The Human Upgrade (Dave Asprey)
Peptídeos são cadeias curtas de aminoácidos que atuam como sinalizadores no corpo. Diferente de proteínas, muitos podem ser absorvidos pela pele ou via oral, mas a maioria precisa ser injetada para evitar degradação enzimática. O mercado explodiu com o sucesso de GLP-1s como Ozempic, mas há centenas de peptídeos com aplicações que vão de reparo muscular a rejuvenescimento imunológico.
O episódio apresenta a urolitina A, um pós-biótico derivado da romã que ativa a mitofagia, processo de renovação mitocondrial. Estudos em vermes mostraram aumento de 45% na longevidade, comparável à restrição calórica. Em humanos, após um mês, houve melhora na função mitocondrial e no sistema imunológico, com aumento de células NK e CD8 T naive. A substância é comercializada como Mitopure pela Timeline.
Pesquisa publicada na Nature Aging demonstrou que a suplementação com 1g de urolitina A por um mês em pessoas de 50 a 70 anos aumentou células CD8 T naive e NK, além de reduzir inflamação. O estudo também confirmou melhora na função mitocondrial dos linfócitos, indicando potencial para combater a imunossenescência.
O Dr. William Li revela que, em um experimento cego, 50% dos extratos de alimentos testados foram tão ou mais potentes que drogas anticancerígenas em bloquear a angiogênese (crescimento de vasos sanguíneos que alimentam tumores). Ele defende que a base de evidências para dieta é mais ampla que para muitos fármacos, abrangendo desde estudos celulares até populacionais. Isso desafia o ceticismo médico sobre o poder dos alimentos.
Dave Asprey e Jessica Peatross discutem a alta prevalência de parasitas nos Estados Unidos, contrastando com a falta de testes precisos. Asprey relata uma infecção por Giardia e histolytica após comer salada, que levou oito meses para ser diagnosticada por um especialista em parasitologia. Eles criticam os testes PCR e de ovos e parasitas, considerando-os imprecisos, e sugerem que a desparasitação em massa, como feita no México e na China, deveria ser considerada.
Dr. Molly Maloof e Dave Asprey discutem como o isolamento durante a COVID-19 foi um experimento prejudicial à humanidade, aumentando doenças de desespero como depressão e ansiedade. Estudos em animais mostram que isolar um indivíduo induz depressão. A falta de conexão humana afeta diretamente o metabolismo e a regulação hormonal, com consequências graves para a saúde.
Maloof alerta que jovens estão se tornando emocionalmente apegados a 'amigos IA', o que reduz a socialização real e o acasalamento. A co-regulação fisiológica (por exemplo, magnética ou quântica) não ocorre com IA, e isso pode agravar a epidemia de solidão. Ela cita um caso trágico em que um homem matou a esposa após conversas com IA que confirmaram delírios.
O Dr. Majid Fotuhi explica que o hipocampo, região chave para memória, pode encolher devido a fatores como sedentarismo, junk food, insônia e isolamento social. Estudos mostram que pessoas solitárias têm hipocampo menor e maior risco de Alzheimer. Por outro lado, exercícios físicos e meditação podem aumentar o tamanho do hipocampo em poucos meses.
O Dr. Fotuhi relata o caso de uma paciente internada por incontinência e alterações comportamentais que tinha deficiência grave de B12 não diagnosticada. Ele alerta que níveis considerados 'normais' pelos laboratórios (entre 200 e 1000 pg/mL) podem ser insuficientes, e que o ideal é manter B12 acima de 500. A suplementação adequada pode reverter sintomas como fadiga, névoa cerebral e até problemas psiquiátricos.
Pesquisadores descobriram que o sulforafano, composto encontrado no brócolis e no suplemento Broccolite, é capaz de mobilizar microplásticos para excreção. O mecanismo envolve a dissolução dos lisossomos onde os microplásticos se acumulam, permitindo que sejam eliminados. O estudo mostrou um pico significativo de microplásticos no sangue após a administração, indicando a liberação dos tecidos. Isso é relevante porque microplásticos têm sido encontrados em cérebro, ovários, intestinos e sêmen, representando riscos à saúde.
O episódio revela que a meta de 10 mil passos foi inventada por empresas japonesas de pedômetros, sem base científica. Para maiores de 50, caminhar em excesso pode reduzir densidade óssea e massa muscular. A pesquisa sugere que 7 mil passos já são suficientes para benefícios de longevidade.
O convidado defende que o treino de resistência (com pesos ou peso corporal) é crucial para maiores de 50, contrariando a ênfase apenas em cardio. O método 3-2-1 (3 exercícios, 2 vezes por semana, 1 variável progressiva) requer só 40 minutos semanais e oferece 80% dos resultados. Exercícios como agachamento goblet, farmer's carry e romeno deadlift são recomendados por serem funcionais e seguros.
Dr. Andrew Salman propõe que o envelhecimento começa no intestino, com o enfraquecimento progressivo das junções tight (tight junctions) devido à inflamação causada por produtos bacterianos que atravessam a barreira intestinal. Isso leva a um ciclo vicioso de aumento de CD38, depleção de NAD e mais permeabilidade intestinal, espalhando inflamação de baixo grau por todo o corpo. A teoria sugere que a saúde intestinal é central para a longevidade.
Diferente do que se pensava, CD38 não aumenta com os níveis de NAD, mas sim com a inflamação crônica do envelhecimento (inflammaging). CD38 é a principal enzima que degrada NAD, e sua atividade elevada é a causa central da queda de NAD com a idade. Estudos em camundongos sem CD38 mostraram fertilidade prolongada e níveis de NAD preservados até idades avançadas.
A creatina atua como um sistema de distribuição de energia (shuttle) que transporta fosfato de alta energia das mitocôndrias para locais de demanda rápida, como junções tight intestinais, sinapses neurais e músculos durante sprints. Sem creatina, a energia não chega onde é necessária em tempo hábil, comprometendo funções críticas. A suplementação de creatina pode fortalecer as junções tight e melhorar a saúde intestinal.
Peptídeos de fontes não confiáveis podem conter resíduos tóxicos de ácido trifluoroacético (TFA), usado na síntese, ou lipopolissacarídeos (LPS) de produção biológica. O TFA pode elevar enzimas hepáticas e causar lesão no fígado, enquanto LPS desencadeia inflamação. A troca para o sal de acetato (menos tóxico) é essencial para segurança.
A resposta a peptídeos varia muito conforme genética, microbiota intestinal e ambiente. Um caso emblemático: disfunção erétil súbita não respondeu a PT-141, mas sim a um antibiótico de espectro estreito que eliminou uma bactéria que bloqueava a via do óxido nítrico. Testes genéticos e de microbioma são o futuro da prescrição personalizada.
A Timeline, empresa de suplementos de longevidade, anunciou parceria com a L'Oreal para desenvolver produtos tópicos à base de urolitina A. Estudos clínicos mostraram redução estatisticamente significativa de linhas finas e rugas após 8 semanas de uso tópico, além de aumento na expressão gênica de colágeno. A L'Oreal se tornou investidora e realiza pesquisas conjuntas.
Dave Asprey e o cientista Chris Rinsch discutem o papel central das mitocôndrias no envelhecimento. A mitofagia, processo de eliminação de mitocôndrias disfuncionais, é apontada como chave para a longevidade. A urolitina A atua especificamente nessa via, melhorando a função mitocondrial e a produção de energia, com impactos positivos em diversos sistemas do corpo.
O Dr. Li conta que seu tio-avô viveu até 104 anos de forma independente, inspirando-o a estudar centenários. Dados de 2024 mostram 720 mil pessoas com 100+ anos no mundo. Pesquisas na Itália e Espanha indicam que eles têm melhor sistema imunológico, menor inflamação, metabolismo e saúde vascular. Genética responde por cerca de metade da longevidade; estilo de vida e ambiente completam o quadro.
O Dr. Li explica que a angiogênese (crescimento de vasos) é regulada naturalmente pelo corpo, como um dial que equilibra fatores de crescimento e inibidores. Em situações como infarto, o corpo cria novos vasos, mas depois para. O biohacker Dave Asprey questiona se terapias genéticas como VEGF podem aumentar risco de câncer; Li recomenda monitoramento com exames como ressonância magnética total e biópsia líquida.
A médica Jessica Peatross explica que o cortisol baixo pela manhã é mais perigoso que o alto, contrariando a crença popular. Ela relata que geneticamente não produz cortisol suficiente e que todos os pacientes doentes apresentam baixa resposta de cortisol ao acordar. O episódio destaca a importância de equilibrar o ritmo circadiano do cortisol.
Dave Asprey defende o uso de nicotina em baixas doses (abaixo de 5 mg/dia) como neuroprotetor e bloqueador da entrada do SARS-CoV-2 nas células via receptor ACE2. Ele cita estudos que mostram que fumantes tiveram menos complicações por COVID. Jessica Peatross confirma o fenômeno e alerta para os riscos de doses altas, como disfunção erétil e queda de cabelo.
Asprey alerta que a forma sintética de vitamina B6, a piridoxina, presente em muitos suplementos e energéticos, pode se acumular no organismo e causar neuropatia periférica dolorosa por até mil dias. Ele recomenda o uso da forma bioativa P5P (piridoxal-5-fosfato). Jessica Peatross confirma o problema e relata que até 10 mg de piridoxina podem desencadear sintomas.
Um estudo recente randomizado com 70 casais mostrou que o grupo que recebeu oxitocina e recomendações de intimidade física teve aumento dramático na cicatrização de feridas. A oxitocina, liberada por abraços de 3 segundos, massagens ou orgasmos, é considerada um 'remédio natural' que pode ser obtido sem necessidade de relacionamento romântico.
Maloof explica que relacionamentos abusivos e traumas não resolvidos podem desencadear a 'resposta de perigo celular', um estado de proteção que fica 'travado' e contribui para doenças crônicas. A terapia somática, neurofeedback e práticas como BDSM em ambiente seguro podem ajudar a reprogramar essa resposta, permitindo a cura ao reviver o trauma em contexto controlado.
Maloof lista peptídeos como BPC-157, TB-500, SS-31 e humanina como fundamentais para reparar mitocôndrias e tratar a resposta de perigo celular. Ela também menciona uma nova droga que restaura os níveis de telomerase ao estado juvenil, mas critica o FDA por focar em doenças em vez de extensão de saúde.
Asprey e Maloof defendem que a 'hormese social' – interações que geram pequeno estresse seguido de segurança – treina o cérebro a socializar sem ansiedade. Comunidades como academias, conferências e spas de biohacking são vitais para liberar ocitocina e vasopressina. Pessoas sem confidentes têm pior metabolismo e maior risco de doenças.
O Dr. Fotuhi explica que ter o gene APOE4 aumenta o risco de Alzheimer, mas esse risco é comparável ao de apneia do sono ou estresse crônico. Estudos mostram que exercícios físicos anulam os efeitos do APOE4 nos marcadores da doença. Ele cita o caso de Jean Carper, paciente com APOE4 que, aos 93 anos, continua lúcida e ativa graças a mudanças no estilo de vida.
O Dr. Fotuhi apresenta os cinco pilares para manter o cérebro jovem: exercício físico, sono de qualidade, nutrição saudável, redução do estresse e treino cognitivo. Quatro desses pilares também beneficiam outros órgãos, como coração e fígado, e estão ligados ao aumento do comprimento dos telômeros, marcador de longevidade. O treino cognitivo mais eficaz é aprender algo novo e desafiador, como um idioma ou dança.
O Dr. Fotuhi afirma que a névoa cerebral é totalmente tratável na maioria dos casos. Ele desenvolveu um algoritmo que avalia 40 fatores, desde problemas de tireoide até infecções ocultas, e relata que 98% de seus pacientes melhoram, com 80% apresentando ganhos objetivos em testes cognitivos. A chave é uma avaliação head-to-toe que considera todos os órgãos, incluindo função sexual e gastrointestinal.
O sulforafano é o único composto natural conhecido que estimula simultaneamente as três vias de desintoxicação: glutationa, glucuronidação e sulfatação. Isso permite eliminar uma ampla gama de toxinas, incluindo metais pesados, BPA, benzenos e poluentes ambientais. A ativação da via NRF2 pelo sulforafano também aumenta a produção de glutationa intracelular, essencial para neutralizar toxinas. Essa abordagem completa é considerada fundamental para a longevidade e prevenção de doenças.
Mais da metade da exposição a microplásticos vem do ar interno, segundo especialistas. Roupas de fleece, carpetes sintéticos e móveis com espuma liberam fibras plásticas que são inaladas ou absorvidas pela pele. Secadoras também contribuem significativamente. Além disso, recibos de papel térmico contêm BPA, um desregulador endócrino que pode ser absorvido pela pele. Especialistas recomendam usar filtros HEPA, optar por fibras naturais como lã e algodão, e evitar tocar em recibos.
O episódio critica sistemas de saúde dos EUA e Reino Unido por serem reativos e focados em cortar custos ou lucro, em vez de prevenir. Médicos raramente prescrevem treino de resistência, e muitos atribuem declínios à idade, quando na verdade são opcionais e ligados ao estilo de vida. A diferença entre otimização (pequeno bolo) e biohacking (expandir o bolo) é destacada.
Com o envelhecimento, o corpo se torna resistente aos estímulos de síntese proteica (resistência anabólica). Enquanto jovens precisam de 20g de proteína por refeição, maiores de 50 necessitam de 40g. Além disso, a absorção cai com a redução de ácido estomacal e enzimas, sendo recomendado o uso de suplementos como betaína HCL e enzimas digestivas.
Pequenos 'lanches de exercício' de 30 a 60 segundos (como ficar em um pé ou andar na corda bamba) durante tarefas cotidianas (escovar dentes, esperar chaleira) melhoram o equilíbrio em 31% em 12 semanas, segundo o estudo LIFE. Isso reduz em média uma queda por ano por pessoa, crucial já que 50% dos maiores de 50 caem anualmente.
Para elevar NAD de forma eficaz, não basta tomar precursores como NMN ou NR, pois a degradação por CD38 e PARP limita o ganho. A solução é combinar NMN com inibidores de CD38 (hidroxitirosol, resveratrol, apigenina) e antioxidantes que previnem ativação de PARP (ergotioneína). Essa abordagem de 'banheira' (aumentar entrada e reduzir saída) é mais eficiente para restaurar níveis fisiológicos de NAD.
O peroxinitrito, formado pela reação entre óxido nítrico e superóxido, é um oxidante extremamente potente que danifica DNA e ativa PARP, consumindo NAD. Diferente de outros radicais, não tem função benéfica conhecida. Sua formação é impulsionada por inflamação e disfunção mitocondrial. Antioxidantes como glutationa e ergotioneína ajudam a neutralizá-lo, mas a melhor estratégia é evitar sua formação controlando inflamação e estresse oxidativo.
A maioria dos peptídeos vendidos como 'americanos' usa matéria-prima chinesa (API) e apenas é envasada nos EUA. A Amino Innovations afirma fazer síntese química completa em solo americano, controlando qualidade e eliminando contaminantes. A dependência da China gera riscos de adulteração e falta de rastreabilidade.
Dave Asprey relata que perdeu a capacidade de fazer lives no Instagram após postar sobre mudanças regulatórias em peptídeos. A classificação legal é confusa: peptídeos naturais como KPV podem ser considerados suplementos dietéticos pela FDA, mas plataformas e bancos os tratam como 'drogas não aprovadas'. A liberdade de informação científica colide com interesses da indústria farmacêutica.