A VERDADE QUE O BANCO ESCONDE SOBRE SEUS INVESTIMENTOS | Market Makers #362
Episódio com Leonardo Belizario (CEO) e Daniel Miari (CMO) da Inco, plataforma de investimentos que conecta empresas a investidores de varejo com tickets a partir de R$ 500. Eles discutem como o investidor comum é mal atendido pelo sistema financeiro tradicional, as ciladas que enfrenta (como bets e casos como o Banco Master), e como a Inco oferece acesso a produtos alternativos (CRI, CRA, equity internacional) com curadoria e tecnologia, buscando inverter a lógica do mercado: do produto para o investidor.
Thiago Salomão – host, fundador do Market MakersLeonardo Belizario – CEO da IncoDaniel Miari – CMO da Inco
O investidor de varejo (53 milhões de CPFs) é o mais mal assistido: tem 30% em poupança e menos de 5% em alternativos, enquanto o private tem mais de 30%.
A Inco nasceu para dar acesso a produtos de family office com R$ 500, pulverizando risco em projetos imobiliários e de crédito privado.
O índice Inco (carteira teórica desde 2018) rendeu 187% do CDI, com apenas 1,6% das operações em inadimplência.
A maior barreira para o investidor de varejo é a iliquidez dos produtos (prazos de 2-3 anos) e o medo gerado por casos como o Banco Master.
A Inco planeja usar inteligência artificial para oferecer assessoria personalizada e sem conflito de interesse, substituindo o modelo de 'empurrar produto'.
A empresa já captou R$ 25 milhões em equity com seus próprios investidores (12.000 sócios), a valuation de R$ 200 milhões.
O maior risco atual para a Inco é cibernético, com investimentos constantes em segurança.
Juros altos dificultam a originação de projetos (custo de captação alto), mas juros baixos aumentam a demanda dos investidores por spreads maiores.
Origem e propósito da Inco
Fundada em 2018 por Leonardo Belizario, Daniel Miari e Bruno (cofundador), todos com origem no mercado imobiliário de Belo Horizonte.
Inspiração: regulação de crowdfunding da CVM em 2017 e modelos americanos de financiamento imobiliário via crowdfunding.
Problema inicial: investidores sem acesso a produtos imobiliários formais e empresas com dificuldade de funding adequado (SCPs informais, taxas abusivas de bancos).
Solução: plataforma digital que pulveriza tickets (mínimo R$ 500) e conecta investidores a projetos selecionados com curadoria profissional.
Primeira operação em 2019; em maio de 2020, com pandemia e Selic a 2%, a demanda explodiu (projetos a 12-14% a.a. vs. CDI a 2%).
Crescimento acelerado: de 5 para 50 funcionários em 2021; depois, com alta de juros, precisou reduzir o time e se reestruturar.
Hoje: 450.000 CPFs cadastrados, 80.000 investidores ativos, mais de 1.000 operações e R$ 1,3 bilhão movimentado.
Propósito: 'inverter a lógica do mercado' – em vez de ter um produto e buscar comprador, entender a necessidade do investidor e buscar o produto ideal.
O problema do investidor de varejo no Brasil
60 milhões de CPFs investem no Brasil, divididos em: private (>R$ 5 mi, 60.000 CPFs), alta renda (R$ 100k a R$ 5 mi, 7 milhões), varejo tradicional (
O varejo tradicional detém cerca de R$ 3 trilhões dos R$ 9 trilhões totais, mas tem a pior alocação: 30% em poupança (perde poder de compra).
Alocação em alternativos (CRI, CRA, FIDC, etc.): varejo tradicional <5%, alta renda <15%, private >30%.
O investidor de varejo é mal atendido porque o custo de atendimento humano para tickets pequenos é inviável para bancos e assessores.
Muitos investidores terceirizam decisões ou são influenciados por conflitos de interesse (assessores empurrando COIs, por exemplo).
Casos como Banco Master e bets (tigrinho) aumentam o medo e levam o investidor a se refugiar em produtos com FGC, perdendo oportunidades de maior retorno com risco controlado.
A Inco busca resolver com tecnologia: curadoria, transparência e diversificação, sem conflito de interesse.
Modelo de negócio e produtos da Inco
Produtos principais: operações estruturadas de dívida (debêntures, CRI, CRA, certificados de recebíveis, crédito pulverizado) e equity (venture capital, investimento indireto em empresas como SpaceX e OpenAI).
Ticket mínimo: R$ 500. Exemplo: investidor pode entrar no equity da SpaceX (valuation ~US$ 350 bi na época) com R$ 500.
A Inco também faz operações internacionais: mortgages nos EUA, desenvolvimento imobiliário em Portugal.
Receita principal: taxa de estruturação e distribuição dos produtos (spread sobre a captação).
Desafio: demanda maior que oferta – em 2024, operações esgotavam em segundos; a empresa chegou a cogitar fechar cadastros.
Para escalar, a Inco está obtendo licença de DTVM (Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários), que permitirá distribuir CDBs, fundos, ações e outros produtos regulados.
Com DTVM, poderá oferecer produtos de mercado (ex.: CRI de terceiros) e atender também o investidor passivo (que quer alocar e esquecer).
Meta: construir um portfólio completo para o investidor, incluindo reserva de emergência, previdência e planejamento tributário, tudo com tecnologia.
Risco, inadimplência e o índice Inco
Mais de 1.000 operações realizadas desde 2018; inadimplência histórica de 1,6% (considerando perda total nas operações em atraso).
Índice Inco: carteira teórica que investe em 100% das operações desde 2018, com retorno de 187% do CDI no período (out/2018 a 2024).
Exemplo: R$ 1.000 investidos no índice teriam se transformado em ~R$ 3.450.
A Inco possui rating interno para classificar o risco de cada operação, ajudando o investidor a diversificar.
Primeiro default ocorreu em 2022 (safra de 2021), após a virada dos juros. A empresa foi transparente com os investidores, mantendo comunicação e processo de recuperação.
Estratégia de mitigação: garantias reais, estruturas mais robustas (patrimônio de afetação, seguros) e análise criteriosa de crédito.
Cenário atual de juros altos (Selic ~14%) exige maior qualidade dos projetos; a Inco tem filtro mais rígido, exigindo mais vendas na largada para financiar.
Para o investidor, o spread sobre o CDI continua atrativo (ex.: CDI +5% a.a. em operações de 60 dias), mas o risco de crédito existe e deve ser diversificado.
Tecnologia e o futuro: IA e personalização
A Inco planeja usar inteligência artificial para oferecer assessoria personalizada em escala, sem conflito de interesse.
Com open finance e dados do investidor (renda, gastos, perfil de risco), a IA poderá recomendar o produto ideal e executar a alocação automaticamente.
Objetivo: atender o investidor passivo que não quer estudar finanças – 'apertou um botão, executou tudo'.
A empresa também quer educar o investidor de forma personalizada, evitando que ele caia em ciladas (ex.: investir em Bitcoin sem reserva de emergência).
A gamificação do app (etapas: primeiro depósito, primeiro investimento, diversificação) ajuda a engajar e orientar o usuário.
A Inco não quer ser apenas mais uma corretora com estante de produtos; quer ser um 'layer de serviço' que simplifica a vida financeira do cliente.
Captação de equity e governança
A Inco fez duas rodadas de equity via crowdfunding (regulado pela CVM), captando R$ 25 milhões com 12.000 investidores.
Primeira tranche: R$ 15 milhões a valuation de R$ 150 milhões (10% da empresa). Segunda: R$ 10 milhões a valuation de R$ 200 milhões (5% adicionais).
Os investidores de equity são também clientes da plataforma, criando alinhamento de interesses e engajamento (feedback, indicações).
A empresa não distribui dividendos no momento (foco em crescimento), mas os sócios podem ganhar com valorização em evento de liquidez (venda, IPO ou mercado secundário).
A Inco estuda criar um mercado secundário próprio para dar liquidez às cotas, inspirada em iniciativas como a B4 (sandbox da CVM).
Desafio: infraestrutura das corretoras para negociar esses ativos ainda é incipiente; apenas Itaú e Genial têm conexão com a B4.
Desafios e riscos operacionais
Maior preocupação atual: segurança cibernética. A Inco investe pesado em proteção contra ataques, especialmente engenharia social.
Risco de crédito: mesmo com curadoria, defaults acontecem. A empresa aprendeu a ser transparente e a estruturar operações com mais garantias ao longo do tempo.
Risco regulatório: a licença de DTVM depende de aprovação do Banco Central; o prazo é incerto (protocolado em 2024, expectativa para final de 2025).
Concorrência indireta: bets (tigrinho) e produtos de alto risco que desviam recursos do investidor; e o medo gerado por casos como Banco Master, que leva o investidor a evitar qualquer risco.
Para vencer a desconfiança, a Inco aposta em boca a boca, resultados consistentes e transparência (registro no BC, depoimentos, dados de performance).
Sensibilidade a juros e ciclo econômico
Juros altos (Selic ~14%) dificultam a originação: projetos precisam ter margem para pagar CDI + spread + custos, o que reduz o número de operações viáveis.
Juros baixos (Selic a 2% em 2020) aumentam a demanda dos investidores, que buscam alternativas à renda fixa tradicional, e também estimulam mais projetos (custo de oportunidade menor).
O investidor de varejo tem um 'número mágico' de 1% ao mês (12% a.a.) e reage mais à Selic atual do que à curva futura, criando comportamentos contraintuitivos.
Exemplo: quando a curva futura cai, a Inco precifica crédito com spread menor, mas o investidor acha que o produto está menos atrativo (compara com CDB de liquidez diária).
No longo prazo, a Inco torce por juros baixos de forma sustentável (crescimento econômico), pois isso aumenta o valuation das empresas e a atividade de captação.
Passos práticos
Abra conta na Inco (link na descrição) e use o cupom 'SaloMoney' para ganhar 1% de cashback no primeiro investimento.
Comece com R$ 500 e diversifique em várias operações para reduzir risco – não concentre todo o capital em um único projeto.
Antes de investir em produtos alternativos, certifique-se de ter uma reserva de emergência constituída (a Inco alerta sobre isso).
Use a gamificação do app para seguir as etapas: primeiro depósito, primeiro investimento, diversificação inicial.
Para investidores passivos: aguarde os lançamentos de fundos e produtos com alocação automática que a Inco planeja com a DTVM.
Desconfie de promessas de retorno fácil (bets, COIs sem lastro) e prefira plataformas reguladas e transparentes como a Inco.
Acompanhe o índice Inco e os ratings internos para tomar decisões informadas sobre risco-retorno.
Frases marcantes
"Muitas vezes o próprio investidor é o seu inimigo próprio."
"A gente quer inverter a lógica do mercado: em vez de ter um produto e buscar comprador, entender o que o investidor precisa e buscar o produto."
"O investidor de varejo tem 30% do portfólio em poupança – está perdendo dinheiro ao longo do tempo."
"Se o investidor não quer estudar finanças, a solução não é educação financeira, é tecnologia que faça por ele."
"O grande cagaço hoje é cyber – a gente investe muito em segurança, porque os atacantes também usam IA."
"Quando o juros cai, o investidor olha para o spread e acha que está ganhando menos, mas na verdade o prêmio de risco pode ser maior."
Mencionados no episódio
Inco – plataforma de investimentos alternativa
CVM – Comissão de Valores Mobiliários, reguladora
BTG Pactual – banco de investimentos onde Leonardo trabalhou
C6 Bank – programa de aceleração (C6 Pop)
Bossa Nova – gestora de venture capital, parceira da Inco
SpaceX – empresa de Elon Musk, investimento indireto via Inco
OpenAI – empresa de inteligência artificial, investimento indireto via Inco
B4 (Bfor) – plataforma de mercado secundário para empresas médias
Banco Master – caso de crise que assustou investidores
Will Bank – banco digital com problemas
Pleno – banco com dificuldades
Victor – seguradora que virou empresa listada
FGC – Fundo Garantidor de Créditos
CDI – Certificado de Depósito Interbancário, referência de rentabilidade
Selic – taxa básica de juros
CRI – Certificado de Recebíveis Imobiliários
CRA – Certificado de Recebíveis do Agronegócio
FIDC – Fundo de Investimento em Direitos Creditórios
DTVM – Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários
Índice Inco – carteira teórica da plataforma
Primo Pobre – influenciador financeiro, parceiro da Inco
Charlie Munger – investidor, autor de 'Poor Charlie's Almanack'
Netflix – livro 'A Regra é Não Ter Regras'
Ben Horowitz – autor de 'The Hard Thing About Hard Things'
Malcolm Gladwell – autor de 'Outliers'
How to Build Your Baby's Brain – livro sobre desenvolvimento infantil
Pink Floyd – banda, música 'Wish You Were Here'
J.J. Cale – músico, canção 'Magnolia'
Eric Clapton – guitarrista, versão de 'Magnolia' com John Mayer