Stock Pickers
O Brasil não cresceu como outros mercados emergentes desde 2015-16, com PIB medíocre e bolsa de valores atrás de pares. O endividamento das famílias atingiu 30% da renda, e o crédito corporativo sofre com juros altos e spreads voláteis. A estagnação contrasta com o desenvolvimento de outros países.
Os spreads de crédito abriram fortemente desde outubro de 2024, especialmente em debêntures incentivadas, com abertura de 120 bps no agregado. O movimento foi 95% técnico, por necessidade de venda e resgates, e não por deterioração de crédito. Fundos fecharam captação e depois reabriram, sinalizando confiança nos prêmios atuais.
Varejo sofre com margens apertadas, alta alavancagem e dependência de crédito ao consumidor, sendo evitado por gestores. Fibra óptica enfrenta concorrência acirrada e estagnação na expansão, com foco em rentabilidade por cliente. Juros altos ainda pressionam esses setores, mas alguns papéis abriram demais e podem ser oportunidades.
Mesmo com eventual queda de juros, o impacto da política restritiva continuará ao longo do ano e parte do próximo. O leg (defasagem) faz com que empresas e famílias ainda sofram com custo de capital elevado, especialmente setores de margem apertada como varejo e agro.
Os Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDICs) são preferidos por terem o ativo já dentro do veículo, evitando dificuldades de execução de garantia. Apesar de serem menos líquidos, oferecem retorno adicional significativo em relação a debêntures de risco equivalente, sendo uma oportunidade desarbitrada no mercado brasileiro.