Os Socios (Grupo Primo)
O IPCA, indicador oficial de inflação, é criticado por não refletir a alta real de preços no dia a dia. O economista Guilherme Cadonhoto explica que o índice é uma média de uma cesta de consumo de 220 milhões de brasileiros, com itens como caldo de tucupi e passagem aérea, que não representam a realidade de cada um. Ele defende que o IPCA não é maquiado, mas sim uma média que sempre será diferente da inflação pessoal de cada consumidor.
O Grupo Primo lançou o ETF GPC11, focado em proteção contra a inflação, com a menor taxa do mercado brasileiro: 0,10% ao ano (taxa total). O fundo investe em títulos públicos indexados ao IPCA com prazo médio de 2 anos, garantindo alta correlação com a inflação de curto prazo e alíquota de IR de 15%. A gestora absorve custos como o formador de mercado, algo raro no setor.
O economista alerta que o Tesouro IPCA+, apesar de popular, pode não proteger o investidor contra picos de inflação no curto prazo devido à marcação a mercado. O título mais curto disponível no Tesouro Direto vence em 2032, e uma alta súbita da inflação pode gerar perdas em janelas de 12 meses. O ETF GPC11, com prazo médio de 2 anos, foi desenhado para evitar esse problema.
O Índice Geral de Preços do Mercado (IGPM) está subindo, impulsionado por combustíveis e commodities, o que indica que a inflação ao consumidor deve aumentar nos próximos meses. Historicamente, o IGPM antecede o IPCA em 6 a 9 meses, pois capta preços ao produtor e de construção civil que depois são repassados ao consumidor final.
O episódio explica que ETF não é uma classe de ativo, mas uma tecnologia que replica índices com baixo custo. Diferente de fundos ativos, onde gestores tentam superar o mercado (e muitas vezes falham), o ETF busca apenas seguir um índice, com taxas muito menores. No Brasil, a maioria dos gestores não consegue bater o Ibovespa no longo prazo, tornando o ETF uma opção mais racional.