EXCLUSIVE - Vice President JD Vance: They Tricked Me About Donald Trump, But Everything Changed!
O vice-presidente dos EUA, JD Vance, conta sua trajetória pessoal — de uma infância marcada por instabilidade e pobreza em Ohio até o cargo mais alto do país — e explica como sua visão sobre Donald Trump mudou radicalmente. Ele aborda imigração, a guerra com o Irã, o acordo nuclear, a relação com Israel, inteligência artificial, fé e os desafios de criar os filhos sob proteção do Serviço Secreto.
Steven Bartlett (host, empreendedor e apresentador do Diary of a CEO)JD Vance (vice-presidente dos EUA, ex-senador, autor de 'Hillbilly Elegy')
Vance passou de crítico ferrenho de Trump (chamou-o de 'Hitler americano' em 2016) a seu vice-presidente, por acreditar que Trump estava certo sobre instituições disfuncionais e que ele próprio estava errado.
A infância caótica de Vance — com pai ausente, mãe viciada e avó como figura estabilizadora — moldou seu ceticismo e sua empatia, mas também gerou um estilo de apego evitativo que ele precisou superar no casamento.
Vance defende que a imigração deve ser lenta e controlada para permitir integração, e que a divisão social não é causada por políticos, mas pela mudança populacional rápida demais.
A guerra com o Irã teve como objetivo principal degradar o poder militar convencional iraniano, não derrubar o regime, e o acordo de paz inclui abertura do Estreito de Ormuz, inspeções nucleares e alívio de sanções em troca do fim do programa nuclear.
Vance não confia em nenhum país, inclusive Israel e Reino Unido, e vê os EUA como o 'sócio sênior' — Netanyahu é descrito como 'difícil' e com interesses nem sempre alinhados aos americanos.
Sobre IA, Vance teme mais a desigualdade e a vigilância em massa do que o desemprego em massa, e defende a 'pré-distribuição' (dar poder de barganha aos trabalhadores) em vez de redistribuição posterior.
Vance voltou ao cristianismo após perceber que sua obsessão por conquistas e status não o tornava uma pessoa boa ou feliz, e que os exemplos de virtude que admirava vinham de cristãos praticantes.
O maior custo pessoal de ser vice-presidente foi para seu filho mais velho, que odiou a atenção e a perda de normalidade — Vance chegou a sentir que 'arruinou a vida' do filho sem perguntar.
Infância e formação: instabilidade, avó como âncora e o ciclo de pobreza
Vance foi criado em Middletown, Ohio, por uma família da classe trabalhadora; sua avó materna (Mamaw) deixou a escola aos 13 anos e engravidou aos 13, casando-se com o avô de 16 anos.
Sua mãe, Bev, teve três maridos e vários namorados; Vance descreve uma 'porta giratória de figuras paternas' — o pai biológico o colocou para adoção, e o padrasto legal (Robert Hamill) sumiu quando ele tinha 12 anos.
A avó foi a figura estabilizadora: 'Ela era ao mesmo tempo uma figura materna e paterna', extremamente dura — certa vez ameaçou atropelar um amigo de Vance que o estava influenciando mal e disse que 'ninguém nunca descobriria'.
A mãe de Vance lutou contra o vício em opioides e heroína por anos, quase levando os avós à falência; ela está limpa e sóbria há 11 anos.
Vance acredita que o fator decisivo para crianças de ambientes traumáticos terem sucesso é ter pelo menos uma pessoa âncora (avó, professor, etc.) — ele teve a avó.
O caos doméstico incluía brigas com objetos sendo atirados; Vance achava aquilo normal até adulto, quando percebeu o quão disfuncional era.
Ele desenvolveu um estilo de apego evitativo: 'Sempre assumi que as pessoas iam embora. No casamento, por anos eu pensava: 'isso não vai durar'.'
Vance nunca fez terapia de casal, mas diz que sua esposa Usha, criada em um lar estável, o ajudou a aprender a ter conversas racionais em vez de ameaçar terminar.
A mudança de visão sobre Trump: de 'Hitler americano' a vice-presidente
Em 2016, Vance escreveu no The Atlantic que Trump era 'heroína cultural' e oferecia 'soluções simples para problemas complexos'; em mensagem privada a um colega de quarto, chamou Trump de 'cínico' ou 'Hitler americano'.
Vance admite que estava errado: 'Achei que Trump seria um presidente fracassado. Não foi. Achei que as instituições americanas funcionavam. Não funcionavam.'
O que mudou sua opinião foi ver Trump de fora: ele votou em Trump em 2020, antes de qualquer relação pessoal, porque concluiu que Trump estava certo sobre a desconfiança nas lideranças militares e instituições.
Depois de eleito senador em 2022 (com apoio de Trump), Vance se aproximou do presidente durante o descarrilamento de trem em East Palestine, Ohio.
Trump o escolheu como vice em 2024: ligou no dia 13 de julho, horas após o atentado contra Trump na Pensilvânia; Vance não atendeu, retornou e Trump brincou: 'Você perdeu uma ligação muito importante. Vou ter que escolher outra pessoa.'
Vance descreve Trump como 'muito caloroso, generoso, adora dar presentes' e 'muito mais multidimensional do que a mídia mostra'.
Ele refuta a narrativa de que Trump seja pouco inteligente: 'Se você der a Trump um teste de QI com os outros 45 presidentes, ele estaria no topo ou perto do topo.'
Imigração: controle, integração lenta e a crítica à demonização
Vance critica a política de imigração de Biden como 'profundamente perigosa', mas diz que não odeia Kamala Harris por isso — 'ela cometeu um erro grave'.
Ele defende que a imigração deve ser lenta para permitir integração: '100 pessoas mudando-se para uma comunidade é diferente de 10. Mudança rápida demais gera divisão inevitável.'
Vance afirma que a divisão não é causada por políticos que 'demonizam' imigrantes, mas pela mudança populacional acelerada; os políticos apenas articulam um sentimento existente.
Sobre a frase de Trump sobre 'estupradores e assassinos' mexicanos: Vance diz que Trump se referia a países que 'incentivam prisioneiros a vir para os EUA' e que a mídia tirou de contexto.
Vance argumenta que é legítimo querer que o vizinho fale inglês: 'Não é racismo, é querer poder conversar com quem divide sua comunidade.'
Ele diferencia sua abordagem: 'Quando falo de imigração, demonizo a liderança que ignora as consequências, não os imigrantes.'
Vance reconhece que a migração forçada por sobrevivência é compreensível, mas acredita que a maioria das decisões migratórias não é tão extrema — e que o amor ao país deve ir além de oportunidades econômicas.
Guerra com o Irã e o acordo nuclear: objetivos, negociações e o papel de Israel
O objetivo primário da campanha militar dos EUA contra o Irã foi 'degradar o poder militar convencional iraniano', não derrubar o regime ou provocar uma revolta popular.
Vance afirma que o presidente Trump sempre foi contra a guerra do Iraque (desde 2003) e que aprendeu com aquele erro: 'Definir o objetivo de forma estreita, cumpri-lo e depois ver onde estamos.'
O acordo de paz (anunciado em 14 de junho de 2025, data da gravação) é um term sheet com três pilares: (1) abertura imediata do Estreito de Ormuz, com desminagem e fim dos ataques iranianos; (2) Irã entrega seu estoque de material altamente enriquecido e aceita inspeções de longo prazo da AIEA; (3) em troca, os EUA removem sanções e reintegram o Irã na economia global.
Vance admite que há ceticismo legítimo (Trump já anunciou 'dezenas de acordos falsos'), mas garante: 'Este é real. Eles concordaram com o term sheet.'
Sobre a verificação nuclear: 'Temos uma noção muito boa do que acontece no Irã. Vamos trabalhar juntos — Irã, EUA e AIEA — para destruir o material.'
Vance minimiza o risco de o Irã reconstruir o programa: 'O programa nuclear foi completamente destruído. O acordo impede a reconstrução com verificações.'
Sobre Israel: Vance diz que EUA e Israel têm 'interesses diferentes' e que Netanyahu é 'um cara muito difícil'. Trump teria ligado para Netanyahu furioso por um ataque israelense meia hora antes da assinatura do acordo.
Vance não confia em Netanyahu nem em nenhum líder: 'Não confio em ninguém. Somos a superpotência mundial, eles são o sócio júnior.'
Ele rejeita a ideia de que Israel queira transformar o Irã em uma 'Líbia persa' — isso não seria do interesse dos EUA.
Serviço militar e a desilusão com a Guerra do Iraque
Vance alistou-se no Corpo de Fuzileiros Navais em 2003, motivado pelo 11 de setembro e pelo desejo de 'responder ao chamado' como a geração da Segunda Guerra Mundial.
Ele serviu no Iraque de 2005 a 2006 como jornalista de combate (sua especialidade no Corpo de Fuzileiros).
Vance ainda está 'genuinamente irritado' com George W. Bush por ter usado o 'reservatório patriótico' dos jovens americanos para uma guerra baseada em informações erradas.
Ele acredita que a guerra do Iraque 'esgotou' esse reservatório patriótico: 'Aposto que o número de jovens americanos que dizem que morreriam pelo país em 2026 é muito menor do que em 2003.'
Vance critica a analogia de Saddam Hussein com Hitler: 'Ele não era. Líderes não devem se aproveitar da boa vontade dos cidadãos.'
Inteligência Artificial: desigualdade, vigilância e o mito do desemprego em massa
Vance é menos pessimista sobre desemprego em massa do que CEOs de IA como Sam Altman e Elon Musk — ele acredita que o medo é, em parte, 'marketing viral' para mostrar que o produto é poderoso.
Ele critica a narrativa de que a automação causou a perda de empregos industriais nos EUA: 'A verdade é que houve muito crescimento de empregos manufatureiros, só que não nos EUA — foi terceirização e imigração, não tecnologia.'
Vance prevê que a IA tornará as pessoas mais produtivas, alguns empregos mudarão, mas não haverá desemprego em massa — o perigo real é a desigualdade extrema.
Ele cita a Revolução Industrial: não houve desemprego em massa, mas os ricos ficaram muito mais ricos, gerando fascismo e comunismo na Europa.
Vance defende a 'pré-distribuição': dar aos trabalhadores poder de barganha (via sindicatos ou participação acionária) antes que a riqueza se concentre, em vez de redistribuir depois.
Ele vê a IA como potencial 'tecnologia comunista' por permitir vigilância em massa e sistemas de crédito social opacos — isso o preocupa mais do que o desemprego.
Vance menciona que Trump gosta da ideia de os trabalhadores terem participação em empresas de IA, ecoando proposta de Bernie Sanders de 50% de propriedade para o povo.
Fé e o retorno ao cristianismo: de ateísmo arrogante à conversão
Vance foi criado em um lar evangélico não praticante ('sem igreja'), mas acreditava em Deus quando adolescente; na faculdade e no início da vida adulta, tornou-se 'ateu raivoso' que ridicularizava religiosos.
O ateísmo serviu sua ambição: 'Eu queria subir na vida, ter credenciais, dinheiro, prestígio. O ateísmo era a filosofia perfeita para isso.'
Aos 28 anos, mesmo tendo 'vencido todas as competições' (Yale Law School, namorada linda, carreira promissora), percebeu que não era feliz nem bom — era um namorado caótico que ameaçava terminar a cada briga.
Ele começou a observar as pessoas que admirava: 'Eram cristãos. Sua fé os motivava a tratar bem os outros e a ter força de caráter.'
A redescoberta da fé foi primeiro intelectual, depois emocional e prática; ele foi batizado quando adulto.
Vance leva a esposa (não cristã) e os três filhos à igreja todo domingo; ela é 'notavelmente paciente' com isso.
Ele critica o ateísmo como 'uma forma de religião com o mesmo nível de certeza' e se identifica mais com o agnosticismo de Steven Bartlett, que acha 'arrogante dizer que sabe'.
Os custos pessoais do cargo: filhos, Serviço Secreto e a perda da normalidade
Vance diz que não fazia ideia do que estava se inscrevendo ao aceitar ser vice-presidente: 'Minha vida mudou completamente em uma hora.'
O maior impacto foi sobre o filho mais velho (hoje com 9 anos), que odiou a atenção e ser tratado como especial: 'Ele só queria ser uma criança normal.'
Vance escreveu no livro 'Communion': 'Às vezes sinto que arruinei a vida dele sem sequer perguntar.'
O filho mais novo (6 anos) é extrovertido e adora a atenção, mostrando que o impacto varia conforme a personalidade.
A proteção do Serviço Secreto transforma atividades simples: 'Meu passatempo favorito é caminhar com minha esposa. Agora, caminhar em Roma exigia Seal Team Six fechando quarteirões e helicópteros sobrevoando.'
Vance e a esposa Usha se adaptaram, mas no início foi 'louco' — ele não podia nem ir ao banheiro do estúdio sem um agente armado por perto.
Ele conversou com o filho mais velho sobre os sacrifícios e benefícios: 'Não minimizo o negativo, mas mostro o positivo — moramos numa casa incrível, vimos o país como nenhuma criança viu.'
Perguntado um ano depois, o filho disse que 'está muito bom' — as crianças se ajustam.
Relações internacionais: confiança zero e os EUA como potência dominante
Vance afirma que não confia em nenhum país: 'Não confio em ninguém. Em relações internacionais, você tem que estar focado nos seus interesses.'
Sobre Israel: 'Somos o sócio sênior. Eles são o sócio júnior. Somos a superpotência mundial.'
Ele descreve Netanyahu como 'muito difícil' e diz que Trump já teve conversas 'francas' com ele, incluindo xingamentos.
Vance rejeita a ideia de que Israel e EUA estejam sempre alinhados: 'Temos geografias e necessidades diferentes. Às vezes trabalhamos juntos, às vezes não.'
Sobre o Reino Unido: 'São nosso aliado mais antigo, mas também temos divergências. Gosto do povo britânico, mesmo do governo trabalhista, embora politicamente alinhados de forma diferente.'
Ele não acredita que Netanyahu queira transformar o Irã em um Estado falido: 'Isso não seria bom para os EUA. Nosso objetivo é eliminar a ameaça nuclear e mudar a dinâmica com o Irã.'
Passos práticos
Se você é pai/mãe, reconheça que filhos de ambientes instáveis precisam de pelo menos uma figura âncora estável — invista nesse papel.
Ao enfrentar divergências políticas, tente separar a pessoa da política: critique políticas, não o caráter do oponente.
Para lidar com o apego evitativo em relacionamentos, pratique conversas racionais em vez de ameaçar terminar — a autoconsciência é o primeiro passo.
Se você teme o impacto da IA no seu emprego, foque em desenvolver habilidades complementares à tecnologia, não em competir contra ela.
Ao considerar a imigração na sua comunidade, defenda políticas que permitam integração lenta e oportunidades econômicas para todos, evitando mudanças abruptas.
Para preservar a saúde mental dos filhos em situações de exposição pública, crie comunidades (escola, igreja) onde eles possam ser 'normais' e isolados da atenção.
Se você está em uma posição de poder, lembre-se de que o patriotismo é um recurso finito — não o desperdice em guerras mal justificadas.
Frases marcantes
"Achei que Donald Trump seria um presidente fracassado. Ele não foi. Achei que as instituições americanas funcionavam. Elas não funcionavam."
"Não confio em ninguém. Em relações internacionais, você tem que estar focado nos seus interesses."
"Às vezes sinto que arruinei a vida do meu filho sem sequer perguntar a ele."
"O que me preocupa na IA não é o desemprego em massa, é a desigualdade extrema e a vigilância em massa."
"Se você der a Trump um teste de QI com os outros 45 presidentes, ele estaria no topo ou perto do topo."
"A divisão não é causada por políticos que demonizam imigrantes; é a consequência inevitável de uma mudança populacional rápida demais."
Mencionados no episódio
Hillbilly Elegy (livro de memórias de JD Vance, 2016)
Communion (novo livro de JD Vance sobre fé, 2025)
The Atlantic (revista onde Vance publicou crítica a Trump em 2016)
Yale Law School (faculdade de direito onde Vance se formou)
Corpo de Fuzileiros Navais dos EUA (serviço militar de Vance, 2003-2007)
Guerra do Iraque (conflito no qual Vance serviu, 2005-2006)
George W. Bush (presidente dos EUA criticado por Vance pela guerra)
Estreito de Ormuz (ponto estratégico no acordo com o Irã)
AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica, envolvida nas inspeções)
Netanyahu (primeiro-ministro de Israel, descrito como 'muito difícil')
Sam Altman (CEO da OpenAI, citado sobre visão distópica da IA)
Elon Musk (CEO da Tesla/SpaceX, citado sobre robôs humanoides e IA)
Eric Schmidt (ex-CEO do Google, investidor em empresa de Vance)
Bernie Sanders (senador dos EUA, citado sobre propriedade de empresas de IA)
Papa Leão XIII (autor da encíclica Rerum Novarum, citada sobre harmonia social)
Charlie Kirk (ativista conservador, ajudou Vance a conversar com o filho)
Serviço Secreto dos EUA (agência de proteção ao vice-presidente)
East Palestine, Ohio (local do descarrilamento que aproximou Vance e Trump)
Milwaukee (cidade onde Vance foi escolhido como vice)
Naval Observatory (residência oficial do vice-presidente em Washington DC)