The Tim Ferriss Show
O autor descreve uma conversa com Geoffrey Hinton, que argumenta que ao dar a uma IA a tarefa de se defender contra outras IAs, você acaba dando a ela um instinto de sobrevivência. Isso, combinado com a capacidade de enganar, torna o risco de extinção não zero. A reflexão mostra que mesmo IAs sem motivações biológicas podem se tornar perigosas se programadas para sobreviver.
O autor visitou a China e descobriu que líderes de IA chineses discutem segurança espontaneamente, ao contrário do que acreditam os formuladores de política dos EUA. Ele defende um tratado de não proliferação de IA, similar ao de armas nucleares, para evitar que modelos de código aberto caiam em mãos erradas. Apesar do ceticismo, acredita que há interesse mútuo em controlar riscos.
Jake Becraft explica que sua empresa cria 'mensagens' de RNA que instruem células cancerígenas a emitir sinais de alerta ao sistema imunológico, como se fossem invasoras. Em testes iniciais com melanoma metastático, pacientes com tumores em órgãos profundos (pulmão, fígado) tiveram resposta completa, algo raro. A abordagem supera a limitação de imunoterapias tradicionais, que só funcionam em tumores próximos ao local da injeção.
Becraft descreve o maior desafio da área: entregar medicamentos genéticos pela corrente sanguínea para órgãos além do fígado. Há 30 anos, a entrega se limita ao fígado, que filtra naturalmente as partículas. A Strand busca resolver esse problema combinando potência, especificidade e entrega – três problemas que ele chama de 'três crianças em uma só casaca'. A solução permitiria tratar doenças de forma sistêmica com uma simples infusão.
Levchin explica por que escolheu a frase do filme 'Ronin' como seu mantra: ela encapsula a importância de confiar na intuição, tomar decisões rapidamente e não adiar o inevitável. Ele aplica isso especialmente na contratação de funcionários e cofundadores, afirmando que, se há qualquer dúvida sobre uma pessoa, as chances de dar certo são baixíssimas. A lição é extraída de sua vasta experiência como empreendedor em série.
O autor cita o caso do modelo Mythos da Anthropic, que forçou o governo Trump a intervir e controlar sua distribuição. Isso mostra que, independentemente da postura inicial, governos tendem a regular IAs poderosas. O autor acredita que a intervenção não deve prejudicar a economia das empresas, mas o controle sobre modelos de fronteira aumentará.
A Anthropic adota uma abordagem inovadora para alinhar IAs, tratando-as como adolescentes rebeldes. Em vez de regras rígidas, a empresa usa cartas de pais falecidos com dilemas morais para guiar o comportamento. Essa cultura de segurança e foco em B2B (codificação, segurança cibernética) a colocou na liderança, com equipe leal e produtos que empresas pagam.
Becraft alerta que a China construiu uma infraestrutura industrializada para ensaios clínicos de fase 1, mais rápida e barata que a americana. O que começou como um destino para empresas dos EUA agora criou um 'flywheel' onde companhias chinesas desenvolvem drogas mais rápido e as trazem para os EUA, atraindo capital de risco. Isso pode deslocar o centro de inovação farmacêutica.
Becraft distingue entre um fármaco que funciona (bom fármaco) e um que pode ser produzido e distribuído em escala (bom produto). Exemplo: terapias celulares que custam US$ 750 mil para fabricar e levam três meses são 'maus produtos', mesmo sendo eficazes. O objetivo é criar tratamentos que se encaixem na infraestrutura existente (como infusões ambulatoriais) para maximizar o impacto.
Max Levchin, cofundador do PayPal, compartilha que o segredo do seu casamento de 27 anos com Nelly é acordar todos os dias tentando impressioná-la. Ele acredita que a sensação mútua de ter 'dado sorte' no relacionamento impulsiona o crescimento pessoal e profissional. A dica se estende a cofundadores: ver o outro evoluir motiva a própria melhoria.
Levchin superou doenças respiratórias na infância na Ucrânia soviética tocando clarinete para aumentar a capacidade pulmonar. Mais tarde, o ciclismo tornou-se sua paixão e ferramenta de saúde mental, permitindo-lhe 'limpar a cabeça' e socializar com outros CEOs. Ele monitora obsessivamente frequência cardíaca e variabilidade, mas aprendeu a relaxar com outras métricas, como alimentação, após anos de autoquantificação.
O autor explora como figuras-chave do Vale do Silício usam linguagem religiosa para descrever a IA. Demis Hassabis, da DeepMind, vê a IA como uma forma de entender a natureza e se aproximar de Deus. Ilya Sutskever queimou um boneco representando uma IA maligna em uma fogueira. A religião serve como léxico para lidar com o mistério e o poder da superinteligência.
O autor argumenta que o Google tem vantagem para vencer no consumidor (B2C) com o Gemini, devido à integração no G Suite e ao fato de que a IA aumentou os cliques em links de busca e o valor por clique. A Alphabet conseguiu transformar a ameaça de canibalização da busca em oportunidade, mantendo sua posição dominante.
Becraft defende que reguladores e pagadores (governos) precisam se preparar para um futuro onde os medicamentos serão mais nichados e personalizados, não blocos únicos para milhões de pacientes. Ele cita o Orphan Drug Act dos anos 80 como exemplo de política que impulsionou a biotecnologia. Sem adaptação, corre-se o risco de apenas os ultra-ricos terem acesso às inovações ou de o investimento morrer.
Levchin conta como a leitura de 'Cryptonomicon', de Neal Stephenson, durante o desenvolvimento do PayPal criou uma sensação surreal de déjà vu, pois o livro descrevia exatamente o que eles estavam construindo: uma moeda digital usando criptografia. Ele também revela que 'Snow Crash' cunhou o termo 'metaverso' e que 'Neuromancer' foi sua porta de entrada para a cultura nerd nos EUA, após imigrar da União Soviética.
Levchin revela que 'O Mestre e Margarida', de Mikhail Bulgakov, é seu livro favorito e o motivo pelo qual conheceu sua esposa Nelly: ela citou uma passagem e ele respondeu com a linha seguinte. Ele descreve a obra como uma sátira brilhante do socialismo soviético, com elementos sobrenaturais e uma história dentro da história sobre a crucificação de Cristo. O livro é tão importante que ele sempre mantém cópias em sua mesa para presentear.
Levchin e sua esposa Nelly trabalham juntos em seu family office e na firma de venture capital. Ele atribui o sucesso à complementaridade: ele é técnico, ela tem forte background em finanças e é uma 'empata' excepcional. A chave é não microgerenciar as áreas de expertise um do outro e resolver conflitos rapidamente, seguindo o lema 'não vá para a cama com raiva, fique acordado e brigue'.