All-In Podcast
Bill Maris, fundador da Section 32 e ex-CEO do Google Ventures, defende que fundos de venture capital menores (abaixo de US$ 750 milhões) têm desempenho superior, com retorno médio de 4,76x contra 2,42x de fundos acima de US$ 1 bilhão. Ele argumenta que fundos grandes exigem saídas irrealistas (ex.: US$ 210 bilhões para um fundo de US$ 7 bilhões) e que a maioria dos anos não gera valor de saída suficiente. Maris critica o incentivo perverso que leva GPs a preferirem fundos grandes mesmo com retornos baixos, pois a taxa de administração compensa.
Maris sugere que o Google poderia cortar o preço de seus tokens de IA em 80%, usando seu 'war chest' para pressionar concorrentes como OpenAI e Anthropic. Ele argumenta que, se o Google reduzisse drasticamente os preços, os modelos de negócio rivais entrariam em colapso, pois clientes migrariam para a alternativa mais barata. A estratégia seria similar ao modelo 'Uber' de queimar caixa para ganhar participação de mercado, mas Maris questiona a sustentabilidade a longo prazo sem geração de caixa.
Os senadores John Fetterman (D-PA) e Dave McCormick (R-PA) discutem como encontraram pontos em comum para governar, votando juntos para evitar o shutdown do governo e colaborando em pautas como energia, fentanil e antissemitismo. Eles defendem que o bipartidarismo é essencial para enfrentar a polarização e a desconfiança nas instituições, servindo de exemplo para o resto do país.
McCormick e Fetterman destacam os bilhões em investimentos em data centers e energia na Pensilvânia, gerando empregos bem remunerados para trabalhadores da construção civil e eletricistas. Eles alertam que a oposição a esses projetos é alimentada por desinformação, inclusive de atores estrangeiros como a China, e que uma moratória seria prejudicial à competitividade americana na corrida de IA.
O Papa Leão XIV lançou sua primeira encíclica sobre IA, 'Magnifica Humanitas', alertando que a tecnologia nunca é neutra e reflete os valores de quem a controla. Ele pediu regulação para evitar que a IA concentre poder nas mãos de poucos, ecoando preocupações sobre vigilância e censura. O documento gerou debate sobre o papel do governo na supervisão da IA, com críticos temendo que a regulação possa levar à censura e ao controle estatal.
Bill Gurley apresentou a 'teoria Dr. Frankenstein' sobre a Anthropic, sugerindo que a empresa não apenas busca captura regulatória, mas também almeja criar uma entidade divina baseada em IA. Ele citou o post 'Máquinas de Amor e Graça' de Dario Amodei, que descreve um futuro onde sistemas de IA decidem a distribuição de recursos para humanos. O debate destacou o risco de uma IA centralizada que determina o valor das pessoas, gerando preocupações sobre soberania e controle.
Sarah Friar revela que a OpenAI levantou mais de US$ 122 bilhões, a maior rodada privada da história, superando o IPO da Saudi Aramco. Ela afirma que IPO é um marco, não um destino, e que a empresa busca flexibilidade máxima para financiar o crescimento em computação.
Friar detalha que a computação é um recurso escasso, com gargalos em energia, terrenos e chips. Cada gigawatt de capacidade custa cerca de US$ 50 bilhões. A OpenAI está construindo um data center de 1 GW em Michigan, com investimento de US$ 1 bilhão em impostos e 2.500 empregos sindicais.
Thomas Laffont, da Coatue, prevê uma onda histórica de IPOs de empresas de IA, como SpaceX, Anthropic e OpenAI, que podem somar mais de US$ 4 trilhões em valor. Ele destaca que essas empresas estão crescendo mais rápido que qualquer outra na história, e que o ecossistema de unicórnios está mais saudável, com maior equilíbrio entre capital consumido e retornado.
Laffont estima que o ecossistema de IA movimenta hoje US$ 140 bilhões, subindo para US$ 300 bilhões em 2025 e dobrando em 2027. As receitas vêm de três pilares: assinaturas de consumidores, anúncios (25% dos anúncios do Google e Meta já são habilitados por IA) e adoção empresarial com ferramentas como Claude Code.
O volume de transações secundárias em empresas privadas dobrou em relação ao pico de 2021, com 31% de toda atividade de venture capital em 2025 sendo compra de secundárias. Isso está substituindo IPOs e aquisições como principal forma de saída para investidores e funcionários, que antes ficavam 'ricos no papel, mas pobres em dinheiro'.
A Schwab e a Forge estão criando plataformas para permitir que investidores de varejo comprem fatias de empresas como SpaceX e Anthropic, via fundos de intervalo (interval funds) com mínimos de US$ 500. No entanto, há preocupações com valuations elevados e o risco de investidores inexperientes entrarem no topo do ciclo, como alertam Brad Gerstner e Gavin Baker.
Ackman explica que sua filosofia de investimento evoluiu para priorizar empresas com crescimento durável e protegido, em vez de trades táticos. Ele destaca que, como investidor concentrado e de longo prazo, a qualidade do negócio é o fator mais importante. Essa mudança reflete uma maturidade e uma abordagem mais parecida com a de Warren Buffett.
Ackman vê a IA como o maior risco de disrupção para empresas tradicionais, mas também como uma oportunidade. Ele acredita que empresas de alta qualidade como Microsoft, Meta e Amazon estão subvalorizadas em meio ao hype com chips e energia. Para ele, o mercado está ignorando essas gigantes, que têm modelos de negócio defensáveis e estão bem posicionadas para a era da IA.
Ackman detalha sua estratégia para transformar a Howard Hughes Corporation em uma máquina de compounding similar à Berkshire Hathaway. A ideia é usar o float de seguros para investir em ações, replicando o modelo de Buffett. A empresa, que possui terrenos e pequenas cidades, está sendo reestruturada para gerar retornos mais altos e se beneficiar de um custo de capital mais baixo.
O CEO da Palo Alto Networks, Nikesh Arora, revelou que sua empresa usou a ferramenta de IA 'Mythos' para encontrar vulnerabilidades em seu próprio código em apenas seis semanas, um processo que normalmente levaria de cinco a sete anos. A IA conseguiu até mesmo encadear vulnerabilidades para criar novos vetores de ataque. Isso demonstra o poder da IA na segurança cibernética, mas também levanta preocupações sobre o uso malicioso da tecnologia.
A IA está acelerando tanto a descoberta de vulnerabilidades por defensores quanto a criação de ataques por criminosos. Arora alerta que capacidades de IA de nível Mythos estarão disponíveis publicamente em 3 meses, aumentando o risco para empresas. Ele destaca que 89% dos ataques ainda exploram credenciais roubadas, e o maior perigo é o caos econômico em pequenas empresas, não em infraestruturas críticas.
Loeb detalha seu envolvimento na campanha pelo perdão de Ross Ulbricht, fundador do Silk Road, condenado a duas prisões perpétuas mais 40 anos. Ele argumenta que a sentença foi desproporcional e que Ulbricht mostrou arrependimento. Loeb trabalhou com Charlie Kirk e o advogado David Warrington para levar o caso ao presidente Trump, resultando no perdão em 2021.
Andrew Feldman, CEO da Cerebras, descreve os desafios de levar a empresa a público após mais de 10 anos, incluindo obstáculos regulatórios com investidores dos Emirados Árabes Unidos. Ele destaca que o IPO não muda o negócio central, mas fornece capital e validação externa. A empresa abriu a US$ 185, subiu para US$ 320 e agora está em US$ 230, com market cap de US$ 50-60 bilhões.
Will Marshall prevê que, com a queda dos custos de lançamento para US$ 200-300/kg, data centers em órbita se tornarão mais baratos que os terrestres em 2-3 anos. A Planet Labs já testa GPUs da Nvidia e TPUs do Google no espaço. A energia solar contínua em órbitas específicas elimina a necessidade de baterias, tornando o modelo viável.
Andrew Feldman explica que a Cerebras construiu um chip do tamanho de um prato de jantar, colocando memória próxima ao processamento para resolver o gargalo de transferência de dados. Isso resulta em desempenho 15-18x superior ao de GPUs em cargas de IA. A estratégia foi apostar em silício dedicado, diferente das GPUs da Nvidia.
Maris compara o estágio atual da inteligência artificial ao jogo Zork dos anos 80: sistemas frágeis, sem memória consistente e com reinícios de sessão. Ele prevê que, nos próximos cinco anos, a IA evoluirá para algo como um 'PlayStation 10', com computação ambiente e plataformas robustas. Para isso, investe em infraestrutura (GPUs, mecanismos de física, controladores) em vez de modelos maiores, que considera superados.
Maris critica empresas de IA que permanecem privadas por muito tempo, impedindo que o público invista via 401(k). Ele alerta que, quando essas empresas abrem capital, os fundos passivos e ETFs são forçados a comprar ações supervalorizadas, tornando os aposentados 'bag holders'. Para Maris, é injusto que o valor fique concentrado em investidores ricos enquanto o retorno para a sociedade é postergado.
Os senadores reconhecem a insatisfação popular com a economia, especialmente entre a metade inferior da população, que não vê benefícios no crescimento. McCormick propõe soluções como contas de investimento no estilo 'Invest America' e vouchers escolares para ampliar oportunidades, enquanto Fetterman critica o foco excessivo em 'pequenas bolas' e defende o capitalismo como motor de mobilidade.
Fetterman critica duramente o candidato democrata Graham Platiner, que possui tatuagem nazista e fez comentários depreciativos sobre soldados americanos, e vê sua viabilidade eleitoral como sintoma da polarização. McCormick aponta que a esquerda do partido abraçou ideias socialistas e antissemitismo, o que considera perigoso para o país.
Testes recentes mostram que os principais modelos de IA (Opus, GPT-5, Sonnet) estão quase indistinguíveis em desempenho, separados por menos de 0,3 ponto percentual. Isso sugere commoditização rápida, questionando o retorno sobre os trilhões de dólares investidos em treinamento. A convergência reforça a necessidade de camadas de abstração e modelos intercambiáveis para evitar dependência de um único fornecedor.
O episódio discutiu como a proficiência em ferramentas como Claude é a habilidade mais comercializável atualmente, dando aos recém-formados uma vantagem enorme. No entanto, Bill Gurley alertou que 59% dos trabalhadores são 'quiet quitters' ambivalentes, correndo risco de serem substituídos. A chave é ter 'alta agência' e usar IA para aprender mais rápido, não para evitar aprender.
O conceito de 'soberania de inteligência' emergiu como crucial: não se trata apenas de privacidade de dados, mas de evitar que uma IA centralizada diga às pessoas o que pensar. A China lidera o movimento open-source, enquanto os EUA centralizam. A Apple é vista como a 'dark horse' por seu foco em privacidade e hardware local, permitindo que usuários rodem modelos próprios sem depender de gigantes da nuvem.
Friar rebate críticas de que a Anthropic ultrapassou a OpenAI em receita e desenvolvedores, destacando a estratégia de múltiplas interfaces (ChatGPT, Codex, Frontier) e o foco em escala. Ela defende que a base unificada de modelo gera vantagens compostas de dados e eficiência.
Friar confirma parceria com Jony Ive para um novo dispositivo de IA, descrito como um 'fone de ouvido' que será revelado até o fim do ano e estará à venda no início de 2025. Ela destaca o design 'humano e adorável' do produto, que promete ser uma experiência natural e íntima.
O financiamento de IA está cada vez mais concentrado: o top 10 de empresas captura a maior parte dos recursos, e o número de unicórnios caiu, mas cada um levanta 5x mais. Laffont mostra que as chances de uma empresa de US$ 100 bilhões se valorizar 10x são de 31%, muito maiores que as de startups menores, indicando um 'power law' extremo.
Laffont explica que o valor da SpaceX está ligado à cadência de lançamentos, mas o múltiplo por lançamento cresceu porque o modelo de negócios evoluiu: de receita única para assinaturas recorrentes com constelações de satélites. A empresa agora mira o mercado global de telecomunicações, de US$ 200 a 400 bilhões, com o Starlink.
Laffont afirma que a IA está transformando todos os setores: telecom (Starlink substituindo torres), energia (data centers mudando a matriz), automóveis (Ferrari e o futuro elétrico/autônomo) e saúde (GLP-1s alterando consumo). Ele alerta que o custo de não estar nos vencedores é mais alto do que nunca.
Há um debate intenso sobre os prós e contras de empresas permanecerem privadas por mais tempo. Enquanto fundadores preferem evitar o escrutínio público, executivos como Gavin Baker e Brad Gerstner argumentam que o mercado público traz disciplina e transparência, citando o caso do Facebook que quase cometeu um erro estratégico por falta de pressão externa.
Fundos como Fidelity, Baillie Gifford e Capital Research estão limitados a 3-5% de alocação em ativos privados. Quando empresas como SpaceX abrirem capital, esses fundos poderão recomprar ações, liberando centenas de bilhões de dólares em demanda latente. Isso deve beneficiar founders e investidores que detêm papéis dessas empresas.
Painelistas indicaram empresas como Sierra (agentes de IA), Revolut (neobanco), Aria e DriveNets (redes para data centers), Neuro Robotics (robótica logística) e Zipline (drones de entrega) como oportunidades atrativas em secundárias. Destacam que o momento é de valuations elevados, mas com potencial de crescimento real, diferente da bolha de 1999.
Ackman afirma que as ações de empresas de alta qualidade estão 'incrivelmente baratas' com base no valor presente dos fluxos de caixa futuros. Ele compara o momento atual com o início de 2020, quando chamou o fundo do mercado. Para ele, a valuation funciona como uma âncora: quando as ações ficam muito baratas, a força de recuperação é inevitável.
Ackman concorda que empresas lideradas por fundadores têm vantagem competitiva, especialmente em tempos de mudança tecnológica. Fundadores têm autoridade para tomar decisões radicais sem medo de serem demitidos, ao contrário de CEOs contratados com mandatos curtos. Ele cita Mark Zuckerberg como exemplo de sucesso em aquisições ousadas como Instagram e WhatsApp.
Nikesh Arora afirma que a IA está democratizando a inteligência, permitindo que empresas padronizem a produção de equipes grandes, como marketing e vendas. Com a IA, é possível obter consistência no output de centenas de funcionários, reduzindo falhas e melhorando a eficiência. Isso terá um impacto fenomenal na forma como as empresas operam.
Arora argumenta que o SaaS analítico, que coleta e analisa dados para o cliente, está com os dias contados, pois a IA pode fazer isso diretamente. Já o software de infraestrutura (bancos de dados, armazenamento) e sistemas de registro profundamente integrados continuarão relevantes, mas precisarão se reinventar com agentes de IA, eliminando interfaces de usuário tradicionais.