The Rest is History
A terceira estrofe do hino, raramente cantada, contém a frase 'hireling and slave', que muitos interpretam como referência a escravos fugitivos que se aliaram aos britânicos. O episódio explora o contexto: os britânicos recrutaram ativamente escravos fugitivos, prometendo liberdade, e Francis Scott Key era um proprietário de escravos e oponente do abolicionismo. A NAACP pediu a substituição do hino em 2017 por considerá-lo racista.
O episódio mostra que 'God Save the King' surgiu em setembro de 1745, no Teatro Real Drury Lane, como um hino patriótico para apoiar a dinastia Hanoveriana contra a ameaça jacobita de Bonnie Prince Charlie. A canção rapidamente se espalhou por teatros e pubs, tornando-se um fenômeno viral e a primeira grande canção pop. Sua melodia foi adotada por mais de 20 países, de Liechtenstein ao Havaí, consolidando-se como o modelo de hino nacional moderno.
O episódio detalha como Francis Scott Key escreveu 'The Star-Spangled Banner' em 1814, durante a Guerra de 1812, após testemunhar o bombardeio britânico ao Fort McHenry. Key usou uma melodia inglesa popular, a 'Anacreontic Song', para criar um broadside ballad que rapidamente se espalhou pelos jornais. O hino só se tornou oficial mais de um século depois, mas já era um símbolo nacional.
A Guerra de 1812 é raramente discutida, mas teve impactos duradouros: os EUA tentaram invadir o Canadá e falharam, fortalecendo a identidade canadense; os britânicos queimaram a Casa Branca; e o conflito terminou em empate. O episódio destaca como a guerra é um marco fundador para o Canadá, que co-sedia a Copa do Mundo de 2026 com EUA e México.
Key era um advogado bem-sucedido, proprietário de escravos e membro da Sociedade Americana de Colonização, que defendia o envio de negros libertos para a África. Como promotor, processou ativistas antiescravistas, mas também representou escravos em busca de liberdade. Sua biografia complexa alimenta o debate sobre o hino.
Durante as Guerras Napoleônicas, 'God Save the King' foi consagrado como 'anthem' (hino religioso) para contrapor o ateísmo da Revolução Francesa. Enquanto a França adotava 'A Marselhesa' como canção nacional, a Grã-Bretanha cristianizou seu hino, pedindo a Deus que salvasse o rei. Isso reforçou a identidade britânica como defensora da monarquia protestante e da ordem divina, em oposição ao republicanismo francês. A canção tornou-se um símbolo de união nacional em tempos de guerra.
O episódio aborda a peculiaridade de Inglaterra e Escócia competirem separadamente na Copa do Mundo, mas compartilharem o mesmo hino nacional, 'God Save the King'. Enquanto a Inglaterra o adota, a Escócia historicamente se recusa a cantá-lo, preferindo outros símbolos. Isso reflete as tensões identitárias dentro do Reino Unido, onde o hino britânico não representa igualmente todas as nações constituintes. A situação é única no futebol mundial, já que outras federações, como a espanhola, não têm divisões internas.
A melodia do 'Star-Spangled Banner' foi composta em 1775 por John Stafford Smith para o Anacreontic Club de Londres, um clube musical masculino. A canção era conhecida nos EUA antes de Key, usada por abolicionistas e em campanhas políticas. Key adaptou seu poema à melodia já popular, o que ajudou na rápida disseminação.
A autoria de 'God Save the King' é envolta em mistério. Teorias vitorianas atribuíam a melodia a Henry Purcell ou John Bull, mas o musicólogo Percy Scholes, em 1942, demonstrou que a canção surgiu de forma comunitária, sem um compositor único. Scholes ridicularizou a teoria de que teria sido composta por ordem de Elizabeth I, proposta por um musicólogo druida e pró-nazista. A falta de uma origem definida reforça o caráter orgânico do hino, comparável à constituição não escrita britânica.
O episódio explora a tradição britânica de ridicularizar 'God Save the King', desde os intelectuais dos anos 1940, como George Orwell, até os Sex Pistols em 1977. Orwell observou que um intelectual inglês teria mais vergonha de ficar em posição de sentido durante o hino do que de roubar um cofre de esmolas. A versão punk 'God Save the Queen' tornou-se um ícone de rebeldia, mostrando como o hino é maleável e sujeito a paródias. Essa irreverência contrasta com a reverência americana ao 'Star-Spangled Banner'.