Raul Sena, do canal Investidor Sardinha, analisa a recente queda de 12% da bolsa brasileira e propõe que a causa principal não é o Brasil, mas sim uma realocação global de capital: gestores internacionais estão saindo de big techs americanas supervalorizadas (possível bolha) e migrando para ativos reais e emergentes, como o Brasil. Ele sugere cautela com tecnologia e recomenda investir em indústrias sólidas, commodities e ETFs de renda fixa, além de apresentar a escola UVP.
Raul Sena (host) - investidor, CEO da UVP, 14 anos de mercado
A bolsa brasileira caiu 12% do topo de abril, mas o motivo não é o Brasil e sim a realocação de capital global saindo de big techs supervalorizadas.
ETFs passivos concentram 70% do mercado americano em 10 empresas, criando uma bolha que gestores temem, mas ninguém quer ser o primeiro a sair.
Brasil ficou de fora da festa dos ETFs por falta de grau de investimento (risco similar a Vietnã e Marrocos), mas agora atrai capital por ser 'real'.
Bilionários como Bezos e Gates estão vendendo ações de suas próprias empresas e comprando ativos físicos (terras, indústrias), sinalizando desconfiança na tese das big techs.
Se a tese da IA substituir 40-50% dos empregos se concretizar, o consumo colapsa e as próprias big techs perdem valor; se for errada, a desvalorização será imensa.
Investir em ETFs de renda fixa como AVP11 (Selic) ou IMAB11 (IPCA+) pode gerar renda mensal com menor risco que fundos imobiliários.
Copiar a carteira de um ETF manualmente é possível, mas gera custos de corretagem, imposto sobre ganhos de capital e mais burocracia que o próprio ETF.
O momento é de cautela: manter posições em tecnologia, mas diversificar para ativos reais (commodities, alimentos, mineração) que são mais previsíveis.
Contexto da queda da bolsa brasileira
A bolsa brasileira caiu 12% do topo de abril e 9,17% no dia da gravação (maio).
Raul discorda que a causa seja o país 'acabou', crescimento econômico ou eleições.
Ele atribui a queda a um movimento global de realocação de capital, não a fatores domésticos.
O Brasil ficou de fora da 'festa' dos ETFs por não ter grau de investimento (classificação de risco similar a Vietnã, Guatemala, Marrocos).
A dívida brasileira não é gigante para padrões desenvolvidos, mas o risco país e a instabilidade cambial afastam investidores passivos.
Nos últimos 20 anos, o Ibovespa perdeu para o S&P 500, mas em janelas mais longas (excluindo o ano passado) o Brasil ganhou.
A revolução dos ETFs e a bolha das big techs
John Bogle criou o primeiro ETF (S&P 500) para substituir a gestão ativa, com taxas baixíssimas.
Os ETFs passivos hoje concentram 60-70% do patrimônio dos americanos, e 10% das empresas concentram 70% do valor de mercado.
A estratégia passiva vence 95% dos gestores ativos, mas os melhores (Buffett) ainda batem o índice.
O dinheiro flui para as empresas que mais crescem, criando um ciclo de valorização artificial.
Tesla vale mais que todas as montadoras tradicionais somadas (Ferrari, Ford, GM, Stellantis).
Google e Meta são essencialmente empresas de anúncios (intermediação), não produzem bens físicos.
Amazon depende de AWS e logística, mas também é um hub de intermediação.
Gestores internacionais reconhecem a bolha, mas ninguém quer ser o primeiro a sair por medo de perder valorização.
A realocação de capital para emergentes
BlackRock e Vanguard, que controlam 30-40% das maiores empresas globais, retiraram US$ 2 trilhões dos EUA.
Esse dinheiro migrou para países emergentes, incluindo o Brasil, por serem considerados 'mais seguros' que big techs.
O Brasil produz commodities (minério, carne, grãos) – ativos reais que o mercado agora busca.
A melhora no ambiente de negócios americano e o medo de ficar de fora da festa fazem parte do movimento.
Raul acredita que a bolha pode estourar, mas enquanto isso, quem sai cedo perde rentabilidade relativa.
O dilema dos gestores: performance vs. segurança
Gestores que se protegem (alocação menor em tech) perdem em períodos de alta, mas perdem menos nas crises.
Exemplo: se um gestor tivesse 47% em Apple e reduziu para 17%, perdeu retorno no curto prazo.
Quem investiu 100% em GameStop na alta artificial ganhou muito, mas por apenas seis meses.
Investimento é maratona, não corrida de 100m – a segurança só se mostra em crises.
A maioria dos gestores internacionais admite a bolha em conversas informais, mas mantém posições por pressão dos clientes.
A tese da IA e o risco de colapso do consumo
Se a IA substituir 40-50% da mão de obra (tese atual do mercado), as classes C e D e parte da classe média desaparecerão.
Sem consumidores, Apple, Amazon, Walmart e P&G não terão para quem vender.
O capitalismo se tornaria insuficiente (tecnofeudalismo), e os investimentos perderiam valor.
Se a tese estiver errada, a desvalorização das big techs será uma das maiores da história.
Portanto, o cenário é 'ganha-ganha' para quem está fora: ou a tese falha e as techs despencam, ou ela se concretiza e o consumo colapsa.
O que os bilionários estão fazendo (e você deveria imitar)
Jeff Bezos vendeu participações significativas na Amazon e comprou negócios físicos.
Bill Gates vendeu ações da Microsoft progressivamente e se tornou o maior dono de terras dos EUA.
Mark Zuckerberg gastou bilhões no metaverso (que fracassou) e depois demitiu em massa, mantendo margens.
Elon Musk prometeu túneis, colonização de Marte, robôs e carros autônomos – entregou cerca de 10% do prometido.
Se eles não confiam nas próprias empresas (vendendo ações), por que o investidor comum deveria confiar?
A estratégia deles é contrária ao mercado: estão migrando para ativos reais (terras, indústrias).
Recomendações práticas para o investidor
Não venda todas as posições em tecnologia, mas diversifique para ativos reais (commodities, alimentos, mineração).
Invista em ETFs de renda fixa como AVP11 (Selic) para liquidez e renda mensal, ou IMAB11 (IPCA+).
Fundos imobiliários podem render mais, mas oscilam muito – não são para todos os perfis.
Copiar manualmente a carteira de um ETF é possível, mas gera custos de corretagem, imposto sobre ganhos de capital e mais burocracia.
O AVP11 distribui proventos mensais (ex.: 90% do CDI em janeiro, 208% em fevereiro, 184% em abril) com dividend yield de ~4,5%.
O momento é de cautela: manter os pés nos dois lugares (tech e real) é a estratégia mais sensata.
Apresentação da UVP (escola de investimentos)
UVP é a maior escola de investimentos do Brasil e consultoria top 1 no ranking do BTG Pactual.
Surgiu há menos de 7 anos e compete com empresas de 50 anos de mercado.
Oferece garantia inédita: se o aluno assistir todas as aulas, fizer as provas e não aprender, devolve 100% do dinheiro (não apenas 7 dias).
A plataforma própria devolve taxas que os bancos cobram, aumentando a rentabilidade do aluno.
Raul convida o ouvinte a clicar no link da descrição para fazer uma análise de perfil.
Passos práticos
Faça uma análise do seu perfil de investidor antes de remanejar a carteira.
Considere alocar parte do patrimônio em ETFs de renda fixa como AVP11 (Selic) para liquidez e renda mensal.
Diversifique para ativos reais brasileiros (commodities, alimentos, mineração) como proteção contra bolha de tech.
Não venda todas as posições em tecnologia, mas reduza exposição se estiver muito concentrado.
Observe o que bilionários como Bezos e Gates estão fazendo (comprando terras, vendendo ações) e considere imitar.
Evite copiar carteiras de ETFs manualmente devido a custos de corretagem e impostos; prefira o próprio ETF.
Se tiver interesse, matricule-se na UVP clicando no link da descrição para aprender a investir com garantia de satisfação.
Frases marcantes
"O jogo do investimento é uma maratona, não uma corrida de 100 metros rasos."
"Se a tese da IA estiver certa, a gente vai contemplar uma geração de mendigos – quem vai consumir?"
"Os bilionários estão vendendo as próprias empresas e comprando terras. Se nem eles confiam, por que você confiaria?"
"A segurança só se mostra em períodos de crise. Quem se protege perde menos, mas perde muito menos."
"O Brasil é comparado a Vietnã e Marrocos em governança, não em tamanho de economia."
"Ninguém quer ser o primeiro a tirar o dinheiro da festa, porque perde a valorização enquanto espera."
Mencionados no episódio
John Bogle - criador do primeiro ETF (Vanguard)
S&P 500 - índice das 500 maiores empresas americanas
Tesla - montadora de veículos elétricos
Meta (Facebook) - empresa de tecnologia e anúncios
Google (Alphabet) - empresa de tecnologia e anúncios
Amazon - e-commerce e AWS (cloud computing)
Nvidia - fabricante de chips (IA)
BlackRock - maior gestora de ativos do mundo
Vanguard - gestora de ETFs
Warren Buffett - investidor bilionário
Jeff Bezos - fundador da Amazon
Bill Gates - fundador da Microsoft
Mark Zuckerberg - fundador do Facebook/Meta
Elon Musk - CEO da Tesla e SpaceX
GameStop - ação meme inflada artificialmente
AVP11 - ETF de renda fixa (Selic) da UVP
IMAB11 - ETF de renda fixa (IPCA+)
BTG Pactual - maior banco de investimentos da América Latina