Os Socios (Grupo Primo)
A Conta Simples, fintech fundada em 2019, já movimentou R$ 80 bilhões e projeta atingir R$ 100 bilhões em 2025. A empresa se diferencia ao oferecer uma camada de software de gestão sobre a conta digital, automatizando conciliação e reduzindo em 25 horas semanais o trabalho do financeiro. Com 40 mil empresas na base e 2,5% do mercado de cartão corporativo, a fintech aposta em tecnologia para escalar sem depender de guerra de preços.
Rodrigo Tognini e Ricardo Gotchak contam como a Conta Simples nasceu com apenas R$ 10 mil de capital social e um primeiro cheque anjo de R$ 160 mil. Após 88 apresentações a investidores e 80 'nãos', a empresa conseguiu uma rodada de R$ 1,5 milhão e, durante a pandemia, foi aceita no Y Combinator, aceleradora que investiu US$ 150 mil sem cláusulas restritivas. A história ilustra a resiliência necessária para empreender no Brasil.
No início, a Conta Simples era uma conta digital genérica. Ao analisar a base de clientes, os fundadores descobriram que 90% da receita vinha de 10% dos clientes, majoritariamente do marketing digital. A partir de um curso de e-commerce e uma comunidade no Facebook, entenderam a demanda por múltiplos cartões virtuais para tráfego pago. Esse nicho se tornou o foco inicial, permitindo crescimento orgânico e validação do produto.
Durante a pandemia, um investidor ofereceu R$ 500 mil, mas com um acordo de acionistas que dava controle a um minoritário, o que poderia travar o crescimento da startup. Os fundadores recusaram a oferta após serem aceitos no Y Combinator. O episódio alerta para a importância de evitar cláusulas que engessem a gestão, como prazos forçados de IPO, e de buscar investidores alinhados com a visão de longo prazo.