[ESPECIAL] INVADIMOS OMAHA PARA ENTENDER WARREN BUFFET: VIMOS O FIM DE UMA ERA | Berkshire Hathaway
Episódio especial do Stock Pickers cobrindo a reunião anual de acionistas da Berkshire Hathaway de 2026 em Omaha, com a primeira edição sem Warren Buffett no comando (substituído por Greg Abel). O time explora a cidade, a cultura do evento, a transição de liderança e discute o futuro da Berkshire e as lições para investidores brasileiros.
Lucas (Stock Pickers) – host e repórterFernando (Stock Pickers) – co-host e repórterPedro Gonzaga – gestor da MantaroCésar Paiva – gestor da Real Investor
O público da reunião caiu de 40.000 (recorde em 2025) para 25-30.000 em 2026, refletindo a ausência de Buffett e a perda de 'magia'.
Greg Abel é mais operacional e rigoroso que Buffett, prometendo melhorar a eficiência das subsidiárias (ex: BNSF e GEICO), mas ainda não provou capacidade de grandes alocações de capital.
Buffett usou o exemplo de Tim Cook (Apple) para tranquilizar acionistas: um executivo pode suceder um gênio e multiplicar o valor da empresa.
A cultura americana de investimento em ações contrasta fortemente com a brasileira, onde a renda fixa alta e o curtoprazismo dominam.
A Berkshire se alavanca de forma inteligente via float de seguros (1/3 do resultado), sem pagar juros, desde que o risco seja bem controlado.
O evento de 2026 teve menos improviso e mais roteiro, com perguntas combinadas e uso de slides – diferente dos anos anteriores.
Apesar da transição, a filosofia central (paciência, círculo de competência, disciplina) permanece, e o Brasil oferece oportunidades únicas para investidores value.
A venda de produtos licenciados (como pelúcias do Charlie Munger) está se tornando rara, indicando que o legado dos fundadores está sendo gradualmente substituído.
Chegada a Omaha e primeiras impressões
A equipe voou de São Paulo a Atlanta (9h) e depois para Omaha (2h), totalizando mais de 8.785 km de distância.
Omaha é uma cidade pacata de ~490.000 habitantes, arborizada, com casarões e placa de boas-vindas com trens históricos.
Buffett mora na mesma casa desde 1958, comprada por US$ 31.500, hoje avaliada em ~US$ 1,4 milhão – apesar de seu patrimônio de ~US$ 140 bilhões.
A casa fica em um bairro tradicional americano, com portão fechado (único da rua), e tudo que Buffett frequenta está num raio de 5 km.
O escritório da Berkshire Hathaway fica no Blackstone Plaza, um prédio simples e discreto, sem ostentação.
O Old Market é o centro histórico, preservado desde o século XIX, com ruas de paralelepípedo originais e lojas de antiguidades.
Os hábitos alimentares de Warren Buffett
Buffett vai ao McDonald's quase todos os dias; quando o mercado está ruim, pede dois McMuffins de salsicha (US$ 5,55); quando está bom, pede um sanduíche de bacon, ovo e queijo (US$ 6,90).
No almoço, frequenta o restaurante Gorat's, onde pede uma salada Steak House Wedge (US$ 15) – alface, molho blue cheese e gorgonzola envelhecida em caverna.
O prato principal favorito é um T-bone gigante com hash browns (batata ralada no forno).
Sobremesa no Dairy Queen (comprado por US$ 585 milhões em 1997): The Original Blizzard (massa de cookie), menor tamanho disponível.
Buffett também consome See's Candies (comprada em 1972) – especialmente o peanut brittle (caramelo salgado com amendoim), que ele e Munger comiam no palco durante as reuniões.
A dieta é descrita como 'de uma criança de 6 anos' e surpreende pela longevidade do investidor (95 anos).
A feira de empresas investidas (Berkshire Hathaway Annual Meeting)
O evento reúne stands de subsidiárias de capital fechado: See's Candies, Oriental Trading, Brooks Running, Justin Boots, Fruit of the Loom, Pilot (posto para caminhoneiros), Borsheims (joalheria), Clayton Homes (casas pré-fabricadas), NetJets (jatos compartilhados), Dairy Queen, GEICO, etc.
See's Candies vende embalagens especiais para a feira, incluindo o 'Warren's Favorite' (peanut brittle).
Borsheims vende mais joias durante os dois dias da feira do que no Natal; em 2025 foi recorde histórico, mas em 2026 o movimento caiu.
Clayton Homes expõe casas prontas: dois dormitórios por US$ 200.000, três por ~US$ 210.000.
NetJets exibe uma réplica do Citation Excel (Cessna) em tamanho real; a Embraer fornece o Phenom 300E para a frota.
Produtos licenciados com a imagem de Charlie Munger estão cada vez mais raros; Greg Abel tem menos produtos que Buffett.
A loja da Brooks Running vende tênis de corrida tecnológicos por US$ 180; a Oriental Trading tem itens de US$ 3 (lip balm) a US$ 60 (puffer jacket).
A transição de liderança: Greg Abel assume
Greg Abel conduziu a reunião de 2026 como CEO, com Buffett apenas fazendo uma breve aparição no início.
Abel é mais operacional e rigoroso que Buffett: prometeu melhorar a eficiência de subsidiárias como BNSF (ferrovia) e GEICO (seguros).
Na BNSF, Abel mostrou que a empresa era a 5ª em eficiência entre as 6 principais ferrovias dos EUA, e cobrou a CEO publicamente.
Na GEICO, a rentabilidade melhorou após choque de custos, mas a empresa perdeu market share ano após ano; Abel quer equilibrar rentabilidade e crescimento.
Buffett elogiou Abel: 'Em um dia, ele faz mais do que eu fazia em uma semana, mesmo nos meus melhores dias.'
A primeira pergunta da plateia foi de um 'Buffett IA' de 95 anos, perguntando se podia ficar tranquilo com a sucessão – Abel reforçou a cultura e a fortaleza da Berkshire.
A reunião teve menos improviso e mais roteiro: perguntas combinadas, slides e vídeos – diferente dos anos anteriores.
Queda de público e mudança de atmosfera
O público estimado caiu de 40.000+ (2025) para 25-30.000 (2026).
A fila para entrar no CHI Center era menor: primeiros colocados chegaram às 2h15 da manhã (vs. 1h30 em 2025).
A arena não lotou; o último anel ficou vazio e as salas de transbordo (overflow rooms) estavam desertas.
A palavra 'melancólico' foi usada por vários participantes para descrever o clima.
Investidores de longo prazo (alguns há 27 anos) mostraram sentimentos mistos: alguns confiantes na filosofia, outros 'pagando para ver' com desconfiança.
A venda de produtos licenciados caiu; itens do Charlie Munger estão se tornando raros.
Lições de investimento e filosofia Buffett
Buffett reforçou a importância de paciência combinada com decisão: 'espere a oportunidade e aja com arrojo quando ela aparecer'.
O float de seguros (1/3 do resultado da Berkshire) é uma fonte de alavancagem barata: o prêmio recebido pode ser investido antes de pagar sinistros, desde que o risco seja bem controlado.
Ajit Jain (head de seguros) disse que seu principal trabalho é 'dizer não' – recusar a maioria das oportunidades e aceitar apenas as excepcionais.
Buffett usou o exemplo de Tim Cook (Apple) para mostrar que um executivo competente pode suceder um gênio e multiplicar o valor da empresa (Apple cresceu 10x desde a morte de Jobs).
A filosofia central (círculo de competência, disciplina, longo prazo) permanece inalterada, mas a execução pode melhorar com Abel.
O evento de 2026 foi mais focado em operações e menos em lições de vida – diferente dos anos anteriores com Buffett e Munger.
Comparação cultural: Brasil vs. EUA
Nos EUA, a maioria dos participantes do evento são investidores individuais comuns, não profissionais do mercado financeiro.
No Brasil, a cultura de investimento em ações é muito menor; a renda fixa alta (14-15% ao ano) desestimula a bolsa.
O curtoprazismo e o 'vício em dopamina' dominam o investidor brasileiro, enquanto nos EUA há mais paciência e visão de longo prazo.
A indústria de gestão ativa no Brasil encolheu mais de 80% desde 2020, com patrimônio estimado em ~R$ 100 bilhões.
César Paiva e Pedro Gonzaga reforçam que, apesar do cenário difícil, há oportunidades no Brasil para quem segue a filosofia value com disciplina.
A deterioração institucional nos EUA (polarização) pode estar gerando um fluxo de diversificação para mercados como o Brasil, criando oportunidades.
Perspectivas para o Brasil e o resto de 2026
O Banco Central brasileiro pode ter um ciclo de corte de juros mais curto que o esperado, com eleições se aproximando.
Há um fluxo maior de investidores estrangeiros para o Brasil, muitas vezes via investimento passivo em empresas líquidas (ex: Petrobras beneficiada pelo petróleo a US$ 110-120).
Pedro Gonzaga vê oportunidades únicas no Brasil devido à resiliência das empresas e à deterioração institucional nos EUA.
César Paiva mantém a disciplina de 'comprar boas empresas a bons preços', sem se deixar levar por modismos (petróleo, estrangeiros).
Ambos concordam que a filosofia Buffett (paciência, círculo de competência) continua válida e que o Brasil oferece boas oportunidades para investidores value.
Passos práticos
Visite Omaha durante a reunião anual da Berkshire para vivenciar a cultura de investimento americana.
Experimente os mesmos lugares frequentados por Buffett: McDonald's (pedido varia com o mercado), Gorat's (salada Wedge e T-bone), Dairy Queen (Blizzard) e See's Candies (peanut brittle).
Para investidores: estude o modelo de float de seguros da Berkshire como fonte de alavancagem barata.
Aplique a lição de Ajit Jain: aprenda a dizer 'não' para a maioria das oportunidades e espere as excepcionais.
No Brasil, mantenha disciplina e foco em boas empresas a preços justos, ignorando o curtoprazismo e a renda fixa alta.
Acompanhe a transição de liderança na Berkshire: observe se Greg Abel conseguirá melhorar a eficiência operacional sem perder a essência da alocação de capital.
Participe de eventos de acionistas para reforçar a filosofia de longo prazo e renovar o compromisso com a disciplina.
Frases marcantes
"A Berkshire não muda como um todo, a filosofia é a mesma e não vai morrer."
"O principal trabalho de Ajit Jain é dizer 'não' – recusar a maioria das oportunidades e aceitar apenas as excepcionais."
"Em um dia, Greg Abel faz mais do que eu fazia em uma semana, mesmo nos meus melhores dias."
"O problema é que no mercado financeiro tem a igreja e tem um cassino do lado. O cassino muitas vezes é muito mais interessante."
"A gente não aprende tantas coisas novas, mas a gente reforça muito dessas coisas antigas."
"A cultura americana de investimento em ações contrasta fortemente com a brasileira, onde a renda fixa alta e o curtoprazismo dominam."
Mencionados no episódio
Warren Buffett – investidor, CEO da Berkshire Hathaway
Charlie Munger – vice-presidente da Berkshire (falecido)
Greg Abel – novo CEO da Berkshire Hathaway
Ajit Jain – head de seguros da Berkshire
Tim Cook – CEO da Apple
Steve Jobs – co-fundador da Apple
Benjamin Graham – autor de 'O Investidor Inteligente'
Berkshire Hathaway – conglomerado de investimentos
See's Candies – marca de doces (investida da Berkshire)
Dairy Queen – rede de fast food (investida da Berkshire)
GEICO – seguradora (investida da Berkshire)
BNSF – ferrovia (investida da Berkshire)
NetJets – operadora de jatos compartilhados (investida da Berkshire)
Borsheims – joalheria (investida da Berkshire)
Clayton Homes – casas pré-fabricadas (investida da Berkshire)
Brooks Running – marca de tênis (investida da Berkshire)
Oriental Trading – loja de produtos variados (investida da Berkshire)
Justin Boots – botas de couro (investida da Berkshire)
Fruit of the Loom – roupas (investida da Berkshire)
Pilot – posto para caminhoneiros (investida da Berkshire)
McDonald's – rede de fast food
Gorat's – restaurante em Omaha
CHI Center – arena do evento em Omaha
Old Market – centro histórico de Omaha
Blackstone Plaza – prédio do escritório da Berkshire