Bill Maris: How Google Could Crush AI Competitors, Why Small Funds Win, and AI's Atari Stage
Bill Maris, fundador do Google Ventures e da Section 32, compartilha quatro lições de sua carreira: a importância de enxergar o futuro, usar ciência da computação para vencer, e por que fundos menores superam os grandes. Ele também discute o cenário de IA, criticando empresas que ficam privadas por muito tempo e alerta que Google pode usar seu poder de fogo para esmagar concorrentes de IA cortando preços de tokens.
Bill Maris - fundador da Section 32 e ex-CEO do Google VenturesDavid Sacks - investidor e co-apresentador do All-InChamath Palihapitiya - investidor e co-apresentador do All-InJason Calacanis - investidor e co-apresentador do All-InDavid Friedberg - investidor e co-apresentador do All-In
Fundos de venture capital com menos de US$ 750 milhões têm retorno médio 4,76x, enquanto fundos acima de US$ 1 bilhão rendem apenas 2,42x (DPI).
Google pode usar seu balanço para cortar preços de tokens de IA em 80%, pressionando concorrentes como OpenAI e Anthropic.
Empresas que ficam privadas por muito tempo forçam produtos superfaturados nos 401ks da classe média, que viram 'bag holders'.
A IA está no estágio 'Atari' (como o jogo Zork) e evoluirá para algo como PlayStation 10 em cinco anos, com computação ambiente.
Investir em plataformas subjacentes à IA (GPUs, motores de física, controladores) é mais promissor do que em modelos grandes.
O incentivo em venture está quebrado: fundos gigantes ganham mais com 1,01x de retorno do que fundos pequenos com 3x, distorcendo o mercado.
A saída de cérebros dos EUA (devido a cortes no NIH/CDC e restrições a H1B) está prejudicando a ciência americana.
Biologia computacional e simulação in silico de células humanas podem acelerar descobertas, mas ainda faltam 5% do caminho (testes clínicos).
Lições de Bill Maris: Como Enxergar o Futuro e Construir um Fundo de Sucesso
Em 1997, Maris largou Wall Street ao ver um servidor no armário do escritório e fundou uma empresa de data center no apartamento em Vermont, com servidores em um quarto e ele dormindo no outro.
Durante uma tempestade, ele subiu no telhado para passar piche e se enrolou, quase sendo eletrocutado – mas sobreviveu e aprendeu que empreendedores precisam ser 'um pouco insanos'.
Stewart Butterfield compartilhou fotos de inaugurações: em 1989, uma pessoa com câmera; em 2005, ainda uma; em 2009, todos com câmeras e um homem transmitindo ao vivo no laptop – ele 'viu o futuro' antes dos outros.
No Google Ventures, Maris usou machine learning (proibido de chamar de AI) para simular milhões de portfólios e determinar o tamanho ideal do fundo – resultando em retorno estimado de 4,1x para GV e ~10x para seus próprios investimentos.
Lições: 1) Veja o futuro através de um buraco de fechadura; 2) Seja um pouco insano; 3) Não aposte contra a ciência da computação; 4) Fundos pequenos superam fundos grandes.
Fundos abaixo de US$ 750 milhões representam 95% dos performers do topo decil (DPI), com retorno médio 4,76x vs. 2,42x para fundos > US$ 1 bilhão.
Exemplo: fundo de US$ 500 milhões precisa de US$ 5 bi em exits para devolver o capital (a 10% de ownership); para 3x, precisa de US$ 15 bi. Já um fundo de US$ 7 bi precisaria de US$ 210 bi – mais que o total de IPOs e M&A venture-backed na maioria dos anos.
Maris critica o incentivo perverso: um GP de fundo de US$ 5 bi ganha mais com 1,01x de retorno do que um GP de fundo de US$ 500 mi com 3x.
O Poder do Google no Mercado de IA: Guerra de Preços de Tokens
Maris sugere que Google pode cortar o preço dos tokens de IA em 80% usando seu 'money printing machine', forçando concorrentes como OpenAI e Anthropic a seguirem o mesmo ou perderem mercado.
Se Google reduzir preços, empresas como OpenAI e Anthropic teriam suas margens comprimidas a ponto de se tornarem insustentáveis – 'capital como arma, tokens como arma'.
A lógica é similar ao modelo Uber: queimar caixa para ganhar participação de mercado, mas a longo prazo é preciso gerar caixa.
Maris aponta que OpenAI tem US$ 60 bi de receita contra US$ 1 trilhão em compromissos de gastos – e vai precisar que o varejo (público) compre essa história no IPO.
Ele critica empresas que se dizem 'para beneficiar a humanidade' mas mantêm valor para investidores privilegiados, enquanto o público compra ações superfaturadas via 401k.
Empresas Privadas por Muito Tempo e o Impacto nos Investidores de Varejo
Maris argumenta que empresas como SpaceX e Anthropic ficam privadas por muito tempo, impedindo que 99% da população (via 401k) participe da criação de valor.
Essas empresas conseguem exceções nas regras do S&P 500, forçando ETFs passivos a comprá-las a preços elevados – transformando aposentadorias em 'bag holders'.
Ele questiona: 'Onde estamos na curva de criação de valor? Podem triplicar? Talvez, mas o risco é enorme.'
A solução seria abrir o capital mais cedo, permitindo que o público se beneficie do crescimento.
O Cenário de Venture: Bimodalidade e a Venda para o Público
Venture é extremamente bimodal: 75% dos fundos perdem dinheiro, e poucos (como Founders Fund) terão retornos enormes – mas precisam vender as ações para alguém.
Para que um fundo obtenha US$ 100 bi de retorno, precisa vender as ações no mercado público – e o comprador final é o varejo via 401k.
Maris duvida que empresas como SpaceX ou Anthropic consigam justificar valuations atuais com base em fluxo de caixa descontado – 'veremos o que o mercado público acha após seis meses de lockup'.
Ele alerta que os lockups estão sendo manipulados para adiar a exposição ao mercado.
Onde Investir em IA: Plataformas, Não Modelos Grandes
Maris compara a IA atual ao jogo Zork (década de 80): sem memória, sem consistência, reset de sessão – estágio 'Atari'.
Nos próximos cinco anos, a IA evoluirá para algo como PlayStation 10: computação ambiente, foto-realista, com memória e consistência.
Para chegar lá, não bastam modelos maiores – é preciso construir as plataformas subjacentes: GPUs, motores de física, controladores, infraestrutura.
Ele não investe em modelos grandes (como LLMs), mas sim nas 'máquinas' que viabilizarão a próxima geração de IA.
Biologia Computacional e o Futuro da Saúde
Maris fundou a Calico (longevidade) e investiu em Flatiron, Veer, New Limit (Blake Byers e Brian Armstrong).
Ele vê a biologia computacional como promissora, mas alerta que encontrar um composto é só 5% do trabalho – os 95% restantes são testes clínicos e titulação com FDA.
Uma simulação realista de célula humana in silico aceleraria descobertas, mas ainda não estamos lá.
Crítica ao 'anti-science vibe' nos EUA: cortes no NIH/CDC e restrições a H1B estão afastando talentos para China e outros países.
Deep Tech e o Papel da IA na Aceleração
Deep tech (longo ciclo, intensivo em capital) está se tornando mais factível graças à IA e motores de física.
Elon Musk é um dos poucos que conseguiu com SpaceX e Tesla – mas agora a IA permite simulações mais rápidas, reduzindo riscos.
Maris foca em saúde (maior TAM do mundo) e nas plataformas que sustentam a revolução da IA.
Incentivos Quebrados em Venture: Tamanho do Fundo vs. Estratégia
David Sacks pergunta se é melhor focar em late-stage/early growth (cheques de US$ 50 mi) esperando breakouts, em vez de early-stage ruidoso.
Maris responde que o incentivo está distorcido: um fundo de US$ 5 bi que retorna 1,01x está no 75º percentil e levanta próximo fundo, enquanto o GP ganha mais que um fundo de US$ 500 mi com 3x.
Além disso, empreendedores inexperientes preferem um cheque de US$ 250 mi a valuation de US$ 4 bi do que US$ 20 mi a US$ 100 mi – mesmo que isso signifique diluição futura e pressão por crescimento insustentável.
Maris acredita que o pêndulo vai voltar: 'ficar só em late stage esperando para sniper não funciona no longo prazo'.
Passos práticos
Se você é investidor, considere fundos de venture com menos de US$ 750 milhões – eles têm 95% de chance de estar no topo decil de performance.
Ao avaliar startups de IA, foque em empresas que constroem infraestrutura (GPUs, motores de física, controladores) em vez de modelos grandes.
Desconfie de empresas que ficam privadas por muito tempo e depois forçam IPOs superfaturados – especialmente se usam discurso de 'beneficiar a humanidade'.
Para empreendedores: aceitar cheques muito grandes de fundos gigantes pode parecer atraente, mas cria pressão por crescimento insustentável e diluição futura.
Acompanhe o movimento de talentos: se os EUA continuarem a perder cérebros para China, a inovação em biotech e deep tech migrará para lá.
Invista em biologia computacional e simulação in silico – é a fronteira que pode acelerar descobertas em saúde.
Frases marcantes
"Se você pode ter nosso site e email no seu armário, quantos sites e emails eu poderia colocar no meu armário?"
"Não aposte contra a ciência da computação. Mesmo que pareça que você está passando piche no telhado durante uma tempestade."
"Se eu fosse o Google, cortaria o preço dos tokens em 80%. E cada vez que eles baixarem, eu baixo também."
"Empresas que se dizem 'para beneficiar a humanidade' mas mantêm o valor para uma elite de investidores – o que a humanidade precisa é de dinheiro."
"Estamos no estágio Atari da IA. Nos próximos cinco anos, chegaremos ao PlayStation 10."
"Um fundo de US$ 5 bilhões que retorna 1,01x ganha mais dinheiro para o GP do que um fundo de US$ 500 milhões que retorna 3x. O incentivo está quebrado."
Mencionados no episódio
Section 32 - fundo de venture de Bill Maris
Google Ventures (GV) - fundo de venture do Google fundado por Maris
Waymo - projeto de carro autônomo incubado no Google X
Calico - empresa de longevidade fundada por Maris no Google
Climate Corp - primeira empresa ex-Google investida por GV, vendida para Monsanto por US$ 1 bilhão
CrowdStrike - empresa de cibersegurança investida pela Section 32
Cohere - startup de IA investida pela Section 32
Coinbase - exchange de criptomoedas investida pela Section 32
OpenAI - empresa de IA, concorrente do Google
Anthropic - empresa de IA, concorrente do Google
Founders Fund - fundo de venture de Peter Thiel
Andreessen Horowitz - fundo de venture gigante
New Limit - startup de longevidade de Blake Byers e Brian Armstrong
Flatiron Health - startup de oncologia investida por Maris
Veer - startup de saúde investida por Maris
Zork - jogo de texto dos anos 80, usado como analogia para IA atual
Planetfall - jogo de texto dos anos 80
Atari - console de videogame, usado como metáfora para estágio inicial da IA
PlayStation 10 - console hipotético, metáfora para IA futura
Stewart Butterfield - co-fundador do Slack, amigo de Maris
Rich Miner - co-fundador do Android, parceiro de Maris no GV
Thomas - referência a Thomas Tull (possivelmente), que apresentou dados sobre late-stage investing
NIH - National Institutes of Health, citado como alvo de cortes
CDC - Centers for Disease Control and Prevention, citado como alvo de cortes
H1B - visto de trabalho para estrangeiros nos EUA, citado como restritivo