The IPO Comeback: Why Tech Giants Are Finally Going Public | All-In Liquidity IPO Panel
Episódio do All-In com os CEOs de Cerebras e Planet Labs discutindo IPOs, tendências em silício de IA e data centers espaciais. Aborda os desafios de abrir capital, a tese de que mais valor é criado após o IPO, e as visões contrastantes sobre computação no espaço.
Jason Calacanis – host e investidorAndrew Feldman – CEO da Cerebras (chips de IA)Will Marshall – CEO da Planet Labs (imagens de satélite)Brad Gerstner – CEO da Altimeter Capital (investidor)
A maior parte do valor de uma empresa é criada após o IPO, não antes.
Cerebras apostou em um chip gigante (tamanho de um prato de jantar) para resolver o gargalo de memória em IA, sendo 15-18x mais rápido que GPUs.
Data centers no espaço podem se tornar viáveis em 2-3 anos quando o custo de lançamento cair para US$ 200-300/kg.
Planet Labs viu o mercado finalmente entender seu valor após 3-4 anos de empresa pública, com o stock subindo 10x.
A fusão de IA com dados de satélite (Large Earth Models) abrirá aplicações que LLMs puramente textuais não conseguem resolver.
Ir a público cedo força disciplina e atrai talento, mas o processo é cheio de burocracia inútil.
Lockups inovadores (dribble lockup) permitem que investidores vendam gradualmente, maximizando valor pós-IPO.
A miniaturização de satélites e a queda nos custos de lançamento estão democratizando o acesso ao espaço.
Experiência de abrir capital: Cerebras vs Planet Labs
Andrew Feldman (Cerebras) descreve o processo de IPO como cheio de 'lixo' – reuniões com 130 pessoas no Zoom, revisão de documentos sem valor agregado, e no dia seguinte a empresa não vendeu mais nada.
Apesar do trabalho, o IPO dá validação externa e motiva os funcionários – muitos nunca tinham usado gravata antes.
Will Marshall (Planet Labs) concorda: o IPO dá liquidez para acionistas e credibilidade para clientes (governos, agricultura), que precisam saber que a empresa não vai desaparecer.
Planet Labs abriu capital via SPAC em 2021 a US$ 2 bi; o stock ficou estagnado por 3 anos e depois subiu 10x (de US$ 5 para US$ 50).
Cerebras enfrentou obstáculos extras: um investidor dos Emirados Árabes Unidos levantou questões de CFIUS sob o governo Biden, atrasando o IPO.
Apesar de tudo, Feldman diz que 'mais dinheiro é feito após o IPO do que antes' – estudos mostram que a maior parte do valor absoluto é criada no mercado público.
Tendências em silício de IA: a aposta da Cerebras
A IA abriu uma nova classe de problemas (imagens, linguagem) que antes eram inacessíveis para computadores – isso expandiu o mercado de computação.
Mudanças de carga de trabalho historicamente mudam a participação de mercado: Nvidia nasceu com gráficos, ARM com celulares, Cisco com redes.
Cerebras fez duas apostas: silício dedicado (não GPU) e arquitetura radicalmente diferente – um chip do tamanho de um prato de jantar.
O gargalo principal em IA é mover dados da memória para o computador. O chip grande permite usar memória mais rápida (SRAM) colocada ao lado do computador.
Resultado: 15-18x mais rápido que GPUs em inferência da OpenAI. Analogia: mercado para busca lenta é zero, assim como dial-up.
Feldman critica a ideia de construir outra GPU: 'se você quer ser 20x melhor, sua arquitetura não pode parecer com a deles'.
Data centers no espaço: visão da Planet Labs
Will Marshall explica que o custo de lançamento caiu 10x em 10 anos (para ~US$ 1.000/kg) e com Starship pode chegar a US$ 200-300/kg em 2-3 anos.
Nesse ponto, será mais barato colocar data centers no espaço do que mantê-los na Terra, porque em órbita você tem energia solar 24/7 (órbita SSO) sem baterias.
Um painel solar no espaço gera 5x mais energia que no solo, e a infraestrutura é só painéis + chips + RF.
Planet já lançou GPUs da Nvidia e está lançando TPUs do Google no espaço como teste.
Marshall prevê que em 10 anos a maior parte da computação será no espaço, um mercado de trilhões de dólares.
Feldman (Cerebras) é cético quanto ao prazo: 'os últimos 10% são 80% do tempo' – problemas de clusterização e comunicação entre chips no espaço ainda não foram resolvidos.
Valor pós-IPO e lockups inovadores
Brad Gerstner (Altimeter) destaca que mais dinheiro é feito após o IPO – a maioria das empresas de tecnologia abriu a poucos bilhões e depois multiplicou.
Planet Labs é exemplo: os VCs (Founders Fund, DST, Capricorn) mantiveram a maior parte das ações e capturaram o 10x pós-IPO.
Cerebras inovou com 'dribble lockup': as ações são liberadas gradualmente ao longo de 6 meses com base em metas de desempenho, evitando dump no mercado.
SpaceX deve adotar modelo semelhante quando abrir capital.
Gerstner critica a pressão dos LPs para distribuir ações logo após o IPO – isso faz os VCs perderem a maior parte do upside.
Fusão de IA e dados de satélite: Large Earth Models
Marshall argumenta que LLMs atuais são 'cegos' para o mundo real – só conhecem texto da internet.
Ao combinar dados de satélite (imagens diárias de toda a Terra) com IA, é possível criar 'Large Earth Models' que respondem a problemas reais: agricultura, enchentes, segurança.
Isso abre 'gazilhões' de aplicações e uma nova economia – o que ele chama de 'inteligência planetária'.
A miniaturização de satélites (de 20 toneladas para alguns kg) é tão importante quanto a queda nos custos de lançamento – análoga à revolução mainframe para desktop.
Planet já trabalha com Google, NASA, agricultores, energia e governos de defesa – a receita militar cresceu mais que o esperado, mas a empresa não quer ser rotulada apenas como 'military tech'.
Debate: empresas devem abrir capital mais cedo?
Jason Calacanis defende que o mercado público está 'voltando' – após uma década de 'stay private forever' (Andreessen Horowitz), o pêndulo está balançando para IPOs mais precoces.
Feldman queria abrir capital 18 meses antes, a US$ 10 bi, em vez de US$ 50 bi – o 5x teria ido para investidores públicos.
Marshall concorda que ser público força disciplina e 'aço afia aço' – a empresa melhora sob escrutínio.
Gerstner: 'É melhor ter sorte do que ser bom' – o timing de Cerebras foi acidental, resultado de uma década de erros.
Passos práticos
Para founders: considere abrir capital mais cedo, mesmo que o valuation seja menor – o valor pós-IPO pode ser maior e a disciplina do mercado melhora a empresa.
Para VCs: não distribua ações imediatamente após o lockup – a maior parte do upside vem depois do IPO.
Para LPs: tenha paciência e permita que os gestores mantenham posições pós-IPO para capturar o crescimento.
Para investidores: avalie empresas de IA que usam arquiteturas de chip não-GPU – a diferenciação pode gerar vantagem competitiva duradoura.
Para empreendedores de space tech: foque em reduzir custos de lançamento e miniaturização – a viabilidade de data centers espaciais depende disso.
Para empresas de dados: integre IA com dados de sensoriamento remoto para criar modelos que resolvam problemas do mundo real, não apenas texto.
Frases marcantes
"Mais dinheiro é feito após o IPO do que antes – em percentual e em valor absoluto."
"Se você quer ser 20 vezes melhor que alguém, sua arquitetura não pode parecer com a deles."
"O mercado para busca lenta é zero. O mercado para dial-up é zero. Você não vai esperar pela IA."
"A última vez que nos vimos foi em Davos, causando outro alvoroço."
"A IA é tão boa quanto os dados em que é treinada. LLMs são cegas para o mundo real."
"Em 10 anos, a maior parte da computação estará no espaço – é um mercado de trilhões de dólares."
Mencionados no episódio
Cerebras Systems – empresa de chips de IA, fundada por Andrew Feldman
Planet Labs – empresa de imagens de satélite, fundada por Will Marshall
Altimeter Capital – firma de investimento tech, liderada por Brad Gerstner
All-In Podcast – podcast de tecnologia e negócios
OpenAI – empresa de IA, cliente da Cerebras
Nvidia – fabricante de GPUs, concorrente da Cerebras
Google – parceiro da Planet Labs para TPUs no espaço
SpaceX – empresa de lançamentos espaciais, citada por redução de custos
Starship – foguete da SpaceX, citado como chave para viabilidade de data centers espaciais
Starlink – constelação de satélites da SpaceX para internet
OneWeb – concorrente de Starlink
Founders Fund – VC de Peter Thiel, investidor da Planet Labs
DST Global – VC de Yuri Milner, investidor da Planet Labs
Capricorn Investment Group – VC investidor da Planet Labs
Draper Fisher Jurvetson – VC investidor da Planet Labs
CFIUS – Comitê de Investimento Estrangeiro nos EUA, citado como obstáculo para IPO da Cerebras
Davos – Fórum Econômico Mundial, onde Jason entrevistou Donald Trump
Tucker Carlson – apresentador, citado em piada sobre viagem de esqui