Marcus King, músico de rock/blues, conversa com Joe Rogan sobre sua luta contra o álcool, saúde mental, o estado do rock and roll, e os perigos das drogas e medicamentos. O episódio aborda a indústria musical, a importância da perspectiva e do sofrimento para a criatividade, e críticas a políticas de drogas e saúde.
Joe Rogan - apresentador do podcastMarcus King - músico de rock/blues
Marcus King parou de beber há 1,5 anos após perceber que o álcool o levava a comportamentos autodestrutivos, mesmo tentando beber 'como um cavalheiro'.
O rock and roll não está morto, mas mudou; bandas como Greta Van Fleet e Red Clay Strays mostram uma ressurgência do estilo com influências sulistas.
A indústria musical é cheia de 'vampiros' que podem sugar a criatividade; é preciso manter a perspectiva e focar no processo, não no resultado.
GLP-1s como Ozempic podem ajudar na perda de peso e até em vícios, mas têm efeitos colaterais graves como pancreatite, paralisia estomacal e cegueira.
A teoria do desequilíbrio químico como causa da depressão é questionada; exercício, dieta e microdosagem de cogumelos podem ser mais eficazes que SSRIs.
A proibição de drogas como a maconha é criticada por alimentar cartéis e prender pessoas por escolhas pessoais; a regulamentação seria mais sensata.
A experiência de quase afogamento de Marcus King e o uso acidental de ketamina ilustram os perigos do abuso de substâncias e a importância da sobriedade.
Sonhos e experiências de quase-morte, como a da mulher que viveu 7 anos em um coma, levantam questões sobre a natureza da realidade.
Luta contra o álcool e autodestruição
Marcus King parou de beber há 1,5 anos; antes, tentou várias vezes, mas sempre voltava a beber de forma destrutiva.
Ele descreve o álcool como algo que o levava a querer 'queimar a vida até o chão', impulsionado por emoções reprimidas.
Um episódio em que bebeu após 6 meses sóbrio resultou em blackout, briga com a esposa e acordar no chão de um amigo.
Joe Rogan parou de beber por 8 meses por sentir que atrapalhava o treino e a saúde; hoje bebe moderadamente, 1 ou 2 doses.
Rogan compara beber a 'pegar um empréstimo da diversão futura' – você paga com juros no dia seguinte.
Marcus associa a bebida a uma tentativa de não sentir nada, mas que no fim as emoções reprimidas vinham com força total.
Ansiedade e performance ao vivo
Marcus tem ansiedade e depressão, mas escolheu uma carreira de performance ao vivo, que é uma das coisas que mais causa ansiedade.
Ele cita Dan Soder: 'Eu saio por aí buscando a aprovação de milhares de pessoas por noite – você acha que faço isso porque as coisas foram bem na infância?'
Rogan sugere que o foco pode mudar de 'quero o amor deles' para 'quero dar amor a eles' – uma troca de perspectiva.
Marcus concorda: o objetivo é fazer todos se divertirem juntos, não apenas buscar validação.
A turnê 'Texas Honky Tonks' foi planejada para salas pequenas e suadas, com o propósito de redescobrir a alegria da música.
O estado do rock and roll
Marcus discordou de Rogan quando este disse que o rock and roll está morto; ele acredita que está diferente, mas vivo.
Bandas como Red Clay Strays e Greta Van Fleet estão fazendo sucesso com um som sulista/bluesy/country rock.
Rogan nota que o rock clássico (Led Zeppelin, Stones) ainda é amado, mas não há novas bandas gigantes no mesmo estilo.
Marcus vê um ciclo: o country western está voltando (cowboy hats em LA), e o rock pode seguir o mesmo caminho.
Ele compara Led Zeppelin a uma 'jam band' – eles tinham músicas, mas improvisavam ao vivo, algo que ele faz em seus shows.
Greta Van Fleet soa muito como Led Zeppelin, mas Marcus os defende: 'eles são meus amigos, são talentosos e merecem o sucesso'.
GLP-1s, Ozempic e perda de peso
Marcus experimentou Ozempic por um tempo; reduziu o desejo por álcool, mas causou fortes cólicas estomacais.
Rogan critica a abordagem de 'solução fácil' – prefere disciplina, dieta e exercício, como Jelly Roll que perdeu 300 libras.
Efeitos colaterais graves de GLP-1s incluem pancreatite (Brian Simpson teve), paralisia estomacal, obstrução intestinal e tumores na tireoide.
Há relatos de cegueira permanente em um olho (NAION) associada ao uso, embora raro.
Rogan menciona que doses muito altas são o problema; alguns defendem microdoses para evitar efeitos colaterais.
Um novo medicamento, Retatrutide (triplo agonista), está em testes e promete menos perda muscular e óssea, com perda de peso de até 24%.
Saúde mental, SSRIs e microdosagem
Marcus toma Cymbalta (SNRI) para depressão e ansiedade, mas quer parar; teme os sintomas de abstinência (dores de cabeça, formigamento).
Ele tentou vários SSRIs; um deles o deixou tão entorpecido que não sentiu nada no funeral da avó que o criou.
A microdosagem de cogumelos foi o que mais o ajudou – ele consegue reconhecer ataques de ansiedade como algo externo e lidar com eles.
Rogan questiona a teoria do desequilíbrio químico: estudos recentes mostram que não há evidência de que a depressão seja causada por baixa serotonina.
Exercício, dieta e terapia são apontados como mais eficazes que SSRIs, mas a indústria farmacêutica lucra com prescrições vitalícias.
Theo Von teve dificuldades ao tentar parar os SSRIs; descreveu a sensação como 'o chão sumiu'.
Experiências com drogas e quase-morte
Marcus quase se afogou no Caribe após um passeio de catamarã; ficou 40 minutos na água antes de ser resgatado.
Depois do resgate, alguém lhe deu o que ele pensou ser cocaína, mas era ketamina – ele 'virou parte do barco' e teve uma experiência dissociativa.
Rogan conta sobre Ari Shaffir que, ao fumar salvia, viveu 6 meses debaixo d'água com uma comunidade inteira em apenas 10 minutos.
Uma mulher em coma por 3 semanas sonhou que viveu 7 anos, teve trigêmeos (uma morreu) e acordou acreditando que eles eram reais.
Essas histórias levantam questões sobre a natureza da realidade e se o sono/sonhos são tão reais quanto a vigília.
Marcus sonha com cobras, que interpreta como símbolo de renovação (trocar de pele), mas também pode representar perigo (pessoas falsas no meio musical).
Política de drogas e legalização
Rogan critica a proibição da maconha: 'armados podem invadir sua casa por um baseado' – isso não protege ninguém.
A Lei de Substâncias Controladas de 1970 foi criada para atingir o movimento dos direitos civis e anti-guerra, não por razões de saúde.
A maconha foi reclassificada para Schedule 3 (como Tylenol com codeína), um passo na direção certa, mas ainda não é totalmente legal.
A proibição alimenta os cartéis: mais de 80% da maconha ilegal nos EUA é cultivada em terras públicas da Califórnia por cartéis, usando pesticidas tóxicos.
Rogan defende a regulamentação como o álcool: impostos, controle de qualidade e adultos poderem escolher.
Ele menciona que o lobby do álcool e os sindicatos de guardas prisionais se opõem à legalização para proteger seus lucros e empregos.
Indústria musical, criatividade e sofrimento
Marcus reflete sobre a necessidade de 'vampiros' na indústria para valorizar os artistas genuínos – o contraste entre o bem e o mal dá perspectiva.
Charlie Crockett diz: 'Você pode fazer o que eles fazem, mas eles não podem fazer o que você faz' – uma forma de manter a confiança.
Jelly Roll é citado como exemplo de alguém que passou pelo inferno (prisão, vícios) e hoje é uma das pessoas mais gratas e amorosas que Marcus conhece.
A gratidão constante de Jelly Roll é comparada a alguém que teve uma experiência de quase-morte e nunca perdeu esse sentimento.
Marcus tenta focar em causas virtuosas para querer mais (ex: ter um ônibus próprio para criar os filhos na estrada), não apenas por dinheiro.
Rogan enfatiza ser orientado ao processo, não ao resultado: 'se você fizer um bom trabalho, o resto vem'.
Exercício, dieta e saúde física
Marcus faz 20 minutos de Peloton e treina um grupo muscular diferente por dia; sente diferença no humor quando treina.
Rogan afirma que exercício é comprovadamente mais eficaz que antidepressivos para depressão.
Marcus segue uma dieta cetogênica por intuição; perdeu 25 libras e sente mais energia e clareza mental.
Ele tem uma relação complicada com a comida desde criança ('era a única coisa que eu controlava') e luta contra a mentalidade de escassez.
Rogan come principalmente carne de animais que ele mesmo caça (carnívoro) e nota que seu cérebro funciona melhor em cetose.
Exogenous ketones (como Ketone IQ) podem induzir cetose temporária e melhorar a função cognitiva, segundo Rogan.
Sonhos, realidade e a natureza da consciência
Marcus tem sonhos vívidos com cobras, que ele interpreta como renovação, mas também pode ser um alerta sobre pessoas falsas.
Rogan reflete sobre como o sono é uma 'morte temporária' e como a falta dele compromete a realidade acordada.
A história da mulher em coma que viveu 7 anos com filhos imaginários mostra como o cérebro pode criar realidades completas.
Rogan pergunta: 'Será que esta realidade é apenas um canal em um rádio infinito, e enquanto estamos nele, achamos que é tudo?'
Marcus acredita que a dualidade (bem/mal, sofrimento/alegria) é necessária para apreciar o que é bom.
A experiência de Rogan na chuva no Alasca o fez apreciar o sol em LA como nunca antes – o sofrimento dá perspectiva.
Críticas a figuras públicas e políticas
Rogan critica Peter Thiel (Palantir) por defender o serviço militar obrigatório: 'Por que uma empresa de tecnologia quer mandar crianças para a guerra?'
Ele questiona a utilidade das guerras dos EUA desde a Segunda Guerra Mundial: 'nenhuma fez sentido'.
Rogan duvida que os executivos de tecnologia serviriam se houvesse um draft – 'eles jogam a carne dos outros na máquina'.
Marcus sugere que esses defensores do draft deveriam primeiro fazer uma turnê da USO ou ver o combate de perto.
Rogan menciona que Tim Dillon fez uma análise detalhada do manifesto de Thiel em seu podcast, que ele recomenda.
A conversa sobre o draft leva a uma discussão sobre a aptidão física dos jovens: 77% não passariam no teste físico militar.
Passos práticos
Se você luta com álcool, considere uma pausa de 30 dias para avaliar como se sente sem ele.
Para ansiedade de performance, tente mudar o foco de 'buscar aprovação' para 'dar amor ao público'.
Antes de recorrer a GLP-1s, tente dieta (cetogênica ou carnívora) e exercícios regulares para perda de peso.
Se estiver em SSRIs e quiser parar, consulte um médico especializado em desmame lento; nunca pare abruptamente.
Experimente microdosagem de cogumelos (se legal) ou exercícios aeróbicos diários para melhorar o humor e a ansiedade.
Para manter a perspectiva, medite diariamente sobre as coisas pelas quais você é grato, especialmente após momentos difíceis.
Se você trabalha em uma indústria criativa, cerque-se de pessoas genuínas e evite 'vampiros' que sugam sua energia.
Para melhorar a clareza mental, tente uma dieta cetogênica ou jejum intermitente por algumas semanas.
Frases marcantes
"Há algo em mim que só queria queimar minha vida até o chão toda vez que bebia."
"Rock and roll não está morto – está diferente, mas está aqui."
"Você pode fazer o que eles fazem, mas eles não podem fazer o que você faz."
"A proibição da maconha é estúpida – armados podem invadir sua casa por um baseado."
"O exercício é comprovadamente mais eficaz que antidepressivos para depressão."
"Se você não sofre, não aprecia o bom – precisa do contraste."
Mencionados no episódio
Dan Soder - comediante citado sobre busca por aprovação
Greta Van Fleet - banda de rock que soa como Led Zeppelin
Red Clay Strays - banda de southern rock
Charlie Crockett - músico country/blues
Jelly Roll - músico que perdeu 300 libras com exercício
Ozempic - medicamento GLP-1 para diabetes/perda de peso
Retatrutide - novo triplo agonista em testes para perda de peso
Cymbalta - SNRI que Marcus King toma
Theo Von - comediante que teve dificuldades com SSRIs
Ari Shaffir - comediante que teve experiência com salvia
Tim Dillon - comediante e podcaster que analisou Peter Thiel
Peter Thiel - cofundador do PayPal, defende serviço militar obrigatório
Palantir - empresa de tecnologia de vigilância
Balco Laboratories - laboratório que criou esteroides indetectáveis
Patrick Arnold - químico que criou esteroides e cetonas exógenas
Ketone IQ - suplemento de cetonas exógenas
From - série de terror no MGM+
Late Night with the Devil - filme de terror australiano
Collector's Crossroads - loja de antiguidades em Austin
Perplexity - ferramenta de IA usada para pesquisas