Gad Saad discute seu novo livro 'Suicidal Empathy', explicando como a empatia desregulada pode levar a decisões irracionais e autodestrutivas. Ele contrasta com seu livro anterior 'The Parasitic Mind', que focava em ideias que sequestram o pensamento racional. A conversa aborda exemplos atuais de 'empatia suicida', a situação geopolítica do Oriente Médio, críticas ao lobby israelense e a influência de ideologias nas universidades.
Joe Rogan - apresentador do podcastGad Saad - professor de marketing e autor libanês-canadense
Empatia suicida é quando a empatia é hiperativa, direcionada a alvos errados, levando a decisões que prejudicam a si mesmo ou à sociedade.
O conceito de 'cricket de madeira' ilustra como um parasita neural pode anular o instinto de sobrevivência, análogo à forma como ideias podem sequestrar a mente.
O relativismo cultural é uma ideia parasitária que prepara o terreno para a empatia suicida, como apoiar políticas de fronteiras abertas sem considerar a assimilação.
A falta de 'teoria da mente cultural' faz com que valores ocidentais como generosidade sejam interpretados como fraqueza por outras culturas.
O islamismo, diferentemente do judaísmo, é uma religião expansionista e proselitista, o que contribui para tensões geopolíticas.
A influência do lobby israelense na política americana é real, mas não é única; outros países também financiam universidades e influenciam políticas.
O antissemitismo muitas vezes se disfarça de antissionismo, e a crítica a Israel pode ser motivada por ódio aos judeus, não apenas por preocupações humanitárias.
A solução para conflitos no Oriente Médio passa por uma reforma interna do Islã, permitindo uma versão 'cafeteria' da religião, como muitos judeus e cristãos praticam.
Introdução e conceito de empatia suicida
Gad Saad lança o livro 'Suicidal Empathy', que explora como a empatia mal direcionada pode ser autodestrutiva.
O livro é uma continuação de 'The Parasitic Mind', que focava em ideias que sequestram o pensamento racional.
Saad explica que, para 'zumbificar' alguém, é preciso sequestrar tanto o sistema cognitivo quanto o afetivo; a empatia suicida sequestra o afetivo.
A metáfora do 'cricket de madeira' é usada: um inseto que, parasitado por um verme cerebral, comete suicídio pulando na água para o verme completar seu ciclo reprodutivo.
Saad não condena a empatia em si, mas sim o excesso ou a aplicação em contextos errados, seguindo a 'média dourada' de Aristóteles.
Exemplos recentes de empatia suicida incluem um juiz que se desculpou com o atirador de Trump por más condições na cela, e uma vítima de estupro que se preocupava com o bem-estar do agressor após a deportação.
Outro exemplo: uma mulher queer que apoia o Hamas, mesmo sabendo que o grupo a mataria por sua orientação sexual.
Relativismo cultural e teoria da mente cultural
O relativismo cultural é uma ideia parasitária que impede julgamentos sobre práticas de outras culturas, como casamento infantil ou mutilação genital feminina.
Isso leva à empatia suicida de apoiar fronteiras abertas sem exigir assimilação, resultando em comunidades isoladas que não se integram.
Saad introduz o conceito de 'teoria da mente cultural': a suposição errônea de que os valores de uma cultura são processados da mesma forma por outra.
Valores ocidentais como magnanimidade e bondade são frequentemente interpretados como fraqueza em outras culturas.
Cita o ditado árabe 'o Ocidente é uma mulher a ser montada' como exemplo de como a generosidade é vista como vulnerabilidade.
A falta de teoria da mente cultural leva a políticas externas ingênuas, como a tentativa de impor democracia no Iraque sem entender as divisões sectárias.
História pessoal de Gad Saad e visão sobre o Islã
Saad nasceu no Líbano em 1964, em uma família judia. Durante a guerra civil, seus pais foram sequestrados pelo grupo de Abu Nidal.
Sua mãe foi torturada psicologicamente, sendo informada de que seu marido havia sido morto, mas ele sobreviveu.
Saad argumenta que o Islã, diferentemente do judaísmo, é uma religião expansionista e proselitista, com o objetivo de converter o mundo todo.
O judaísmo é antimissionário e dificulta a conversão, enquanto no Islã basta recitar a Shahada para se converter, mas a apostasia é punida com a morte.
Isso explica por que há 2 bilhões de muçulmanos no mundo, contra apenas 15 milhões de judeus.
Saad defende que o Islã precisa de uma reforma interna, permitindo uma versão 'cafeteria' da religião, onde os fiéis possam escolher quais preceitos seguir.
Geopolítica do Oriente Médio: Irã, Iraque e ISIS
Joe Rogan critica a intervenção dos EUA no Irã e no Iraque, argumentando que a derrubada de Mossadegh em 1953 levou ao regime aiatolá.
Rogan também menciona a Líbia, onde a intervenção da OTAN transformou o país em um Estado falido.
Saad contrapõe que, embora os EUA tenham erros, a responsabilidade principal pelas atrocidades é dos regimes locais, como o ISIS.
Saad usa o exemplo de uma criança que rouba pão sob a Sharia: seus pais não culpariam os EUA, mas sim o ISIS que está cortando a mão da criança.
Rogan insiste que a motivação dos EUA no Iraque foi o petróleo, não a democracia, e que a narrativa de armas de destruição em massa foi fabricada.
Saad reconhece que os EUA agem em seu próprio interesse, mas argumenta que são mais contidos do que outras potências históricas.
China vs. EUA: influência e hipocrisia
Rogan aponta que a China não invade outros países como os EUA, mas usa táticas como comprar terras ao redor de bases militares americanas.
Saad responde que a China é mais dissimulada ('honey and nest nasty'), usando uma abordagem diferente para exercer poder.
A China se aproveita da abertura da sociedade americana para infiltrar universidades e setores de tecnologia.
Rogan critica a falta de reciprocidade: nos EUA, chineses podem comprar propriedades, mas na China, empresas americanas são expropriadas.
Saad defende que os EUA, apesar de seus defeitos, são uma anomalia histórica em termos de liberdades, e que imigrantes como ele valorizam isso mais que os nativos.
Antissemitismo e o lobby israelense
Saad argumenta que o antissemitismo é frequentemente mascarado como antissionismo, e que a crítica a Israel muitas vezes tem raízes em ódio aos judeus.
Ele cita a teoria de Amy Chua sobre 'minorias dominantes no mercado': grupos pequenos e bem-sucedidos geram inveja e animosidade.
Thomas Sowell respondeu que o antissemitismo só acabará quando os judeus pararem de ter sucesso.
Rogan questiona a influência desproporcional do lobby israelense na política americana, como candidatos a prefeito de Nova York que prometem visitar Israel.
Saad reconhece que o lobby israelense é eficaz, mas aponta que outros países (Catar, Arábia Saudita) também financiam universidades americanas para influenciar o discurso.
Ele critica a dupla moral: as mesmas pessoas que criticam o lobby israelense ignoram a influência de países islâmicos nas universidades.
Universidades e doutrinação
Saad afirma que departamentos de Estudos do Oriente Médio e Ciência Política em universidades como Harvard e Columbia são fortemente influenciados por financiamento de países do Golfo.
Isso resulta em uma visão unilateral pró-Palestina, com estudantes usando keffiyeh e impedindo judeus de frequentar aulas.
Ele cita Edward Said, professor em Columbia, como exemplo de acadêmico que promoveu uma visão anti-Israel.
Saad conta que, ao considerar a Universidade de Austin (sem tenure), questionou o que aconteceria se recebessem uma doação de um sheik exigindo sua demissão.
Sua posição na Universidade do Mississippi inclui uma cláusula contratual que protege sua liberdade de expressão, mesmo sem tenure.
Rogan concorda que tenure é essencial para a liberdade acadêmica, mas questiona se a reação pró-Palestina não é uma resposta direta às imagens da destruição em Gaza.
Debate sobre a resposta de Israel em Gaza
Rogan observa que o sentimento anti-Israel nos EUA aumentou drasticamente após a resposta de Israel ao ataque de 7 de outubro.
Saad contra-argumenta que o antissemitismo já existia antes, citando o ódio que ele próprio sofre online (chamado de parasita, pedófilo, etc.).
Rogan insiste que muitas pessoas que nunca se importaram com Israel agora estão indignadas com as imagens de Gaza e do sul do Líbano.
Saad pergunta por que essas mesmas pessoas não se indignam com as 600.000 mortes na Síria ou com as mortes no Iêmen e no Sudão.
Rogan chama isso de 'whataboutism', mas Saad defende que é uma questão de consistência moral: se a indignação é seletiva, pode haver um viés antissemita subjacente.
Saad conclui que, embora a crítica a políticas específicas de Israel seja legítima, grande parte do sentimento anti-Israel é alimentado por ódio aos judeus.
Passos práticos
Leia 'Suicidal Empathy' de Gad Saad para entender como a empatia mal direcionada pode levar a decisões irracionais.
Questione suas próprias reações emocionais a eventos globais: você está sendo consistente em sua indignação ou há um viés seletivo?
Ao avaliar conflitos geopolíticos, considere tanto as causas imediatas quanto as históricas, sem cair em simplificações como 'tudo é culpa dos EUA' ou 'tudo é culpa do Islã'.
Examine as fontes de financiamento de departamentos universitários para entender possíveis vieses no ensino.
Pratique a 'teoria da mente cultural': ao interagir com pessoas de outras culturas, não assuma que seus valores são universais.
Apoie reformas dentro do Islã que permitam uma prática mais moderada e individualizada, similar ao que muitos judeus e cristãos fazem.
Frases marcantes
"Empatia suicida é quando você é tão empático que acaba prejudicando a si mesmo ou à sociedade."
"O Ocidente é uma mulher a ser montada — essa é a visão de muitas culturas sobre nossa generosidade."
"Se os judeus parassem de ter sucesso, o antissemitismo acabaria. — Thomas Sowell"
"A China tem maior 'honey and nest nasty' — eles acariciam você de um lado enquanto tomam do outro."
"O Islã é uma religião expansionista: o objetivo é que todo o globo se una sob a bandeira de Alá."
"Se você só se indigna com mortes em Gaza, mas não com as 600.000 na Síria, talvez o problema não sejam as mortes."
Mencionados no episódio
Suicidal Empathy - livro de Gad Saad sobre empatia mal direcionada
The Parasitic Mind - livro anterior de Gad Saad sobre ideias que sequestram o pensamento
Wood cricket (cricket de madeira) - inseto parasitado por verme cerebral, metáfora central do livro
Abu Nidal - líder do grupo Fatah que sequestrou os pais de Saad
Hafez al-Assad - ex-presidente da Síria, envolvido na libertação dos pais de Saad
Yasser Arafat - líder da OLP na época do sequestro
Amy Chua - autora de 'Tiger Mom', cunhou o termo 'minoria dominante no mercado'
Thomas Sowell - economista e intelectual, citado sobre antissemitismo
Edward Said - professor em Columbia, crítico de Israel
University of Austin - nova universidade sem tenure que Saad considerou
University of Mississippi - nova instituição de Saad, com cláusula de liberdade de expressão
Concordia University - universidade de Saad em Montreal, onde enfrentou protestos
Al Arabiya - rede de notícias saudita que entrevistou Saad
Glenn Greenwald - jornalista citado por Rogan sobre intervenção dos EUA
Bill Maher - apresentador que debateu com Greenwald sobre causas do terrorismo
Mondaire Jones - candidato a prefeito de NY que não prometeu visitar Israel
Andrew Cuomo - ex-governador de NY que prometeu visitar Israel
Jamal Khashoggi - jornalista assassinado na Arábia Saudita
Mao Zedong - líder chinês responsável por milhões de mortes
One-child policy - política chinesa de controle populacional