hino religioso) para contrapor o ateísmo da Revolução Francesa. Enquanto a França adotava 'A Marselhesa' como canção nacional, a Grã-Bretanha cristianizou seu hino, pedindo a Deus que salvasse o rei. Isso reforçou a identidade britânica como defensora da monarquia protestante e da ordem divina, em oposição ao republicanismo francês. A canção tornou-se um símbolo de união nacional em tempos de guerra.
O episódio aborda a peculiaridade de Inglaterra e Escócia competirem separadamente na Copa do Mundo, mas compartilharem o mesmo hino nacional, 'God Save the King'. Enquanto a Inglaterra o adota, a Escócia historicamente se recusa a cantá-lo, preferindo outros símbolos. Isso reflete as tensões identitárias dentro do Reino Unido, onde o hino britânico não representa igualmente todas as nações constituintes. A situação é única no futebol mundial, já que outras federações, como a espanhola, não têm divisões internas.
McCartney descreve como a música era descoberta através de marinheiros que traziam discos raros dos EUA, e como os músicos aprendiam uns com os outros, sem partituras. Esse processo de transmissão oral e a dificuldade de acesso tornavam a música mais especial e criavam uma comunidade fechada de conhecedores.
McCartney revela que escreveu sua primeira música, 'I Lost My Little Girl', aos 14 anos, logo após a morte de sua mãe. Ele descreve a guitarra como um terapeuta, com quem conversava e que respondia em forma de canções. Esse processo criativo o ajudou a lidar com a perda e deu início à sua carreira.
McCartney reflete sobre como a geração que viveu a guerra aprendeu a 'seguir em frente' com humor e determinação, influenciando sua música. Ele cita a canção 'Life Can Be Hard', escrita durante a pandemia, como exemplo de como transformar adversidade em mensagem de esperança, ecoando a atitude de seus pais e tios.
Os soldados em Gallipoli enfrentaram condições piores que as da Frente Ocidental: calor extremo, falta de água, mosquitos, corpos em decomposição e disenteria generalizada. A falta de instalações sanitárias e papel higiênico levou a humilhação e morte, como no caso de um marinheiro que se afogou em seus próprios excrementos. A experiência foi marcada por sofrimento físico e psicológico intenso.
O fracasso de Gallipoli desencadeou uma crise no governo britânico, com a demissão de Churchill e a formação de uma coalizão. A imprensa e os conservadores pressionaram pela saída de Churchill, que foi rebaixado a um cargo menor. A crise também envolveu a renúncia do Primeiro Lorde do Mar Jackie Fisher e a queda de popularidade do primeiro-ministro Asquith.
O episódio contrasta as reações de diferentes soldados ao combate. Enquanto Ernst Jünger descreve a guerra como uma experiência emocionante e quase prazerosa, outros, como Stefan Westmann, sofrem traumas profundos ao matar pela primeira vez. A maioria dos soldados nunca via o inimigo face a face, e dois terços das baixas eram causadas por artilharia, não por combate corpo a corpo. A guerra revelava aspectos sombrios da natureza humana, com civis comuns cometendo atos de violência extrema.
O desembarque dos ANZACs em Galípoli, em 25 de abril de 1915, tornou-se um marco fundador das identidades nacionais da Austrália e Nova Zelândia. A cobertura da imprensa britânica, que exaltou a coragem dos soldados coloniais, gerou orgulho e um sentimento de pertencimento ao Império. O episódio destaca como um evento militar trágico foi transformado em mito nacional.
O episódio contextualiza a situação do Império Otomano antes da guerra, sua aliança com a Alemanha e a defesa bem-sucedida dos Dardanelos. Mustafa Kemal, então um oficial otomano, destacou-se na campanha, pavimentando seu caminho para se tornar o fundador da Turquia moderna. A resistência otomana em Galípoli foi crucial para a sobrevivência do império e para a futura República Turca.
O episódio destaca a crença dos gregos na intervenção divina, como o deus Pã prometendo causar pânico nos persas. Os espartanos atrasaram-se devido a um festival religioso, o que quase custou a vitória grega. A superstição influenciava decisões militares e era levada a sério pelos comandantes.
A melodia do 'Star-Spangled Banner' foi composta em 1775 por John Stafford Smith para o Anacreontic Club de Londres, um clube musical masculino. A canção era conhecida nos EUA antes de Key, usada por abolicionistas e em campanhas políticas. Key adaptou seu poema à melodia já popular, o que ajudou na rápida disseminação.
O episódio destaca que, no século XII, não havia regras claras de sucessão na Inglaterra. Guilherme, o Conquistador, era bastardo, e seus filhos mais novos assumiram o trono. Henrique I tornou-se rei por um golpe, não por primogenitura. Isso permitiu que Estêvão, um sobrinho, se coroasse antes de Matilde, a herdeira designada.