The Rest is History
A terceira estrofe do hino, raramente cantada, contém a frase 'hireling and slave', que muitos interpretam como referência a escravos fugitivos que se aliaram aos britânicos. O episódio explora o contexto: os britânicos recrutaram ativamente escravos fugitivos, prometendo liberdade, e Francis Scott Key era um proprietário de escravos e oponente do abolicionismo. A NAACP pediu a substituição do hino em 2017 por considerá-lo racista.
O episódio mostra que 'God Save the King' surgiu em setembro de 1745, no Teatro Real Drury Lane, como um hino patriótico para apoiar a dinastia Hanoveriana contra a ameaça jacobita de Bonnie Prince Charlie. A canção rapidamente se espalhou por teatros e pubs, tornando-se um fenômeno viral e a primeira grande canção pop. Sua melodia foi adotada por mais de 20 países, de Liechtenstein ao Havaí, consolidando-se como o modelo de hino nacional moderno.
O episódio detalha como a campanha de Gallipoli, concebida por Winston Churchill, se transformou em um desastre militar e político. Churchill, então Primeiro Lorde do Almirantado, foi responsabilizado pelo fracasso, levando à sua demissão e a uma crise no governo britânico. A operação, que visava tirar o Império Otomano da guerra, resultou em um impasse sangrento com condições horríveis para os soldados.
O episódio analisa como a campanha de Galípoli, idealizada por Winston Churchill, foi um desastre militar. Churchill propôs um ataque naval aos Dardanelos para tomar Constantinopla e quebrar o impasse na Frente Ocidental, mas subestimou as defesas otomanas. A operação resultou em pesadas perdas e expôs a falta de planejamento, tornando-se um símbolo de incompetência estratégica.
O episódio detalha como Francis Scott Key escreveu 'The Star-Spangled Banner' em 1814, durante a Guerra de 1812, após testemunhar o bombardeio britânico ao Fort McHenry. Key usou uma melodia inglesa popular, a 'Anacreontic Song', para criar um broadside ballad que rapidamente se espalhou pelos jornais. O hino só se tornou oficial mais de um século depois, mas já era um símbolo nacional.
A Guerra de 1812 é raramente discutida, mas teve impactos duradouros: os EUA tentaram invadir o Canadá e falharam, fortalecendo a identidade canadense; os britânicos queimaram a Casa Branca; e o conflito terminou em empate. O episódio destaca como a guerra é um marco fundador para o Canadá, que co-sedia a Copa do Mundo de 2026 com EUA e México.
Key era um advogado bem-sucedido, proprietário de escravos e membro da Sociedade Americana de Colonização, que defendia o envio de negros libertos para a África. Como promotor, processou ativistas antiescravistas, mas também representou escravos em busca de liberdade. Sua biografia complexa alimenta o debate sobre o hino.
Durante as Guerras Napoleônicas, 'God Save the King' foi consagrado como 'anthem' (hino religioso) para contrapor o ateísmo da Revolução Francesa. Enquanto a França adotava 'A Marselhesa' como canção nacional, a Grã-Bretanha cristianizou seu hino, pedindo a Deus que salvasse o rei. Isso reforçou a identidade britânica como defensora da monarquia protestante e da ordem divina, em oposição ao republicanismo francês. A canção tornou-se um símbolo de união nacional em tempos de guerra.
O episódio aborda a peculiaridade de Inglaterra e Escócia competirem separadamente na Copa do Mundo, mas compartilharem o mesmo hino nacional, 'God Save the King'. Enquanto a Inglaterra o adota, a Escócia historicamente se recusa a cantá-lo, preferindo outros símbolos. Isso reflete as tensões identitárias dentro do Reino Unido, onde o hino britânico não representa igualmente todas as nações constituintes. A situação é única no futebol mundial, já que outras federações, como a espanhola, não têm divisões internas.
Os soldados em Gallipoli enfrentaram condições piores que as da Frente Ocidental: calor extremo, falta de água, mosquitos, corpos em decomposição e disenteria generalizada. A falta de instalações sanitárias e papel higiênico levou a humilhação e morte, como no caso de um marinheiro que se afogou em seus próprios excrementos. A experiência foi marcada por sofrimento físico e psicológico intenso.
O fracasso de Gallipoli desencadeou uma crise no governo britânico, com a demissão de Churchill e a formação de uma coalizão. A imprensa e os conservadores pressionaram pela saída de Churchill, que foi rebaixado a um cargo menor. A crise também envolveu a renúncia do Primeiro Lorde do Mar Jackie Fisher e a queda de popularidade do primeiro-ministro Asquith.
O desembarque dos ANZACs em Galípoli, em 25 de abril de 1915, tornou-se um marco fundador das identidades nacionais da Austrália e Nova Zelândia. A cobertura da imprensa britânica, que exaltou a coragem dos soldados coloniais, gerou orgulho e um sentimento de pertencimento ao Império. O episódio destaca como um evento militar trágico foi transformado em mito nacional.
O episódio contextualiza a situação do Império Otomano antes da guerra, sua aliança com a Alemanha e a defesa bem-sucedida dos Dardanelos. Mustafa Kemal, então um oficial otomano, destacou-se na campanha, pavimentando seu caminho para se tornar o fundador da Turquia moderna. A resistência otomana em Galípoli foi crucial para a sobrevivência do império e para a futura República Turca.
A melodia do 'Star-Spangled Banner' foi composta em 1775 por John Stafford Smith para o Anacreontic Club de Londres, um clube musical masculino. A canção era conhecida nos EUA antes de Key, usada por abolicionistas e em campanhas políticas. Key adaptou seu poema à melodia já popular, o que ajudou na rápida disseminação.
A autoria de 'God Save the King' é envolta em mistério. Teorias vitorianas atribuíam a melodia a Henry Purcell ou John Bull, mas o musicólogo Percy Scholes, em 1942, demonstrou que a canção surgiu de forma comunitária, sem um compositor único. Scholes ridicularizou a teoria de que teria sido composta por ordem de Elizabeth I, proposta por um musicólogo druida e pró-nazista. A falta de uma origem definida reforça o caráter orgânico do hino, comparável à constituição não escrita britânica.
O episódio explora a tradição britânica de ridicularizar 'God Save the King', desde os intelectuais dos anos 1940, como George Orwell, até os Sex Pistols em 1977. Orwell observou que um intelectual inglês teria mais vergonha de ficar em posição de sentido durante o hino do que de roubar um cofre de esmolas. A versão punk 'God Save the Queen' tornou-se um ícone de rebeldia, mostrando como o hino é maleável e sujeito a paródias. Essa irreverência contrasta com a reverência americana ao 'Star-Spangled Banner'.
A campanha de Gallipoli deu origem ao mito do 'espírito ANZAC', simbolizado por John Simpson, que usava burros para resgatar feridos. Apesar das condições brutais, a bravura dos soldados australianos e neozelandeses foi celebrada, criando um marco na identidade nacional. O episódio contrasta o heroísmo com a realidade do fracasso militar.
Mustafa Kemal, futuro fundador da Turquia, destacou-se como comandante otomano em Gallipoli, liderando a resistência contra os Aliados. Sua determinação e táticas foram cruciais para o fracasso da ofensiva britânica. O episódio menciona que ele foi salvo por um relógio que parou um estilhaço, um evento que teria mudado a história da Turquia.
A campanha foi marcada por falhas de planejamento, como a subestimação das defesas otomanas, a falta de tropas treinadas e a recusa em ouvir conselhos de especialistas. Churchill ignorou alertas de almirantes e liderou uma operação apressada, enquanto o primeiro-ministro Asquith estava distraído. O episódio ilustra como decisões tomadas em ambientes de alta pressão podem levar a desastres.
O episódio menciona que a derrota otomana na Batalha de Sarikamish, no Cáucaso, levou os Jovens Turcos a culpar os armênios, preparando o terreno para o genocídio armênio. Embora não seja o foco, a campanha de Galípoli ocorreu simultaneamente a esse crime, e o contexto geopolítico é essencial para entender as motivações otomanas.