Dr Rachel Rubin: The Truth About HRT & Menopause Doctors Won't Tell Women | Dr Rachel Rubin
A urologista Dra. Rachel Rubin expõe como a medicina negligencia a saúde sexual feminina, desde a falta de ensino sobre o clitóris na formação médica até a subprescrição de hormônios vaginais que previnem infecções e melhoram o prazer. Ela oferece um guia prático sobre hormônios, dor no sexo, orgasmo e comunicação, defendendo que educação e acesso a tratamentos simples podem transformar a vida das mulheres.
Steven Bartlett (host do podcast)Dr. Rachel Rubin (urologista especializada em saúde sexual feminina)
Mais de 75% das mulheres não recebem prescrição de hormônios vaginais, apesar de serem genéricos, baratos e eficazes na prevenção de infecções urinárias e melhora do prazer sexual.
O clitóris não é ensinado na formação de obstetras e ginecologistas, e cerca de 23% das mulheres têm aderência clitoriana que, quando tratada, melhora a satisfação sexual em 60-70%.
A testosterona feminina cai drasticamente a partir dos 30 anos, e sua reposição (em doses 1/10 da masculina) melhora libido, excitação e orgasmo em mulheres na pós-menopausa.
Hormônios vaginais (estradiol ou DHEA) são seguros em qualquer idade, mesmo durante amamentação ou após câncer, e reduzem infecções urinárias em mais de 50%.
A maioria das mulheres não orgasmo com penetração; o orgasmo vem da estimulação clitoriana, e a educação sobre anatomia é essencial para corrigir o 'orgasm gap'.
O estresse, a falta de sono e o excesso de trabalho são os maiores bloqueadores modernos do desejo sexual, e agendar momentos de intimidade pode ser mais eficaz do que esperar espontaneidade.
A pílula anticoncepcional combinada pode reduzir a libido em até 27% ao suprimir a produção natural de testosterona pelos ovários.
A comunicação sobre sexo é tão importante quanto a biologia; casais que discutem abertamente preferências e desconfortos têm relações mais satisfatórias.
A negligência médica na saúde sexual feminina
A palavra 'clitóris' não consta na lista de verificação obrigatória para a formação de obstetras e ginecologistas em 2026.
Mulheres ricas e famosas (Melinda Gates, Oprah, Halle Berry) também são mal atendidas: Oprah teve palpitações cardíacas atribuídas a outras causas, quando era perimenopausa; Halle Berry foi diagnosticada erroneamente com herpes genital.
Apenas 1,7% das mulheres que deveriam receber terapia hormonal na menopausa realmente recebem prescrição.
O estudo Women's Health Initiative (início dos anos 2000) foi mal interpretado: afirmou que hormônios causavam câncer de mama e doenças cardiovasculares, mas os mesmos autores publicaram em 2025 que, abaixo dos 70 anos, não há risco aumentado.
A falta de treinamento médico leva a opiniões fortes sem base em dados: médicos frequentemente dizem 'não' por desconhecimento, em vez de admitir que não sabem.
A consulta médica típica de 10 minutos é insuficiente para abordar a complexidade da saúde hormonal e sexual feminina.
Hormônios femininos: o que muda em cada fase da vida
A testosterona feminina começa a cair na faixa dos 30 anos, muito antes da menopausa, afetando libido, excitação e orgasmo.
Na perimenopausa (35-45 anos), os sintomas incluem alterações de temperatura, fadiga, problemas de memória, olhos secos, dores articulares e alterações no ciclo menstrual.
A menopausa é definida como 12 meses consecutivos sem menstruação, idade média de 52 anos, mas os sintomas podem começar 10 anos antes.
O estrogênio na menopausa cai para níveis próximos de zero, afetando ossos, cérebro, coração e saúde sexual; é comparável a uma castração.
A progesterona cai na perimenopausa, podendo causar insônia e ansiedade; sua reposição pode melhorar o sono e reduzir a ansiedade.
A terapia hormonal pode incluir estrogênio sistêmico (para ondas de calor e osteoporose), progesterona (para proteger o útero), testosterona (para libido) e hormônios vaginais (para sintomas locais).
Hormônios vaginais: prevenção de UTIs e melhora do prazer
A síndrome geniturinária da menopausa (GSM) afeta a vagina e a bexiga devido à queda hormonal, causando ressecamento, dor, infecções urinárias e incontinência.
Hormônios vaginais (estradiol ou DHEA) mantêm o pH vaginal ácido, favorecendo bactérias boas e prevenindo infecções urinárias em mais de 50%.
O creme de estradiol (cerca de US$ 14 na farmácia de Mark Cuban) deve ser aplicado com o dedo, como protetor solar, duas vezes por semana, dentro da vagina.
Alternativas ao creme incluem comprimidos vaginais (aplicador), anel vaginal (trocado a cada 3 meses) e supositórios de DHEA (Intrarosa).
Hormônios vaginais são seguros em qualquer idade, mesmo durante amamentação, após câncer, AVC ou trombose, ao contrário dos hormônios sistêmicos.
A orientação de 'urinar após o sexo' e 'limpar de frente para trás' não tem base científica sólida; hormônios vaginais são a intervenção mais eficaz.
Dor durante o sexo: causas e soluções
Até 75% das mulheres relatam dor durante o sexo em algum momento da vida; 10-20% têm dor crônica; na menopausa, chega a quase 50%.
As causas incluem problemas de pele (eczema, condições autoimunes), tensão muscular do assoalho pélvico, problemas na coluna (nervos) e cicatrizes de endometriose.
O assoalho pélvico é composto por músculos que podem ficar tensos, causando dor na penetração e orgasmos fracos ou doloridos.
A fisioterapia pélvica pode ajudar a relaxar ou fortalecer esses músculos, melhorando a função sexual.
Mulheres com dor devem buscar um ginecologista ou urologista especializado em dor pélvica; pode ser necessário obter segunda opinião.
A falta de treinamento médico faz com que muitas mulheres sejam diagnosticadas erroneamente ou recebam orientações genéricas.
O orgasmo feminino e o 'orgasm gap'
Cerca de 20% das mulheres nunca têm orgasmo, contra menos de 1% dos homens.
A maioria das mulheres não orgasmo com penetração porque o clitóris é o principal órgão do prazer feminino, e ele está localizado externamente.
O clitóris tem cerca de 10.000 terminações nervosas e é análogo ao pênis em estrutura e função.
A aderência clitoriana (prepúcio grudado na glande) ocorre em cerca de 23% das mulheres; a liberação em consultório melhora orgasmo, excitação e satisfação em 60-70%.
O tempo médio de duração da penetração até o orgasmo masculino é de 5,5 minutos; para a maioria das mulheres, o orgasmo por penetração leva mais de 13-15 minutos, sendo raro.
Vibradores e estimulação clitoriana direta são ferramentas eficazes para fechar a lacuna do orgasmo.
Comunicação e educação sexual: a base para uma vida sexual satisfatória
A maioria dos casais não conversa sobre sexo; a falta de comunicação leva a suposições erradas e sofrimento desnecessário.
Perguntas como 'O que é um bom sexo para você?' e 'O que você gosta?' são fundamentais, mas raramente são feitas.
A educação sexual básica (anatomia, fisiologia) é quase inexistente; muitas mulheres não sabem onde fica o clitóris.
Homens frequentemente se preocupam com tamanho e desempenho do pênis, mas isso não está relacionado ao prazer feminino.
A pornografia mainstream retrata uma versão irreal do sexo, focada na penetração e no prazer masculino, contribuindo para expectativas irreais.
Conversas sobre sexo devem acontecer fora do quarto, em momentos neutros, como um 'debriefing' após o ato.
Bloqueadores modernos do desejo: estresse, tela e falta de tempo
O estresse crônico, a privação de sono e o excesso de trabalho são os maiores inibidores do desejo sexual na sociedade atual.
O 'dopamine drain' causado por telas e redes sociais reduz a capacidade de excitação e conexão com o parceiro.
Agendar sexo pode ser mais eficaz do que esperar espontaneidade; a sugestão é ter um 'date' trimestral dedicado à intimidade.
A espontaneidade é um mito romântico; na prática, a vida moderna exige planejamento para criar espaço para o sexo.
Problemas de autoimagem e baixa autoestima também bloqueiam o desejo; a Dra. Rubin incentiva as pacientes a se concentrarem em ser fortes, não magras.
Pílula anticoncepcional e outros medicamentos que afetam a libido
A pílula combinada (estrogênio + progestina) suprime a ovulação e reduz a produção natural de testosterona pelos ovários, podendo causar queda de libido em até 27% das usuárias.
Ao parar a pílula, os ovários 'acordam' e voltam a produzir estrogênio, progesterona e testosterona, o que pode restaurar o desejo.
Antidepressivos (especialmente ISRS) são conhecidos por causar disfunção sexual, incluindo baixa libido e atraso no orgasmo.
GLP-1s (Ozempic, Mounjaro) não têm estudos publicados sobre efeitos sexuais femininos, mas uma pesquisa não publicada da Dra. Rubin mostrou que 25% das usuárias relatam alterações (metade piora, metade melhora).
Medicamentos para acne e queda de cabelo também podem afetar os níveis hormonais e a função sexual.
A escolha do método contraceptivo deve considerar os efeitos colaterais sexuais; existem opções que não afetam tanto a testosterona.
Como encontrar um médico que entenda de saúde sexual feminina
A maioria dos médicos não foi treinada em saúde sexual feminina; é preciso buscar especialistas com interesse ativo no tema (urologistas ou ginecologistas especializados em dor pélvica ou sexualidade).
A Dra. Rubin recomenda obter segunda opinião, assim como se faria com um encanador.
Pergunte ao médico se ele se sente confortável em prescrever hormônios vaginais ou testosterona para mulheres; se houver hesitação, procure outro profissional.
A consulta deve incluir exame físico com explicação anatômica; a Dra. Rubin usa um espelho para mostrar à paciente suas próprias partes íntimas.
Levar o parceiro à consulta pode ajudar a desmistificar problemas e promover empatia.
Plataformas online como a farmácia de Mark Cuban (Cost Plus Drugs) oferecem cremes de estradiol a preços acessíveis (US$ 14).
Passos práticos
Se você tem mais de 35 anos e sente queda de libido, cansaço ou alterações de humor, considere avaliar seus níveis hormonais com um médico especializado.
Para prevenir infecções urinárias e melhorar o prazer sexual, use hormônios vaginais (estradiol ou DHEA) duas vezes por semana, conforme orientação médica.
Se sentir dor durante o sexo, procure um urologista ou ginecologista com experiência em dor pélvica; não aceite que 'é normal'.
Converse com seu parceiro sobre o que é um bom sexo para cada um, fora do momento íntimo, e faça um 'debriefing' após as relações.
Agende momentos de intimidade com seu parceiro, como um date trimestral, para criar espaço para a conexão.
Se estiver tomando pílula anticoncepcional e notar queda de libido, discuta com seu médico a possibilidade de trocar para um método que não afete a testosterona.
Examine seu clitóris com um espelho; se o prepúcio estiver aderido à glande, consulte um especialista para avaliar a necessidade de liberação.
Reduza o estresse e o tempo de tela antes de dormir para melhorar a qualidade do sono e, consequentemente, o desejo sexual.
Frases marcantes
"Estou cheia de raiva porque as pessoas estão limitando sua capacidade de ter ótimo sexo, ótimos relacionamentos e ótima saúde porque não têm acesso a todas as informações que poderiam."
"A palavra clitóris hoje em 2026 não existe na lista de verificação do que um obstetra-ginecologista precisa aprender em sua formação."
"Se você esfrega a coxa repetidamente, não vai ter um orgasmo. A penetração é assim para a maioria das mulheres."
"Hormônios vaginais são seguros para sua bisavó no asilo e para sua esposa que está amamentando. E previnem morte por infecção urinária."
"O que outro órgão na medicina deixamos falhar completamente antes de fazer algo? Não deixamos você ficar cego antes de dar óculos."
"Se você só tem penetração e sua parceira tem orgasmo toda vez em 5 minutos e meio, eu diria que há uma alta probabilidade de não ser real."
Mencionados no episódio
Melinda Gates (filantropa, mencionou dificuldade em obter terapia hormonal)
Oprah Winfrey (apresentadora, teve palpitações cardíacas mal diagnosticadas na perimenopausa)
Halle Berry (atriz, diagnosticada erroneamente com herpes genital quando era síndrome geniturinária da menopausa)
Women's Health Initiative (estudo dos anos 2000 que gerou medo infundado sobre terapia hormonal)
Mark Cuban Cost Plus Drug Company (farmácia online que vende creme de estradiol por US$ 14)
Intrarosa (supositório vaginal de DHEA aprovado pela FDA)
Spicer (aplicativo para casais explorarem preferências sexuais)
Heated Rivalry (série da HBO sobre dois jogadores de hóquei gays, citada como exemplo de pornografia feminina)
GLP-1s (Ozempic, Mounjaro) – medicamentos para perda de peso com potenciais efeitos sexuais não estudados
American Urological Association (entidade que publicou diretrizes sobre hormônios vaginais)