The Human Upgrade (Dave Asprey)
Peptídeos são cadeias curtas de aminoácidos que atuam como sinalizadores no corpo. Diferente de proteínas, muitos podem ser absorvidos pela pele ou via oral, mas a maioria precisa ser injetada para evitar degradação enzimática. O mercado explodiu com o sucesso de GLP-1s como Ozempic, mas há centenas de peptídeos com aplicações que vão de reparo muscular a rejuvenescimento imunológico.
O Dr. William Li revela que, em um experimento cego, 50% dos extratos de alimentos testados foram tão ou mais potentes que drogas anticancerígenas em bloquear a angiogênese (crescimento de vasos sanguíneos que alimentam tumores). Ele defende que a base de evidências para dieta é mais ampla que para muitos fármacos, abrangendo desde estudos celulares até populacionais. Isso desafia o ceticismo médico sobre o poder dos alimentos.
O Dr. Dave Rabin recomenda a cetamina como ponto de partida ideal para quem quer explorar terapias psicodélicas, por ser a mais suave, durar apenas 60 minutos e ser legal e acessível em quase todos os estados dos EUA. Diferente de outros psicodélicos, a cetamina não interage com antidepressivos SSRIs/SNRIs, evitando o risco de síndrome serotoninérgica, que pode ser fatal. A terapia assistida por cetamina inclui sessões de preparação e integração, potencializando os benefícios duradouros.
Estudos com MDMA mostram que a terapia assistida por psicodélicos pode reverter alterações epigenéticas causadas por trauma, como a metilação do gene do receptor de cortisol. Em ensaios clínicos, três doses de MDMA em 12 semanas induziram reparo epigenético proporcional à melhora clínica em pacientes com TEPT. Isso demonstra que o trauma não é apenas gerenciável, mas curável em nível molecular, oferecendo esperança para condições antes consideradas resistentes ao tratamento.
O dermatologista Dr. Michael Christopher revela que a maioria dos dermatologistas não usa o dermatoscópio de forma sistemática, resultando em diagnósticos imprecisos. Ele detecta 10 vezes mais melanomas que a média (140-250 por ano) ao examinar cada pinta com o aparelho. A falta de treinamento adequado na residência médica é apontada como a principal causa do problema.
Dave Asprey e Jessica Peatross discutem a alta prevalência de parasitas nos Estados Unidos, contrastando com a falta de testes precisos. Asprey relata uma infecção por Giardia e histolytica após comer salada, que levou oito meses para ser diagnosticada por um especialista em parasitologia. Eles criticam os testes PCR e de ovos e parasitas, considerando-os imprecisos, e sugerem que a desparasitação em massa, como feita no México e na China, deveria ser considerada.
O Dr. Majid Fotuhi explica que o hipocampo, região chave para memória, pode encolher devido a fatores como sedentarismo, junk food, insônia e isolamento social. Estudos mostram que pessoas solitárias têm hipocampo menor e maior risco de Alzheimer. Por outro lado, exercícios físicos e meditação podem aumentar o tamanho do hipocampo em poucos meses.
O Dr. Fotuhi relata o caso de uma paciente internada por incontinência e alterações comportamentais que tinha deficiência grave de B12 não diagnosticada. Ele alerta que níveis considerados 'normais' pelos laboratórios (entre 200 e 1000 pg/mL) podem ser insuficientes, e que o ideal é manter B12 acima de 500. A suplementação adequada pode reverter sintomas como fadiga, névoa cerebral e até problemas psiquiátricos.
Pesquisadores descobriram que o sulforafano, composto encontrado no brócolis e no suplemento Broccolite, é capaz de mobilizar microplásticos para excreção. O mecanismo envolve a dissolução dos lisossomos onde os microplásticos se acumulam, permitindo que sejam eliminados. O estudo mostrou um pico significativo de microplásticos no sangue após a administração, indicando a liberação dos tecidos. Isso é relevante porque microplásticos têm sido encontrados em cérebro, ovários, intestinos e sêmen, representando riscos à saúde.
Dr. Andrew Salman propõe que o envelhecimento começa no intestino, com o enfraquecimento progressivo das junções tight (tight junctions) devido à inflamação causada por produtos bacterianos que atravessam a barreira intestinal. Isso leva a um ciclo vicioso de aumento de CD38, depleção de NAD e mais permeabilidade intestinal, espalhando inflamação de baixo grau por todo o corpo. A teoria sugere que a saúde intestinal é central para a longevidade.
Diferente do que se pensava, CD38 não aumenta com os níveis de NAD, mas sim com a inflamação crônica do envelhecimento (inflammaging). CD38 é a principal enzima que degrada NAD, e sua atividade elevada é a causa central da queda de NAD com a idade. Estudos em camundongos sem CD38 mostraram fertilidade prolongada e níveis de NAD preservados até idades avançadas.
A creatina atua como um sistema de distribuição de energia (shuttle) que transporta fosfato de alta energia das mitocôndrias para locais de demanda rápida, como junções tight intestinais, sinapses neurais e músculos durante sprints. Sem creatina, a energia não chega onde é necessária em tempo hábil, comprometendo funções críticas. A suplementação de creatina pode fortalecer as junções tight e melhorar a saúde intestinal.
Peptídeos de fontes não confiáveis podem conter resíduos tóxicos de ácido trifluoroacético (TFA), usado na síntese, ou lipopolissacarídeos (LPS) de produção biológica. O TFA pode elevar enzimas hepáticas e causar lesão no fígado, enquanto LPS desencadeia inflamação. A troca para o sal de acetato (menos tóxico) é essencial para segurança.
A resposta a peptídeos varia muito conforme genética, microbiota intestinal e ambiente. Um caso emblemático: disfunção erétil súbita não respondeu a PT-141, mas sim a um antibiótico de espectro estreito que eliminou uma bactéria que bloqueava a via do óxido nítrico. Testes genéticos e de microbioma são o futuro da prescrição personalizada.
O Dr. Li conta que seu tio-avô viveu até 104 anos de forma independente, inspirando-o a estudar centenários. Dados de 2024 mostram 720 mil pessoas com 100+ anos no mundo. Pesquisas na Itália e Espanha indicam que eles têm melhor sistema imunológico, menor inflamação, metabolismo e saúde vascular. Genética responde por cerca de metade da longevidade; estilo de vida e ambiente completam o quadro.
O Dr. Li explica que a angiogênese (crescimento de vasos) é regulada naturalmente pelo corpo, como um dial que equilibra fatores de crescimento e inibidores. Em situações como infarto, o corpo cria novos vasos, mas depois para. O biohacker Dave Asprey questiona se terapias genéticas como VEGF podem aumentar risco de câncer; Li recomenda monitoramento com exames como ressonância magnética total e biópsia líquida.
Nos primeiros 30 minutos do dia, uma pessoa com smartphone absorve tanta informação quanto um indivíduo médio na década de 1950 em uma semana inteira. Esse bombardeio constante ativa o circuito de medo da amígdala, mantendo a maioria das pessoas em um estado de 'luta ou fuga' crônico. A frequência respiratória média em consultórios médicos (14-18 respirações/min) está muito acima do ideal de 5-7 respirações/min, evidenciando que a população vive em estresse basal sem perceber.
Diferente do aprendizado cognitivo tradicional (top-down), os psicodélicos proporcionam uma experiência corporal de segurança que silencia a amígdala hiperativa. Eles amplificam vias de segurança no córtex insular, que envia sinais inibitórios diretos ao centro do medo. Isso permite que pessoas que nunca se sentiram seguras acessem esse estado, facilitando a reprogramação de respostas traumáticas. A sensação de segurança é um pré-requisito para a cura, e os psicodélicos a tornam acessível mesmo para quem não consegue alcançá-la apenas com técnicas de respiração.
O Dr. Rabin critica o modelo psiquiátrico atual, que rotula pacientes como 'resistentes ao tratamento' quando os medicamentos padrão não funcionam a longo prazo. Ele argumenta que os remédios são bons para estabilização aguda, mas péssimos para manejo crônico, gerando efeitos colaterais e dependência. Quase 50% dos pacientes com depressão, ansiedade e TEPT não respondem a duas ou mais tentativas de tratamento, o que indica falha do sistema, não do paciente. A terapia assistida por psicodélicos, com poucas doses, oferece remissão sustentada por meses ou anos.
Muitos protetores solares químicos trazem o aviso Prop 65 por conterem ingredientes potencialmente cancerígenos. O Dr. Christopher recomenda o uso de protetores minerais (óxido de zinco e dióxido de titânio) como alternativa segura. Ele também explica que a luz visível pode escurecer a pele mesmo com protetor, mas sem causar danos UV.
O Dr. Christopher alerta que o uso de melanotan, peptídeo que estimula o bronzeamento, pode ativar receptores em células de melanoma e potencializar o crescimento do câncer. Embora os dados sejam limitados, há relatos de desenvolvimento de melanoma após o uso. Ele recomenda cautela, especialmente em pessoas com histórico familiar ou muitos sinais.
A médica Jessica Peatross explica que o cortisol baixo pela manhã é mais perigoso que o alto, contrariando a crença popular. Ela relata que geneticamente não produz cortisol suficiente e que todos os pacientes doentes apresentam baixa resposta de cortisol ao acordar. O episódio destaca a importância de equilibrar o ritmo circadiano do cortisol.
Dave Asprey defende o uso de nicotina em baixas doses (abaixo de 5 mg/dia) como neuroprotetor e bloqueador da entrada do SARS-CoV-2 nas células via receptor ACE2. Ele cita estudos que mostram que fumantes tiveram menos complicações por COVID. Jessica Peatross confirma o fenômeno e alerta para os riscos de doses altas, como disfunção erétil e queda de cabelo.
Asprey alerta que a forma sintética de vitamina B6, a piridoxina, presente em muitos suplementos e energéticos, pode se acumular no organismo e causar neuropatia periférica dolorosa por até mil dias. Ele recomenda o uso da forma bioativa P5P (piridoxal-5-fosfato). Jessica Peatross confirma o problema e relata que até 10 mg de piridoxina podem desencadear sintomas.
O Dr. Fotuhi explica que ter o gene APOE4 aumenta o risco de Alzheimer, mas esse risco é comparável ao de apneia do sono ou estresse crônico. Estudos mostram que exercícios físicos anulam os efeitos do APOE4 nos marcadores da doença. Ele cita o caso de Jean Carper, paciente com APOE4 que, aos 93 anos, continua lúcida e ativa graças a mudanças no estilo de vida.
O Dr. Fotuhi apresenta os cinco pilares para manter o cérebro jovem: exercício físico, sono de qualidade, nutrição saudável, redução do estresse e treino cognitivo. Quatro desses pilares também beneficiam outros órgãos, como coração e fígado, e estão ligados ao aumento do comprimento dos telômeros, marcador de longevidade. O treino cognitivo mais eficaz é aprender algo novo e desafiador, como um idioma ou dança.
O Dr. Fotuhi afirma que a névoa cerebral é totalmente tratável na maioria dos casos. Ele desenvolveu um algoritmo que avalia 40 fatores, desde problemas de tireoide até infecções ocultas, e relata que 98% de seus pacientes melhoram, com 80% apresentando ganhos objetivos em testes cognitivos. A chave é uma avaliação head-to-toe que considera todos os órgãos, incluindo função sexual e gastrointestinal.
O sulforafano é o único composto natural conhecido que estimula simultaneamente as três vias de desintoxicação: glutationa, glucuronidação e sulfatação. Isso permite eliminar uma ampla gama de toxinas, incluindo metais pesados, BPA, benzenos e poluentes ambientais. A ativação da via NRF2 pelo sulforafano também aumenta a produção de glutationa intracelular, essencial para neutralizar toxinas. Essa abordagem completa é considerada fundamental para a longevidade e prevenção de doenças.
Mais da metade da exposição a microplásticos vem do ar interno, segundo especialistas. Roupas de fleece, carpetes sintéticos e móveis com espuma liberam fibras plásticas que são inaladas ou absorvidas pela pele. Secadoras também contribuem significativamente. Além disso, recibos de papel térmico contêm BPA, um desregulador endócrino que pode ser absorvido pela pele. Especialistas recomendam usar filtros HEPA, optar por fibras naturais como lã e algodão, e evitar tocar em recibos.
Para elevar NAD de forma eficaz, não basta tomar precursores como NMN ou NR, pois a degradação por CD38 e PARP limita o ganho. A solução é combinar NMN com inibidores de CD38 (hidroxitirosol, resveratrol, apigenina) e antioxidantes que previnem ativação de PARP (ergotioneína). Essa abordagem de 'banheira' (aumentar entrada e reduzir saída) é mais eficiente para restaurar níveis fisiológicos de NAD.
O peroxinitrito, formado pela reação entre óxido nítrico e superóxido, é um oxidante extremamente potente que danifica DNA e ativa PARP, consumindo NAD. Diferente de outros radicais, não tem função benéfica conhecida. Sua formação é impulsionada por inflamação e disfunção mitocondrial. Antioxidantes como glutationa e ergotioneína ajudam a neutralizá-lo, mas a melhor estratégia é evitar sua formação controlando inflamação e estresse oxidativo.
A maioria dos peptídeos vendidos como 'americanos' usa matéria-prima chinesa (API) e apenas é envasada nos EUA. A Amino Innovations afirma fazer síntese química completa em solo americano, controlando qualidade e eliminando contaminantes. A dependência da China gera riscos de adulteração e falta de rastreabilidade.
Dave Asprey relata que perdeu a capacidade de fazer lives no Instagram após postar sobre mudanças regulatórias em peptídeos. A classificação legal é confusa: peptídeos naturais como KPV podem ser considerados suplementos dietéticos pela FDA, mas plataformas e bancos os tratam como 'drogas não aprovadas'. A liberdade de informação científica colide com interesses da indústria farmacêutica.
A Amino Innovations desenvolveu canetas autoinjetoras (peptide pens) que eliminam a necessidade de manusear agulhas e frascos, reduzindo a fobia e erros de dosagem. Microagulhas em adesivos também estão em desenvolvimento para liberação transdérmica. A padronização das doses (em miligramas, não em 'unidades') é crucial para segurança.
O Dr. Li destaca a dilatação mediada por fluxo (FMD) como medida de resiliência vascular, comparável a um teste de estresse para as artérias. Dave Asprey sugere a velocidade de onda de pulso (PWV) como marcador acessível (custa ~US$ 200). Ambos concordam que hardware para medir FMD em casa ainda é necessário, mas wearables e câmeras infravermelhas podem ajudar no futuro.
Dave Asprey pergunta sobre o impacto dos microplásticos, derivados de petróleo e disruptores endócrinos, encontrados em tecidos humanos como cérebro e sistema reprodutor. O Dr. Li reconhece que o tema está no radar de pesquisadores, mas ainda não impacta a prática médica comum. Ele sugere que a exposição aumentou com o tempo, e medidas preventivas são importantes.
O Dr. Li explica que 80% das fibras do nervo vago vão do intestino para o cérebro, não o contrário. Isso significa que a saúde intestinal pode influenciar calma, confiança e alegria. Ele recomenda estimulação vagal (respiração, meditação, ioga) como ferramenta para aumentar resiliência e combater o estresse geopolítico atual, que rouba 'fatias de vida'.
O Dr. Christopher defende o uso de tretinoína (retin-A) como o tratamento mais eficaz e barato para rejuvenescimento da pele, espessamento da epiderme e redução de rugas. Ele critica a necessidade de prescrição nos EUA, enquanto em outros países é vendido sem receita. A adaptação da pele requer uso noturno por 8 semanas consecutivas.
O Dr. Christopher atribui o aumento dos casos de melanoma às mudanças nos hábitos de exposição solar ao longo do século. Fotos de 1920 mostravam pessoas na praia totalmente cobertas, enquanto hoje a exposição é muito maior. Ele destaca que a radiação UV deixa 'impressões digitais' no DNA dos melanomas, comprovando a relação causal.
Jessica Peatross explica a diferença entre os genótipos 'guerreiro' (COMT rápido) e 'preocupado' (COMT lento). Pessoas com COMT rápido queimam adrenalina rapidamente e lidam melhor com estresse agudo, mas podem sofrer consequências a longo prazo. Já os de COMT lento permanecem em estado de hipervigilância. Ela sugere que o genótipo influenciou sua decisão de devolver a licença médica.