JRE MMA Show #179 with Josh Thompson & "Big" John McCarthy
Joe Rogan recebe Josh Thompson e 'Big' John McCarthy para uma conversa densa sobre MMA, cobrindo desde regras controversas (cotoveladas 12-6, joelhadas no chão) até a evolução de lutadores lendários (Fedor, Crocop, Khabib), os perigos do corte de peso, a dificuldade da arbitragem e o impacto dos danos cerebrais. O episódio é essencial para quem quer entender os bastidores e as nuances do esporte.
Joe Rogan - apresentador e comentarista de MMAJosh Thompson - ex-lutador e comentarista de MMABig John McCarthy - lendário árbitro de MMA e comentarista
Cotoveladas 12-6 foram legalizadas na maioria das comissões, mas Nova Jersey ainda não adotou a mudança, criando confusão para lutadores e árbitros.
O corte de peso extremo é um dos maiores perigos no MMA, e soluções como pesagens aleatórias ou limites de peso máximo são difíceis de implementar sem perder lutas.
Khabib Nurmagomedov nunca sangrou, foi nocauteado ou seriamente machucado no octógono do UFC, um feito único que demonstra sua dominância e disciplina.
A arbitragem em MMA é extremamente desafiadora, com juízes tendo visões limitadas e a pressão de decisões que afetam carreiras e bolsas.
Danos cerebrais cumulativos são um risco real; lutadores como Alexander Volkanovski deveriam ter sido impedidos de lutar tão cedo após um nocaute.
A disciplina de treinos e estilo de vida (sem álcool, treinos constantes) é o que separa campeões como Khabib e Islam Makhachev dos demais.
O medo da queda é um fator tático enorme no MMA, como visto em Kevin Randleman vs. Crocop e Khabib vs. Conor McGregor.
A falta de wrestlers de elite nos meio-pesados e pesados atualmente favorece strikers como Alex Pereira, que não enfrenta ameaça de queda.
Regras controversas: cotoveladas 12-6, joelhadas no chão e stomps
As cotoveladas 12-6 foram legalizadas na maioria das comissões após anos de reclamações, mas Nova Jersey ainda não adotou a mudança, criando inconsistência para lutadores e árbitros.
Big John McCarthy ajudou a escrever as novas regras, que deram seis meses para os lutadores se adaptarem, mas Nova Jersey ignorou o prazo.
Dan Cormier (DC) foi contra a legalização das 12-6, argumentando que são perigosas; Joe Rogan discorda veementemente.
McCarthy defende joelhadas no chão em ringues (onde o lutador pode se mover) mas não em cages, onde o lutador fica preso e vulnerável a stomps.
Stomps (pisões) são criticados por McCarthy: ele afirma que só são eficazes quando o oponente já está seriamente ferido, citando Sakuraba como exemplo raro.
A discussão sobre regras reflete a tensão entre segurança e espetáculo, com exemplos de lesões graves como a de Cleo Roundry (joelho destruído) vs. Edson Barboza (chute na cabeça de Terry Etim).
Lendas do MMA: Fedor, Crocop e a era do Pride
Fedor Emelianenko é descrito como um dos maiores de todos os tempos, com velocidade explosiva, mãos baixas e capacidade de lutar em qualquer posição.
McCarthy treinou com Fedor e destaca sua explosão e ritmo implacável, que desgasta os oponentes.
Fedor escreveu o manual para vencer Crocop: recuá-lo com a ameaça do grappling e checar seus chutes com a canela.
Crocop tinha o melhor chute esquerdo da história do MMA, com poder nuclear e precisão; exemplos incluem a foto de Heath Herring com a canela enterrada nas costelas.
A transição de Crocop do kickboxing para o MMA foi pioneira, usando explosão em vez de ritmo, ao contrário de outros strikers como Peter Aerts.
Shogun Rua é lembrado por sua agressividade e por nocautear Rampage Jackson no UFC, mostrando que era muito mais que um lutador do Pride.
Alexander Emelianenko (irmão de Fedor) é citado por sua tatuagem bizarra (morte segurando um bebê) e por lutar acima do peso, como contra James Thompson.
Corte de peso: o maior perigo do MMA
O corte de peso é descrito como 'a coisa mais nojenta do MMA', com atletas se desidratando e passando fome antes da luta mais perigosa do mundo.
McCarthy critica a hipocrisia: outros esportes têm chefs e nutricionistas, enquanto o MMA exige que os atletas se destruam para bater o peso.
Soluções como pesagens aleatórias ou limites máximos de peso (ex.: lutador dos 170 lbs não pode passar de 180 lbs) são discutidas, mas esbarram em questões logísticas e de perda de lutas.
Exemplos extremos: Michael Morales (170 lbs) chega a 210 lbs fora de camp; Alex Pereira pesava 250 lbs recentemente, tendo cortado de 185 lbs no UFC.
O corte excessivo leva a pontos de retorno decrescente: Alex Pereira era mais vulnerável a golpes nos meio-pesados do que nos pesados, devido ao desgaste do corte.
Max Holloway é citado como exemplo de quem colocou peso certo para os 155 lbs (lutou bem contra Justin Gaethje), mas ao voltar aos 145 lbs foi nocauteado por Ilia Topuria.
Conor McGregor nos 145 lbs é lembrado como 'vítima de campo de concentração' nos weigh-ins, mas ainda assim rápido e letal no octógono.
Arbitragem e julgamento: desafios e polêmicas
McCarthy defende que a arbitragem é o segundo trabalho mais difícil no MMA, atrás apenas de ser lutador, devido às consequências de um erro.
Juízes têm visões limitadas (muitas vezes com postes na frente) e ângulos diferentes dos comentaristas, o que pode levar a decisões contestadas.
McCarthy rejeita a ideia de cinco juízes em vez de três, afirmando que não muda o resultado; o problema são juízes ruins, não a quantidade.
O caso Adelaide Byrd é mencionado: ela errou em lutas de boxe (Canelo vs. GGG) mas é elogiada por McCarthy por seu esforço e dedicação em MMA.
A polêmica da luta Usyk vs. Verhoeven: McCarthy critica o árbitro por não colocar o mouthpiece de volta rapidamente, dando tempo extra a Verhoeven, e por parar a luta tardiamente.
A regra do mouthpiece em boxe mudou por influência do MMA: agora se coloca de volta sem lavar, para não dar vantagem ao agressor.
McCarthy conta a história de Herb Dean parando a luta Frank Mir vs. Tim Sylvia: Herb ouviu o braço quebrar e foi vaiado, mas os raios-X confirmaram a fratura.
Danos cerebrais e a importância do descanso
McCarthy alerta que o cérebro não tem terminações nervosas, então lutadores não sentem o dano até ser tarde demais (dores de cabeça, sensibilidade à luz, irritabilidade).
Exemplo de Travis Lutter vs. Marvin Eastman: Eastman foi nocauteado por um soco fraco porque já havia sofrido dois KO's em treinos.
Freddie Roach (técnico de boxe) obrigou Manny Pacquiao a ficar um ano sem lutar após o nocaute de Marquez, permitindo que ele se recuperasse.
McCarthy cita Joey Beltran, ex-lutador do UFC, que hoje desce escadas um degrau de cada vez devido ao acúmulo de dano.
A importância de ter alguém que ame o lutador para dizer 'não' é destacada, especialmente no caso de Alexander Volkanovski lutando 4 meses após um nocaute brutal.
McCarthy recomenda 45 dias a 6 meses de descanso após um nocaute, com dieta rica em gorduras boas (abacate) para ajudar na recuperação cerebral.
Khabib Nurmagomedov: disciplina e dominância
Khabib é o único lutador na história do UFC que nunca sangrou, foi nocauteado ou seriamente machucado no octógono.
Sua disciplina é lendária: nunca perdia treinos, mesmo depois de se tornar campeão, ao contrário de muitos que se distraem com oportunidades.
McCarthy destaca que Khabib sempre melhorou seu stand-up, passando de 'o pior' no início a nocautear Conor McGregor com um direto de direita.
A conversa de Khabib durante as lutas é icônica: contra Michael Johnson, ele pedia 'desista, irmão, preciso do title shot' enquanto aplicava o katagatame.
O estilo de vida sem álcool e sem festas é apontado como diferencial crucial; McCarthy nota que beber no fim de semana afeta o treino na segunda-feira.
Khabib é elogiado por elevar os outros: organiza a logística do time, paga contas e lidera o grupo de luta, incluindo Islam Makhachev.
O medo da queda como fator tático
O medo da takedown altera o comportamento do striker, criando hesitação que abre oportunidades para o wrestler.
Exemplo clássico: Kevin Randleman vs. Crocop – em uma luta de kickboxing puro, Crocop destruiria Randleman, mas a ameaça da queda permitiu a Randleman nocautear Crocop.
Khabib vs. Conor: mesmo sendo inferior em trocação, a ameaça constante da queda fez Conor hesitar, permitindo Khabib acertar socos duros.
Alex Pereira é citado como exceção: ele não tem nenhuma ameaça de queda, então seus oponentes precisam lidar com sua trocação pura, o que é raro nos meio-pesados/pesados atuais.
A falta de wrestlers de elite nessas divisões é apontada como razão para o sucesso de Pereira.
Pesos e divisões: problemas e soluções
McCarthy critica o limite de 265 lbs para os pesados, imposto por Lorenzo Fertitta para evitar 'gordos', mas que exclui superpesados naturais como Francis Ngannou.
A diferença de peso entre lutadores é absurda: Michael Morales (170 lbs) pesa 210+ lbs fora de camp; Max Holloway pesou 178 lbs na noite da luta contra Aldo (com roupa).
O caso de Rumble Johnson é lembrado: ele pesava 230 lbs e cortava para 170 lbs, um dos cortes mais extremos da história.
McCarthy sugere que a UFC poderia implementar pesagens aleatórias, mas isso custaria caro e poderia perder lutas se os lutadores estivessem acima do peso.
A discussão sobre superpesados (acima de 265 lbs) é reaberta com exemplos como Nikolai Valuev (7'0") e a luta contra Evander Holyfield.
Novos talentos e o futuro do MMA
Gable Steveson é apontado como o prospecto mais empolgante dos pesados: rápido, forte, com bom queixo e medalhista olímpico de ouro.
McCarthy acredita que Gable pode lutar pelo título em três lutas, dada a superficialidade da divisão pesada.
Josh Hokit e Curtis Blaydes são mencionados como wrestlers que podem desafiar strikers como Pereira.
A luta Blaydes vs. Hokit é elogiada como uma guerra de alta qualidade para os pesados.
Ilia Topuria é criticado por falar demais e provocar lutadores de todas as divisões, mas McCarthy reconhece que isso gera buzz.
A saída de Francis Ngannou da UFC é lamentada; McCarthy tentou mediar um acordo, mas Dana White não quis.
Finanças e mentalidade dos lutadores
McCarthy é contra win bonuses, defendendo que o show money deve ser a maior parte (ex.: 80/20), com bônus adicionais para finalizações.
Ele argumenta que lutadores de alto nível não lutam mais por dinheiro extra – o orgulho e o ego já os motivam ao máximo.
A má gestão financeira é comum: McCarthy cita Rampage Jackson com oito carros e brinca 'quantos carros você pode sentar ao mesmo tempo?'.
Sean Strickland é elogiado por ser frugal: usa roupas baratas (Wranglers, regatas) e economiza dinheiro, ao contrário da maioria dos lutadores.
Forrest Griffin é lembrado por dirigir o Scion que ganhou no TUF 1 até as portas caírem, um exemplo de vida simples.
Passos práticos
Se você é lutador, evite cortes de peso extremos; considere subir de divisão se o corte estiver comprometendo sua saúde e desempenho.
Após um nocaute, descanse de 45 dias a 6 meses, com dieta rica em gorduras saudáveis (abacate, azeite) para recuperação cerebral.
Tenha alguém de confiança (familiar, técnico) que possa te impedir de lutar muito cedo após um KO ou quando você não estiver 100%.
Invista em um mouthpiece bem ajustado (fervido corretamente) para evitar que caia durante a luta e atrapalhe o ritmo.
Se você é árbitro ou juiz, estude as regras atualizadas (ex.: recolocação rápida do mouthpiece) e busque sempre melhorar sua visão de luta.
Para promover a transparência, árbitros deveriam poder comentar sobre suas decisões em podcasts, desde que não prejudiquem comissões.
Lutadores: evite álcool e festas durante o camp; o efeito negativo no treino dura dias e pode custar a luta.
Promotores: considere reduzir win bonuses e aumentar show money, com bônus extras para finalizações, para evitar que decisões ruins prejudiquem financeiramente os atletas.
Frases marcantes
"Você não pode fazer isso mais complicado para os árbitros e lutadores. É tão idiota. É a coisa mais idiota."
"Se você vai banir algo, banir chutes laterais no joelho? Então vamos banir chutes na cabeça e joelhadas na cabeça. O que é pior: o joelho estourado ou o cérebro estourado?"
"O corte de peso é a coisa mais nojenta do MMA. Em todo esporte, você tem chefs de equipe, nutricionistas. No MMA, você passa fome e se desidrata 24 horas antes da luta mais perigosa do mundo."
"Khabib nunca sangrou, nunca foi nocauteado, nunca foi seriamente machucado no octógono do UFC. Isso é loucura."
"O cérebro não tem terminações nervosas. Você não sente o dano até que seja tarde demais – dores de cabeça, sensibilidade à luz, irritabilidade."
"Herb Dean nunca xinga. Ele disse: 'Faça um raio-X dessa mãe.' E estava quebrado, os dois ossos."
Mencionados no episódio
Fedor Emelianenko - lutador de MMA russo, considerado um dos maiores de todos os tempos
Mirko Crocop - kickboxer e lutador de MMA croata, famoso pelo chute esquerdo
Khabib Nurmagomedov - ex-campeão peso-leve do UFC, invicto e dominante
Dan Cormier - ex-campeão do UFC, comentarista e parceiro de podcast de Josh Thompson
Herb Dean - árbitro lendário de MMA
Frank Mir - ex-campeão peso-pesado do UFC, conhecido por quebrar braços
Tim Sylvia - ex-campeão peso-pesado do UFC
Alexander Volkanovski - ex-campeão peso-pena do UFC
Ilia Topuria - atual campeão peso-pena do UFC
Justin Gaethje - lutador peso-leve do UFC, ex-campeão interino
Max Holloway - ex-campeão peso-pena do UFC
Conor McGregor - ex-campeão do UFC, conhecido por seu trash talk
Michael Johnson - lutador peso-leve do UFC
Edson Barboza - lutador peso-leve do UFC, famoso por seus chutes
Rico Verhoeven - kickboxer holandês, campeão do Glory
Oleksandr Usyk - boxeador ucraniano, campeão mundial dos pesados
Gable Steveson - medalhista de ouro olímpico em wrestling, prospecto do UFC
Francis Ngannou - ex-campeão peso-pesado do UFC
Dana White - presidente do UFC
Lorenzo Fertitta - ex-proprietário do UFC
Freddie Roach - técnico de boxe, ex-lutador
Eddie Futch - lendário técnico de boxe
Manny Pacquiao - boxeador filipino, ex-campeão mundial
Juan Manuel Marquez - boxeador mexicano
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