Skylar Grey conta sua trajetória de infância musical em Wisconsin, sucesso meteórico com 'Love the Way You Lie', luta contra síndrome do impostor e pressão criativa, até encontrar equilíbrio na vida rural em Napa Valley. Joe Rogan conecta com temas de criatividade, IA, educação, predadores e caça.
Joe Rogan – apresentador do podcastSkylar Grey – cantora, compositora e produtora musical
Skylar Grey escreveu 'Love the Way You Lie' em 15 minutos em um café sem internet, e a música se tornou um hit número 1 mundial.
Ela trabalhou como editora de pornografia por duas semanas, desenvolvendo o 'efeito Tetris' com alucinações de conteúdo explícito.
Aos 17 anos, mudou-se sozinha para Los Angeles e morou no sofá do guitarrista do Culture Club, testemunhando um assassinato na vizinhança.
Após o sucesso, Grey sofreu forte síndrome do impostor e pressão para entregar hits, o que a levou a evitar sessões de composição colaborativa.
Ela acredita que a criatividade não pode ser forçada e prefere compor sozinha, em ambientes isolados como sua cabana em Oregon.
Grey transformou sua vinícola em Napa para cultivo biodinâmico e seco, sem irrigação, para obter uvas de sabor mais concentrado.
Ela perdeu 17 ovelhas para dois leões da montanha que caçavam juntos, um dos quais foi abatido por seu marido após semanas de tentativas frustradas.
Seu novo álbum 'Wasted Potential' é um coming-of-age sobre sua infância em Wisconsin e a aceitação dos 40 anos.
Infância musical e início de carreira
Skylar Grey nasceu em uma família musical: mãe tocava harpa celta e estava em bandas folk, pai cantava em barbershop quartet, bisavó era cantora de ópera.
Aos 2 anos, cantou harmonia espontaneamente durante 'Parabéns pra Você', surpreendendo a mãe.
Aos 6 anos, montou um set de 1 hora com a mãe e tocou em uma biblioteca em Madison, Wisconsin, no Dia das Mães.
Entre 6 e 12 anos, fez turnês pelo Meio-Oeste, tocando em escolas, bibliotecas, convenções de saúde da mulher e até um evento de 1.500 escoteiros.
Guardou dinheiro dos shows e aos 12 anos comprou seu primeiro piano de cauda.
Na adolescência, foi ridicularizada por cantar músicas infantis com a mãe, o que a levou a querer fazer pop solo – decisão que inicialmente desagradou a mãe, que dependia da parceria.
Aos 16 anos, largou a escola depois que uma professora de álgebra disse 'música não é carreira' – Grey respondeu provando o contrário.
Teve um GPA de 3,9, mas odiava a escola por sentir que perdia tempo que podia dedicar à música.
Mudança para LA, trabalhos estranhos e a cabana em Oregon
Aos 17 anos, mudou-se sozinha para Los Angeles e morou no sofá de Roy Hay, guitarrista do Culture Club.
No primeiro mês, houve um assassinato na casa ao lado; o legista, após colocar o corpo na van, sentou-se ao lado dela e deu em cima.
Conseguiu um contrato com a Warner Bros. aos 18 anos, mas o álbum flopou e ela faliu.
Para sobreviver, trabalhou na Barnes & Noble, deu aulas de ginástica e editou pornografia – um emprego de 9h às 17h encontrado no Craigslist.
No trabalho pornô, ela assistia filmes completos e recortava as cenas mais explícitas para criar clipes categorizados por termos de busca; ganhava cerca de US$ 30/hora.
Desenvolveu o 'efeito Tetris': alucinava ânus dilatados ao olhar para tomadas ou superfícies, o que a fez pedir demissão após duas semanas.
Conseguiu um emprego como tecladista e backing vocal na turnê de Duncan Sheik ('Barely Breathing'), mas sentia frustração por não fazer sua própria música.
Escreveu em um diário que queria 'uma cabana na floresta para montar um estúdio' – seis meses depois, a mãe ofereceu uma cabana grátis em Oregon, em troca de trabalhar em uma galeria de arte duas vezes por semana.
A cabana era um antigo posto de observação de incêndio, sem banheiro interno (só um externo a 400 m de distância), sem internet e no topo de uma duna – ela precisava estacionar o carro e caminhar 400 m até lá.
Viveu lá por seis meses, superando bloqueio criativo e depressão pós-término de namoro.
O sucesso de 'Love the Way You Lie' e a síndrome do impostor
Ainda em Oregon, Grey contatou sua editora da UMPG, que a conectou com o produtor Alex da Kid.
Ela ia a um café local para pegar internet, baixava as batidas que Alex enviava e gravava melodias com o microfone do notebook.
A primeira melodia que enviou se tornou 'Love the Way You Lie' – escrita em 15 minutos.
Um mês depois, a música era número 1 mundial, catapultando-a do anonimato na cabana para o estrelato.
Imediatamente começou a receber ligações de Eminem, Dr. Dre (para o álbum Detox), Puff Daddy (que resultou em 'Coming Home') e outros.
Grey sentiu forte síndrome do impostor: 'Aquilo foi muito fácil, deve ter sido sorte; nunca mais vou conseguir repetir'.
A pressão para entregar hits a cada sessão de composição a paralisava; ela saía de sessões chorando, sentindo-se uma fraude.
Ela descreve que a criatividade não pode ser forçada e que as melhores músicas vêm sem esforço – as que ela suava para fazer nunca funcionavam.
Processo criativo e a 'musa'
Grey prefere compor sozinha, em ambientes isolados – longe de LA e de estranhos em estúdios.
Ela se concentra em como a música a faz sentir, em vez de tentar agradar o público.
As ideias surgem em momentos aleatórios: no chuveiro, cozinhando, ou esperando o veterinário – como a música 'Motivation', que veio enquanto o cachorro fazia cirurgia.
Ela grava voice notes e anota letras no celular, mas admite que precisa ser disciplinada para sentar e trabalhar, mesmo quando não está inspirada.
Joe Rogan recomenda o livro 'A Guerra da Arte', de Steven Pressfield, que trata a criatividade como uma 'musa' que deve ser invocada com disciplina diária.
Rogan descreve seu próprio método: senta-se e começa a escrever sobre qualquer assunto, deixando o texto fluir livremente, depois extrai o que funciona – é um 'jogo de números e tempo'.
Vida em Napa: vinhedo biodinâmico e agricultura regenerativa
Grey conheceu o marido, Elliot, em um supermercado em Napa, onde ele a abordou com a cantada 'posso carregar seu melão?'.
Ela inicialmente o recusou, mas se reconectaram um ano depois, após um divórcio complicado e um processo de 5 anos.
O casal comprou uma propriedade em Napa com 9 acres de vinhedo, que converteram de cultivo convencional para biodinâmico e orgânico.
Eles não irrigam as videiras (dry farming), o que força as raízes a buscar água mais fundo, resultando em uvas de sabor mais concentrado.
A propriedade, chamada Glass Rock, fornece uvas para cinco vinicultores diferentes, que produzem vinhos single-estate com abordagem de 'Velho Mundo' – colheita precoce, baixo teor alcoólico e sabores delicados.
Grey não quer ter seu próprio rótulo porque não quer o trabalho de marketing e vendas.
Eles também criam galinhas e ovelhas, mas sofreram perdas significativas para predadores.
Predadores: leões da montanha, coiotes e a experiência traumática
Grey perdeu 17 ovelhas para dois leões da montanha que caçavam juntos – uma mãe ensinando o filhote a caçar.
Os leões matavam por 'surplus killing': não comiam as presas, apenas as deixavam mortas.
Após o primeiro ataque, a Fish and Wildlife colocou armadilhas, mas os leões as evitaram; os cães farejadores se confundiam porque os dois felinos seguiam rotas diferentes.
O marido de Grey, Elliot, eventualmente atirou em um dos leões; o segundo foi abatido dias depois com uma nova autorização.
Grey relata que os leões imitavam assobios humanos para se comunicar, enganando Elliot durante a caça.
Ela também perdeu 12 galinhas para um coiote em uma única noite, em um ataque de 'surplus killing'.
Joe Rogan conta uma história em que seu mastim Johnny Cash foi 'manipulado' por um coiote para destruir o galinheiro e libertar uma galinha.
Rogan descreve encontros com leões da montanha: um de cerca de 180-200 lb em Utah, com cabeça do tamanho de uma abóbora e patas dianteiras enormes.
Caça, carne de caça e sustentabilidade
Grey aprendeu a limpar caça com o pai desde criança, ajudando a processar veados no Dia de Ação de Graças.
Ela e o marido caçam um veado por ano em Napa para consumo próprio.
Joe Rogan descreve a caça ao axis deer no Havaí (Lanai), onde há 30.000 veados para 3.000 habitantes – a caça é necessária para controle populacional.
No Havaí, é possível caçar com rifle e ter 100% de sucesso; com arco e flecha, os veados 'pulam a corda' (esquivam-se da flecha ao ouvir o disparo) devido à evolução com tigres.
A carne de veado axis é considerada uma das melhores carnes de caça, servida em restaurantes como o Four Seasons Lanai.
Rogan explica que a venda de carne de caça silvestre é proibida nos EUA para evitar a extinção (como ocorreu no início do século XX), mas a empresa Maui Nui vende produtos de veado axis do Havaí legalmente.
Ele também menciona que a carne de urso alimentado com mirtilos tem gordura roxa e sabor frutado, e que a carne de leão da montanha é comparável a 'porco superior'.
Reflexões sobre educação, IA e o valor da arte humana
Grey e Rogan criticam o sistema educacional, que foi projetado para formar 'operários de fábrica', com ênfase em obediência e conformidade.
Rogan argumenta que professores deveriam ser pagos como profissionais de alto nível, já que a educação é crucial para o futuro da humanidade.
Grey conta que sua professora de álgebra disse 'música não é uma carreira', o que a motivou a provar o contrário – mas reconhece que muitos jovens podem ser desencorajados por comentários assim.
Sobre IA, Grey acredita que ela pode criar músicas 'legais', mas nunca substituirá a conexão emocional genuína de uma composição humana.
Rogan compara a IA ao autotune e ao talk box: ferramentas que geraram controvérsia no passado, mas que podem ser usadas criativamente.
Ele menciona que já existem podcasts falsos com sua voz e de Steve Jobs, e que a linha entre real e artificial está se tornando 'nebulosa'.
Ambos concordam que a IA fará as pessoas valorizarem ainda mais a arte feita por humanos, com suas imperfeições e nuances.
Saúde mental, envelhecimento e o álbum 'Wasted Potential'
Grey sofreu depressão ao completar 40 anos, sentindo que não havia aproveitado a infância e que desperdiçou oportunidades na carreira.
Ela se autodenomina 'preguiçosa' e admite que recusou muitos convites e não se dedicou ao 'grind' que a indústria exige.
O álbum 'Wasted Potential' é um relato autobiográfico sobre sua criação em Wisconsin, descoberta da sexualidade e aceitação da idade.
Ela quer passar a lançar um álbum por ano, em vez de um a cada cinco anos, para não se arrepender de ter tanto material guardado.
Rogan a encoraja, dizendo que a autocrítica é inerente a pessoas criativas e ambiciosas, e que a maturidade traz a capacidade de 'ligar o foda-se'.
Grey concorda que está aprendendo a ter mais diversão e menos pressão no processo criativo.
Passos práticos
Para compositores: crie em ambientes isolados e sem distrações; foque em como a música te faz sentir, não no que os outros querem ouvir.
Para criativos: estabeleça uma rotina diária de trabalho, mesmo sem inspiração – 'sente e comece', como sugere 'A Guerra da Arte'.
Para quem sofre de síndrome do impostor: lembre-se de que é comum entre artistas genuínos; não deixe o medo de não repetir um sucesso te paralisar.
Para produtores rurais: considere a agricultura biodinâmica e dry farming para obter uvas de sabor mais concentrado e sustentável.
Para proteção de rebanhos: invista em cães de guarda de gado (como Kangal ou Alabai) e cercas à prova de predadores; monitore com câmeras.
Para caçadores: no Havaí, a caça ao axis deer em Lanai é uma forma de controle populacional e fornece carne orgânica de alta qualidade.
Para consumidores: compre carne de caça de fontes legais como Maui Nui para apoiar o manejo sustentável de espécies invasoras.
Frases marcantes
"Eu escrevi 'Love the Way You Lie' em 15 minutos em um café, sem internet, e um mês depois era número 1 no mundo."
"Eu estava alucinando buracos de cu quando olhava para tomadas – tive que sair daquele emprego de edição de pornô."
"Música não é uma carreira – foi o que minha professora de álgebra disse. Eu mostrei que ela estava errada."
"A IA pode fazer músicas legais, mas nunca vai substituir a conexão espiritual de uma pessoa sentada e escrevendo de verdade."
"Eu coloco tanta pressão em cada álbum que demoro cinco anos para lançar um. Agora quero lançar um por ano e me divertir."
"A maturidade te ensina a ligar o foda-se – é a melhor coisa de envelhecer."
Mencionados no episódio
Love the Way You Lie – música de Eminem com Rihanna, escrita por Skylar Grey
Coming Home – música de Diddy-Dirty Money com Skylar Grey
Alex da Kid – produtor musical que colaborou com Grey em 'Love the Way You Lie'
Eminem – rapper, colaborou com Grey em várias faixas
Dr. Dre – rapper e produtor, Grey trabalhou no álbum Detox
Puff Daddy (Diddy) – rapper e produtor, colaborou em 'Coming Home'
Duncan Sheik – cantor dos anos 90, Grey foi tecladista em sua turnê
Roy Hay – guitarrista do Culture Club, Grey morou em seu sofá em LA
Warner Brothers – gravadora que contratou Grey aos 18 anos
UMPG – editora musical que manteve Grey contratada após o fracasso do primeiro álbum
Barnes & Noble – livraria onde Grey trabalhou
Craigslist – site onde Grey encontrou o emprego de edição de pornô
Glass Rock – nome da propriedade vinícola de Grey em Napa
Carlo Mondavi – neto de Robert Mondavi, amigo que apresentou Napa a Grey
Elliot – marido de Grey, responsável pela operação agrícola
Maui Nui – empresa havaiana que vende carne de veado axis legalmente
Bob the Butcher – açougueiro em Lanai que processa caça para os caçadores
Four Seasons Lanai – resort onde Grey e Rogan se hospedaram para caçar
Tejon Ranch – rancho na Califórnia com alta densidade de leões da montanha
MeatEater – programa de caça e culinária de Steve Rinella
Steve Rinella – caçador e apresentador do MeatEater
A Guerra da Arte – livro de Steven Pressfield sobre disciplina criativa
John Mellencamp – cantor que disse a Rogan que escreveu 'I Need a Lover' no chuveiro
Alabai (Central Asian Shepherd) – raça de cão de guarda de gado de Grey
Kangal – raça de cão de guarda turca que Rogan planeja adquirir
Johnny Cash – mastim de Rogan que foi manipulado por um coiote
Perplexity – ferramenta de busca usada por Rogan para verificar fatos