The Tim Ferriss Show
Jake Becraft explica que sua empresa cria 'mensagens' de RNA que instruem células cancerígenas a emitir sinais de alerta ao sistema imunológico, como se fossem invasoras. Em testes iniciais com melanoma metastático, pacientes com tumores em órgãos profundos (pulmão, fígado) tiveram resposta completa, algo raro. A abordagem supera a limitação de imunoterapias tradicionais, que só funcionam em tumores próximos ao local da injeção.
Becraft descreve o maior desafio da área: entregar medicamentos genéticos pela corrente sanguínea para órgãos além do fígado. Há 30 anos, a entrega se limita ao fígado, que filtra naturalmente as partículas. A Strand busca resolver esse problema combinando potência, especificidade e entrega – três problemas que ele chama de 'três crianças em uma só casaca'. A solução permitiria tratar doenças de forma sistêmica com uma simples infusão.
Levchin explica por que escolheu a frase do filme 'Ronin' como seu mantra: ela encapsula a importância de confiar na intuição, tomar decisões rapidamente e não adiar o inevitável. Ele aplica isso especialmente na contratação de funcionários e cofundadores, afirmando que, se há qualquer dúvida sobre uma pessoa, as chances de dar certo são baixíssimas. A lição é extraída de sua vasta experiência como empreendedor em série.
Becraft alerta que a China construiu uma infraestrutura industrializada para ensaios clínicos de fase 1, mais rápida e barata que a americana. O que começou como um destino para empresas dos EUA agora criou um 'flywheel' onde companhias chinesas desenvolvem drogas mais rápido e as trazem para os EUA, atraindo capital de risco. Isso pode deslocar o centro de inovação farmacêutica.
Becraft distingue entre um fármaco que funciona (bom fármaco) e um que pode ser produzido e distribuído em escala (bom produto). Exemplo: terapias celulares que custam US$ 750 mil para fabricar e levam três meses são 'maus produtos', mesmo sendo eficazes. O objetivo é criar tratamentos que se encaixem na infraestrutura existente (como infusões ambulatoriais) para maximizar o impacto.
Max Levchin, cofundador do PayPal, compartilha que o segredo do seu casamento de 27 anos com Nelly é acordar todos os dias tentando impressioná-la. Ele acredita que a sensação mútua de ter 'dado sorte' no relacionamento impulsiona o crescimento pessoal e profissional. A dica se estende a cofundadores: ver o outro evoluir motiva a própria melhoria.
Levchin superou doenças respiratórias na infância na Ucrânia soviética tocando clarinete para aumentar a capacidade pulmonar. Mais tarde, o ciclismo tornou-se sua paixão e ferramenta de saúde mental, permitindo-lhe 'limpar a cabeça' e socializar com outros CEOs. Ele monitora obsessivamente frequência cardíaca e variabilidade, mas aprendeu a relaxar com outras métricas, como alimentação, após anos de autoquantificação.
Becraft defende que reguladores e pagadores (governos) precisam se preparar para um futuro onde os medicamentos serão mais nichados e personalizados, não blocos únicos para milhões de pacientes. Ele cita o Orphan Drug Act dos anos 80 como exemplo de política que impulsionou a biotecnologia. Sem adaptação, corre-se o risco de apenas os ultra-ricos terem acesso às inovações ou de o investimento morrer.
Levchin conta como a leitura de 'Cryptonomicon', de Neal Stephenson, durante o desenvolvimento do PayPal criou uma sensação surreal de déjà vu, pois o livro descrevia exatamente o que eles estavam construindo: uma moeda digital usando criptografia. Ele também revela que 'Snow Crash' cunhou o termo 'metaverso' e que 'Neuromancer' foi sua porta de entrada para a cultura nerd nos EUA, após imigrar da União Soviética.
Levchin revela que 'O Mestre e Margarida', de Mikhail Bulgakov, é seu livro favorito e o motivo pelo qual conheceu sua esposa Nelly: ela citou uma passagem e ele respondeu com a linha seguinte. Ele descreve a obra como uma sátira brilhante do socialismo soviético, com elementos sobrenaturais e uma história dentro da história sobre a crucificação de Cristo. O livro é tão importante que ele sempre mantém cópias em sua mesa para presentear.
Levchin e sua esposa Nelly trabalham juntos em seu family office e na firma de venture capital. Ele atribui o sucesso à complementaridade: ele é técnico, ela tem forte background em finanças e é uma 'empata' excepcional. A chave é não microgerenciar as áreas de expertise um do outro e resolver conflitos rapidamente, seguindo o lema 'não vá para a cama com raiva, fique acordado e brigue'.