Um jeito de investir totalmente novo e 100% melhor
Raul Sena, do canal Investidor Sardinha, critica os fundos de investimento tradicionais (2% de administração + 20% de performance) e defende que a maioria não bate o benchmark, sugando o patrimônio do investidor com taxas e come-cotas. Ele apresenta alternativas como investir diretamente em ações, ETFs e consultorias fee-based, mostrando dados de resgates e crescimento dos ETFs no Brasil.
Raul Sena (host) — criador do canal Investidor Sardinha e da UVP
Fundos de investimento 2% + 20% são péssimos para o investidor: 90% não batem o benchmark e as taxas consomem até 42% do patrimônio em 30 anos.
O come-cotas (IR semestral) em fundos de renda fixa e multimercado reduz o efeito dos juros compostos; ações e ETFs de ações não têm esse problema.
ETFs têm taxas baixíssimas (<1%), diversificação automática, liquidez diária e não pagam come-cotas, sendo uma alternativa superior aos fundos ativos.
Investir diretamente em ações (buy and hold) pode superar o mercado, desde que o investidor tenha disciplina para não vender na queda.
O mercado brasileiro de ETFs cresceu 68% em patrimônio em 2025, enquanto fundos multimercado sangram com resgates recordes.
Consultorias fee-based ou comission-based podem ser boas opções, desde que o investidor entenda os conflitos de interesse e evite produtos ruins.
Gestores excepcionais existem (ex.: SPX Raptor), mas são raros e difíceis de identificar; para a maioria, ETFs ou buy and hold são mais eficientes.
A transparência no mercado financeiro nunca é total: há spreads, rebates e taxas ocultas mesmo em investimentos diretos.
O problema dos fundos de investimento tradicionais
Fundos de investimento cobram taxa de administração (média 2% a.a.) e taxa de performance (20% do que excede o benchmark), independentemente do resultado.
Exemplo: se um fundo rende CDI + 5%, após 2% de adm e 20% de performance, o investidor líquida CDI + 2,4% — o gestor fica com mais da metade do alfa.
90% dos fundos de ações brasileiros perdem para o Ibovespa em 10 anos; 100% dos fundos de ações globais ficam abaixo do índice no mesmo período.
Fundos de renda fixa: 90,3% ficam abaixo do CDI; crédito corporativo: 94,5% abaixo; small caps: 88% abaixo.
O come-cotas (IR semestral) incide sobre fundos de renda fixa, multimercado e cambial, reduzindo o efeito dos juros compostos — ações e ETFs de ações são isentos.
Resgates líquidos de fundos: R$ 88 bi em 2022, R$ 181 bi em 2023, R$ 357 bi em 2024 — mostrando fuga em massa.
Multimercados: apenas 34% superaram o CDI em 2023 e 42% em 2024; mesmo em anos bons, a maioria não entrega.
A história e o ciclo da Selic no Brasil
Primeiros fundos surgiram entre 1950-1970, concentrados em bancos; primeiro ETF brasileiro em 2004.
Boom dos fundos multimercado entre 2012-2019, com plataformas digitais como Ágora e XP.
Selic caiu de 14,25% (2016) para 2% (2020), tornando as taxas de 2% insustentáveis — rentabilidade líquida caía para 3%.
Com a volta da Selic a dois dígitos (2021-2023), a renda fixa voltou a competir, mas os fundos não entregaram o prometido.
Resolução CVM 175 (2024) mudou regras, acelerando a migração para ETFs e investimento direto.
John Bogle e a filosofia dos fundos de índice
John Bogle (Vanguard) provou em sua tese de Princeton (1951) que a maioria dos fundos não supera o mercado.
Em 1976, criou o primeiro fundo de índice para o investidor comum (S&P 500).
Princípios: todos os investidores juntos são o mercado; antes dos custos, o grupo ganha o retorno do mercado; depois dos custos, o mercado ganha menos taxas.
Nos EUA, mais de 60% do dinheiro dos investidores pessoa física está em fundos de índice; no Brasil, ainda é menos de 1% da indústria.
O livro 'The Little Book of Common Sense Investing' (2007) popularizou a tese.
Comparação de custos: fundo 2% vs. investimento direto vs. ETF
R$ 100.000 investidos a 10% a.a. por 30 anos: sem taxa = R$ 1,74 milhão; com taxa de 2% a.a. = R$ 1,01 milhão — perda de 42% do patrimônio.
Investir direto: taxa de administração zero, sem performance, sem come-cotas (ações), isenção de IR até R$ 20.000/mês em vendas de ações à vista.
ETFs: taxa abaixo de 1% a.a., sem performance, diversificação automática, liquidez diária, sem come-cotas (ETF de renda fixa).
Fundos 2%+20%: taxa de adm 2%, performance 20%, come-cotas, baixa transparência, dificuldade de bater o índice.
Consultoria fee-based: custo típico de 1% a.a., mas com cashback e estratégia personalizada; comission-based: pode ser mais barato se o investidor recusar produtos ruins.
O crescimento dos ETFs no Brasil
Patrimônio em ETFs: R$ 54 bi (dez/2024) para R$ 91 bi (dez/2025) — crescimento de 68% em um ano.
Número de investidores em ETFs: de 288.000 para 900.000 no mesmo período.
Produtos listados: de 30 para 500 ETFs na B3.
ETFs representam menos de 1% da indústria brasileira, contra 33% nos EUA — enorme potencial de crescimento.
Exemplos de ETFs citados: BOVA11 (Ibovespa), AVP1 (criado por Raul), ALPO11 (renda fixa), SMAL11 (small caps), LFIN (letra financeira).
Buy and hold: a vantagem do investidor individual
Estudos da Fidelity mostram que investidores 'mortos' (que não vendem) performam melhor que a média dos gestores.
Na plataforma UVP, clientes que não fizeram vendas nos últimos anos bateram o índice consistentemente.
Raul planeja publicar um estudo com dados de 10 anos de clientes buy and hold, mostrando alfa positivo.
Gestores profissionais sofrem com resgates e precisam vender em momentos ruins; o investidor individual pode manter a posição.
Disciplina emocional é crucial: não vender nas quedas é o maior desafio.
Ressalvas e exceções
Existem gestores excepcionais como o SPX Raptor (20% a.a. desde 2010), mas são raros e difíceis de identificar.
Em mercados ineficientes (crédito privado, small caps, nichos ilíquidos), um bom gestor pode agregar valor significativo (ex.: 140-150% do CDI).
Para investidores com capital elevado e acesso a gestores com histórico comprovado, fundos podem fazer sentido.
A transparência nunca é total: mesmo em investimento direto há spreads, rebates, taxas de corretagem e custos ocultos (ex.: aluguel de ações, IPOs).
Raul admite viés: ele ganha com consultoria e ETFs, mas afirma que falaria mal mesmo sem benefício próprio.
Passos práticos
Verifique se seus investimentos estão em fundos 2%+20% e calcule o impacto das taxas no longo prazo usando uma calculadora de juros compostos.
Considere migrar para ETFs de baixo custo (ex.: BOVA11, AVP1, ALPO11) para reduzir taxas e evitar come-cotas.
Se optar por investir direto em ações, adote a estratégia buy and hold: compre empresas sólidas e não venda nas quedas.
Diversifique sua carteira com pelo menos 10-15 ativos ou use ETFs para diversificação automática.
Avalie consultorias fee-based ou comission-based, mas desconfie de recomendações de produtos com altas comissões.
Estude antes de delegar: use plataformas como a UVP para aprender e depois decidir se quer gestão ativa ou passiva.
Acompanhe o crescimento dos ETFs no Brasil e considere alocar uma parte do patrimônio neles para exposição passiva.
Frases marcantes
"Quanto mais os gestores e corretores tiram, menos sobra pros investidores. — John Bogle"
"Se você investe, eu te prometo que no final desse vídeo você vai estar com várias ideias interessantíssimas na sua cabeça."
"90% dos fundos perdem pro benchmark e ainda cobram os 2%."
"Investidores mortos performam melhor. — Estudo da Fidelity"
"O custo não fecha: 2% + 20% para entregar 110% do CDI não vale a pena."
"Transparência nunca vai ter; mercado financeiro e transparência não combinam."
Mencionados no episódio
John Bogle — fundador da Vanguard, criador do primeiro fundo de índice
Vanguard — empresa de fundos de índice
SPX Raptor — fundo multimercado com retorno de 20% a.a. desde 2010
Medallion Fund — fundo do Renaissance Technologies, com taxas de 5% adm + 44% performance e retornos históricos de 39% a.a.
The Little Book of Common Sense Investing — livro de John Bogle (2007)
BOVA11 — ETF do Ibovespa
AVP1 — ETF criado por Raul Sena
ALPO11 — ETF de renda fixa
SMAL11 — ETF de small caps
LFIN — ETF de letra financeira
CVM 175 — resolução que alterou regras dos fundos no Brasil
XP Investimentos — corretora
Ágora — corretora comprada pelo Bradesco
UVP — plataforma de investimentos de Raul Sena
Fidelity — gestora americana, citada por estudo sobre buy and hold