Invest Like the Best (Patrick O'Shaughnessy)
Clay foi fundada com a ambição de dar o poder da programação a mais pessoas, focando em profissionais de vendas e marketing. A empresa criou uma plataforma que permite a esses profissionais executar ideias complexas, como usar imagens de satélite para identificar potenciais clientes. A estratégia de construir uma ferramenta poderosa, em vez de simplificada, e cobrar por uso em vez de por assento, foi fundamental para o crescimento de 1 para 100 em dois anos.
O convidado explica que a ideologia xiita vermelha (Shariati) hibridiza marxismo e martírio, fazendo com que o sofrimento e a autodestruição sejam vistos como vitória. Isso torna extremamente difícil derrotar regimes como o Irã ou o Hamas, pois eles não se rendem mesmo sob destruição maciça. Ele cita o exemplo do Japão na Segunda Guerra Mundial, que só se rendeu após duas bombas atômicas e a intervenção do imperador.
O podcast argumenta que o mercado de aplicações de IA empresarial está em estágio inicial, com menos de 1% de penetração. A adoção segue uma curva S, e os investidores preveem um crescimento exponencial nos próximos anos, impulsionado por ferramentas de código e agentes autônomos. A demanda por computação já supera a oferta, e a Anthropic, por exemplo, tem apenas metade da capacidade necessária.
O episódio destaca que a capacidade de codificação da IA, especialmente com a Anthropic, é o verdadeiro ponto de inflexão. Ferramentas como Claude Code permitem que desenvolvedores gerem código de forma autônoma, reduzindo drasticamente o trabalho manual. O mercado de codificação, com 20 milhões de desenvolvedores no mundo, pode gerar US$ 500 bilhões anuais, mesmo com tecnologia de 7 a 9 meses atrás.
Vlad, CIO da Liberty Mutual Investments, explica como a seguradora administra um balanço de US$ 120 bilhões sem investidores externos, focando em longo prazo e 'higiene de investimento'. A estrutura mutualista permite decisões sem pressão de acionistas, reinvestindo prêmios em infraestrutura e empreendedorismo, gerando empregos e crescimento econômico.
O CEO Dara Khosrowshahi revela que a Uber está vendo ganhos de produtividade impulsionados por IA, com desenvolvedores na Índia gerando 10x mais commits de código usando agentes autônomos. A empresa adota IA em todas as áreas, desde engenharia até marketing e jurídico, e o CEO incentiva a reconstrução de processos do zero com IA, não apenas otimizações incrementais. A Uber queimou todo o orçamento anual de IA em um trimestre, forçando a empresa a equilibrar exploração com eficiência de custos.
Khosrowshahi detalha a estratégia da Uber para veículos autônomos (AVs): ser a plataforma de demanda agregada para múltiplos fabricantes de 'drivers' digitais, como Waymo, Aurora e Nvidia. A empresa já tem mais de 30 parcerias e oferece infraestrutura (depósitos, carregamento, seguros, financiamento) para que os parceiros foquem no software. AVs na rede Uber são 30% mais utilizados que veículos particulares, e a empresa vê um mercado de US$ 1 trilhão no longo prazo.
Dan Loeb afirma que não é mais possível ignorar o setor de tecnologia, que se tornou uma parte grande e crescente da economia. Ele destaca que a tecnologia afeta todos os outros setores e que os investidores precisam se adaptar a essa realidade. Loeb recomenda pensar no 'stack de IA' como modelo mental, desde energia e infraestrutura até modelos fundamentais e aplicações.
Loeb acredita que, apesar do avanço da IA, os investidores humanos ainda terão papel por muitos anos, especialmente em situações que exigem negociação, reestruturações e private equity. Ele aponta que a IA não eliminará as emoções humanas que geram bolhas e pânicos, criando oportunidades para investidores fundamentais. A capacidade de tomar decisões contrárias quando preços divergem dos fundamentos continua sendo uma vantagem humana.
Loeb se mostra otimista com o setor de tecnologia, especialmente Nvidia, que considera atrativa a 15x earnings de 2027. Ele rejeita comparações com a bolha dot-com, destacando que as empresas atuais geram caixa e têm valuations mais razoáveis. A IA ainda está no início, com adoção corporativa apenas começando. A Third Point tem a maior parte de seu capital alocado nesse setor.
O fundador defende que o capitalismo recompensa o risco, não o trabalho duro ou a habilidade. Para ele, risco real envolve não saber o que vai acontecer e ter potencial de vergonha. Muitos founders acham que estão assumindo riscos, mas na verdade estão seguros. A coragem é essencial para fazer apostas genuínas e descobrir algo novo.
O fundador descreve sua jornada de criar a partir de um lugar de falta para um de plenitude. Ele percebeu que a ambição muitas vezes vem de uma carência, mas que é possível criar de forma mais saudável e menos destrutiva quando se sente completo. Isso permite tomar mais riscos e ter mais coragem, pois não há nada a perder.
Clay adota uma abordagem incomum de RH: investe pesado em recrutamento, paga acima do mercado para funções tradicionalmente subvalorizadas (como conteúdo) e é paciente com funcionários que demoram a se destacar. Em vez de 'contratar rápido e demitir rápido', a empresa aposta no potencial e ajusta o contexto, resultando em 50% de sucesso na retenção de talentos que inicialmente não performavam.
O episódio contrasta as teorias de Maxwell Taylor (poder flexível, resposta proporcional) e Eisenhower (dissuasão máxima com armas nucleares). O convidado defende que ambas são necessárias: a dissuasão nuclear evita guerras totais, mas o poder flexível permite responder a ameaças menores sem escalada nuclear. Ele critica a falta de clareza política nos objetivos militares, o que mina o apoio do Congresso e do orçamento.
O convidado argumenta que ditaduras são simultaneamente fortes (controle do aparato estatal) e fracas (ilegítimas, sem confiança interna). Na China, a falta de confiança leva a constantes expurgos e corrupção, enquanto no Irã o IRGC controla metade da economia. Essa ilegitimidade é uma vantagem dos EUA, que podem recrutar agentes dentro desses regimes. Ele prevê que China e Irã cairão em nossa vida, como a União Soviética.
O convidado revela que, após os Acordos de Oslo, o Hamas foi excluído e traçou um plano de 20 anos para cooptar universidades ocidentais e mudar a opinião pública, documentado pelo FBI em escutas. Ele compara à frase de Bezos sobre planos de 7 anos: 'a maioria desiste'. O plano funcionou, e hoje há simpatia ao Hamas em campus americanos, apesar de sua natureza brutal.
O convidado acredita que a China pode não precisar invadir Taiwan se o KMT vencer as eleições, pois é um partido de acomodação. Xi Jinping é visto como um tomador de riscos, mas a invasão seria custosa e isolaria a China. No entanto, se Taiwan for tomada, o apetite cresce e países como Japão seriam os próximos alvos. A primeira-ministra japonesa já defende uma defesa robusta.
O podcast explora como investidores tradicionalmente focados em mercados públicos estão cada vez mais alocando capital em empresas privadas de IA, como Anthropic e Stripe. Para conseguir alocações significativas, eles realizam due diligence profunda, constroem relacionamentos com os fundadores e apresentam teses de investimento detalhadas. A estratégia inclui comprar em rodadas de crescimento e manter posições por longo prazo.
O investidor detalha seu framework baseado na curva de adoção S, que permite identificar o momento certo para investir em tecnologias disruptivas. Quando as barreiras de adoção são removidas, o crescimento se torna exponencial. Exemplos históricos incluem smartphones, veículos elétricos e nuvem. A IA atual está no início da curva, com apenas 10 bips (0,1%) dos trabalhadores do conhecimento usando-a de forma avançada.
O podcast analisa por que empresas como Anthropic e OpenAI podem manter sua liderança. Elas possuem propriedade intelectual crítica em código, marca forte no segmento empresarial, escala (escape velocity) e capacidade de melhoria recursiva dos modelos. Diferente de commoditie, os modelos de IA têm diferenciação significativa, como a Anthropic em finanças e o Google em PDFs.
Dos US$ 120 bilhões, cerca de US$ 75 bilhões são reservas rigidamente geridas, mas com abordagem inovadora (não apenas títulos investment grade). O restante divide-se em crédito de crescimento e equity de crescimento, incluindo private equity, imóveis, energia e infraestrutura, e crédito alternativo (asset-backed finance). A plataforma usa múltiplas formas de exposição (direta, co-investimento, LP) conforme a melhor estratégia.
Vlad argumenta que seguradoras públicas são pressionadas por acionistas a focar em underwriting e devolver capital, enquanto mútuas como a Liberty Mutual podem construir uma 'fortaleza' de balanço investindo de forma sofisticada. Isso permite assumir riscos de cauda longa e ser parceira em riscos que outras seguradoras não conseguem cobrir, como data centers de grande escala.
O CEO alerta que, apesar do entusiasmo com AVs, a tecnologia enfrenta resistência pública e preocupações com empregos e custos. Ele compara à reação inicial ao Uber: o que é mágico rapidamente se torna normal. A Uber precisa dialogar com reguladores e comunidades para evitar reações negativas. O 'premortem' para o fracasso seria não conseguir acesso à oferta de AVs, mas a empresa está investindo em parcerias para garantir escala.
Khosrowshahi explica que o Uber One, com 50 milhões de membros (crescimento de 50% ano a ano), é um motor de crescimento, oferecendo descontos em mobilidade, entregas e até hotéis. A vantagem estrutural da Uber é a venda cruzada entre plataformas: 13% dos pedidos do Eats vêm do app de mobilidade. A empresa busca ser número 1 em mercados internacionais, replicando a estratégia de oferta e confiabilidade.
Khosrowshahi descreve os primeiros dias como CEO da Uber como 'caos completo', com briga no conselho e desconfiança de stakeholders. Ele usou uma abordagem de engenharia: dividir problemas complexos em partes menores e resolvê-los um a um. Trouxe um novo chairman, fez uma 'turnê de escuta' e montou um time de alta performance. Sua resiliência vem da experiência como imigrante iraniano que perdeu tudo aos 9 anos, o que o ensinou a não se estressar com o caos.
Loeb explica como a Third Point evoluiu de uma abordagem focada em spin-offs e eventos especiais para uma estratégia que combina qualidade de negócios com oportunidades de valor. Ele cita os livros 'The Outsiders' e 'Quality Investing' como influências. A mudança foi necessária para sobreviver à última década, onde investidores presos ao deep value tiveram desempenho inferior.
Loeb discute a importância da governança corporativa, destacando que conselhos devem focar em criar valor para acionistas, sem se distrair com múltiplos objetivos. Ele critica conselhos que priorizam status ou lealdade ao CEO em detrimento dos acionistas. O ativismo, incluindo cartas públicas e pressão social, é uma ferramenta eficaz para corrigir desalinhamentos, como no caso da Sotheby's.
A Third Point possui cerca de 60% de seus ativos em crédito, incluindo CLOs, crédito estruturado e private credit. Loeb explica que a firma busca o 'fulcro' da estrutura de capital, ou seja, o título com melhor relação risco-retorno. Exemplos como Twitter e xAI mostram como o conhecimento de toda a estrutura de capital permite identificar oportunidades que investidores de crédito tradicionais evitam.
O fundador argumenta que a justiça é fundamental para a estabilidade social e empresarial. Sem justiça, não há configuração estável, pois grupos oprimidos sempre reagirão. Ele aplica esse princípio nos negócios, tratando todos com respeito e fairness, e vê a justiça como uma forma de ser 'ganancioso no longo prazo'.
O fundador usa metáforas da música e da mágica para explicar princípios de negócios. Da música, ele tira lições sobre tempo, silêncio e finais – como encerrar projetos de forma adequada. Da mágica, aprende a reencantar o mundo, despertando curiosidade e admiração. Essas ideias são aplicadas na cultura da Clay, que investe em branding ousado e em experiências que geram sensações novas.
O convidado critica o sistema de orçamento anual do Pentágono e as resoluções contínuas (CRs), que impedem novos projetos e desestimulam a indústria. Ele defende contratos plurianuais para munições e maior alocação para pesquisa de alto risco, como no Projeto Manhattan (1% do PIB). As 'neoprimes' (novas empresas de defesa) precisam de exercícios reais para validar seus produtos, mas a integração no conceito conjunto de guerra é lenta.
O investidor vendeu quase todas as posições em software tradicional, pois acredita que a IA pode tornar obsoletas muitas soluções existentes. As empresas de software enfrentam orçamentos de TI deslocados para tokens de IA, dificuldade em monetizar produtos de IA (apenas 1-2% da receita) e risco de serem substituídas por soluções nativas de IA. Exceções podem ser plataformas com efeitos de rede, como Slack.
Vlad, imigrante da Moldávia (ex-URSS), contrasta a supressão de sonhos e o antissemitismo no regime soviético com a liberdade e agência individual nos EUA. Ele usa a metáfora do croissant – nos EUA, qualquer um pode reinventá-lo, enquanto na URSS só havia um tipo de pão. Essa cultura de inovação permissiva molda sua filosofia de investimento: buscar parceiros obcecados pelo ofício, sem senso de entitlement.
Vlad reflete sobre a atual ruptura da ordem pós-Segunda Guerra Mundial, mas pondera que cada geração acredita viver o momento mais agudo. Ele cita a pandemia de 2020 como exemplo de algo que parecia apocalíptico, mas a humanidade seguiu em frente. Para investidores focados nos EUA, a geopolítica importa menos que a arquitetura econômica doméstica, mas o cenário global está mudando.
Vlad explica que a Liberty Mutual Investments busca ser mais que um LP com 'capital de marca' – quer ser conhecida por criatividade, rapidez e disposição para assumir riscos que outros LPs não assumem. A reputação é construída por meio de parcerias de longo prazo, referrals e uma cultura que incentiva o risco empreendedor interno, evitando que as indicações sequem.
Khosrowshahi afirma que drones para entrega de comida e mantimentos ainda estão longe da escala, com desafios de densidade de bateria, alcance e custo. Ele estima que a tecnologia comece a ter escala real em 2 a 5 anos, mas só se tornará comum em 5 a 10 anos. A Uber acompanha empresas como Zipline e Joby, e vê potencial para entregas mais baratas e rápidas no futuro.