“They Wanted A Bad Guy, So I Became One” - Ryan Garcia
Ryan Garcia, boxer e campeão mundial, discute sua mentalidade no ringue, a diferença entre agressão e raiva, os sacrifícios de uma carreira precoce, sua luta contra o autodesprezo e vícios, e visões sobre conspirações, política do boxe e finanças pessoais. O episódio explora como a obsessão direcionada pode ser um superpoder e a importância de aprender lições cedo.
Chris Williamson (host) - apresentador do Modern WisdomRyan Garcia - boxeador campeão mundial peso leve
O estado de fluxo no boxe é ideal para performance, mas prejudica a memória dos momentos do combate.
Raiva cega e leva a erros; agressão controlada é necessária para manter o instinto de matador.
Sacrificar a infância pelo esporte pode evitar erros na vida adulta, mas também atrasa o amadurecimento social.
A obsessão focada em um objetivo é 'motivação e disciplina gratuitas' que não duram para sempre.
Aprender lições financeiras cedo (como perder um milhão) é melhor do que aprender tarde com fortunas maiores.
A política do boxe e a ganância dos promotores impedem as melhores lutas de acontecer.
Ryan Garcia acredita que foi guiado por 'nudges' espirituais e que seu propósito no boxe é maior que o esporte.
A exposição a teorias da conspiração (como Bohemian Grove) veio de uma visão em 2021 e o levou a se envolver no combate ao tráfico infantil.
Estado de fluxo e memória no ringue
Ryan Garcia diz que não pensa durante a luta; apenas capta pistas e age por instinto e intuição.
Ele usa mantras mentais como 'stay focused' para se manter no momento, mas não há pensamento analítico.
A falta de pensamento consciente resulta em memória limitada do combate; ele precisa rever vídeos para lembrar a maioria dos momentos.
O estado de fluxo é o pico de performance, mas paradoxalmente rouba a memória da experiência.
Compara com músicos e comediantes que também têm dificuldade em lembrar performances no fluxo.
Chris Williamson observa que o estado mental de melhor desempenho é o que menos se recorda.
Sacrifício da infância e maturidade tardia
Ryan começou a boxear aos 7 anos e foi educado em casa a partir dos 15-16 para treinar mais.
Teve 225 lutas amadoras; sua vida era treinar durante a semana e lutar nos fins de semana.
Ele não se arrepende do sacrifício, mas acredita que ter uma infância normal o teria ajudado a evitar erros na vida adulta.
Fez 'erros de adolescente' na casa dos 20 anos, quando já tinha dinheiro e fama, o que foi mais custoso.
Chris concorda que é melhor cometer esses erros quando jovem, com menos recursos em jogo.
Ryan vê o sacrifício como necessário: 'tudo de grande neste mundo veio através de um sacrifício'.
Raiva vs. agressão no combate
Ryan distingue raiva (negativa, cega) de agressão (necessária para o instinto de matador).
Raiva excessiva faz o lutador perder a consciência dos golpes que podem vir; ele não vê o 'carro passando'.
Agressão controlada dá vantagem sem nublar o julgamento.
Ele cita Nikki Rodriguez (jiu-jitsu) como exemplo de calma samurai, mas ressalta que perder totalmente a agressão também custa algo.
Para Ryan, um pouco de agressão mantém o 'killer instinct' e o engajamento na luta.
Durante a luta com Haney, ele estava cheio de raiva, o que o levou a um estado perigoso, mas também o impulsionou.
A espiral de autodestruição e redescoberta
Ryan passou por um período turbulento: divórcio, custódia do filho, câncer da mãe, tudo ao mesmo tempo.
Ele lidou com isso bebendo e agindo de forma autodestrutiva, tentando 'afundar o navio'.
Sentia que o mundo o via como um 'bad guy', então decidiu se tornar um: 'They wanted a bad guy, so I became one'.
A raiva veio da sensação de desrespeito da comunidade do boxe, mesmo sendo 15 vezes campeão nacional amador.
Ele se surpreende por ainda estar vivo após esse período; aprendeu que o corpo é um templo e o que se coloca nele importa.
Agora busca intencionalidade em tudo, desde acordar até treinar, e evita o celular pela manhã para não 'estragar o dia'.
Visões, conspirações e ativismo
Em 2021, após vencer Luke Campbell, Ryan teve uma visão acordado: uma besta saindo do mar, uma ponte (San Francisco) e pessoas na floresta fazendo rituais.
Ele pesquisou e descobriu o Bohemian Grove, onde políticos e figuras poderosas se reúnem na floresta.
Ryan acredita que há uma indústria bilionária de tráfico sexual infantil e que as pessoas não falam o suficiente sobre isso.
Ele se uniu à fundação de Tim Tebow para combater o tráfico infantil e se sente bem por ter trazido atenção ao tema.
Chris pondera que, com a democratização da informação, é mais difícil esconder segredos, mas também questiona se focar nessas teorias é produtivo.
Ryan menciona a tentativa de assassinato de Trump e cientistas da NASA morrendo como exemplos de coisas 'estranhas' que estão acontecendo.
Política do boxe e o caso Zuffa
Ryan critica a complexidade do boxe: muitos promotores, cinturões e 'red tape' impedem as melhores lutas.
A luta contra Devin Haney quase não aconteceu; ele era o desafiante obrigatório, mas a política atrasou.
Sobre a Zuffa (possível compra do boxe pelo UFC), Ryan é cauteloso: não quer que o boxe se torne igual ao UFC, perdendo patrocínios individuais e a liberdade de usar seus próprios shorts.
Ele valoriza a tradição do boxe: as entradas, os shorts, o espetáculo. O UFC é mais 'slick', mas tira a personalidade.
Chris compara a burocracia do boxe às tradições acadêmicas antigas, enquanto o UFC é mais enxuto.
Ryan acredita que muitos lutadores usam os promotores como desculpa para não lutar quando, na verdade, têm medo.
Finanças pessoais e lições aprendidas
Ryan ganhou seu primeiro milhão aos 19-20 anos e rapidamente o perdeu com carros, jogos de azar e impostos.
Ele aprendeu cedo que dinheiro pode sumir rápido e que bens materiais não trazem felicidade duradoura.
Agora tem uma equipe de confiança que o ajuda a evitar erros financeiros; cita Mike Tyson como exemplo de quem perdeu uma fortuna.
Chris destaca que aprender a lição com 1 milhão é melhor do que com 100 milhões, como Tyson.
Ryan prefere não ter seguranças 24/7 por causa do custo (seis dígitos em 3 meses) e porque não ostenta riqueza.
Ele acredita que a sorte de aprender cedo o protegeu de problemas maiores no futuro.
Obsessão como superpoder
Ryan conta que, quando criança, passou horas pensando em como um oponente o acertava; no dia seguinte, voltou e aplicou a solução.
Ele vê o boxe como música: cada movimento é uma nota; quando algo está errado, é porque uma nota está fora do lugar.
Chris compara a obsessão de Ryan com a de um escritor que vive e respira o livro, com um 'context window' enorme.
Ryan diz que sua maior motivação é não desperdiçar seu potencial; o medo de não alcançá-lo é maior que o medo da morte.
Ele segue 'nudges' e intuições, acreditando que são guias espirituais que o levam aonde precisa estar.
A obsessão direcionada é 'motivação e disciplina gratuitas' que não duram para sempre; é preciso aproveitá-la enquanto está presente.
Saúde cerebral e CTE
Ryan está ciente dos riscos de CTE e lesões cerebrais, mas aceita que podem ser consequências de sua carreira.
Ele confia que, se algo acontecer, as pessoas que o amam cuidarão dele; sua fé em Deus guia suas decisões.
Até agora, não teve fratura no nariz e sente que sua memória está intacta, mas já tinha problemas de saúde mental (ansiedade, bipolaridade) antes do boxe.
Chris sugere que o nível de obsessão necessário para ser campeão mundial pode vir de algum traço de personalidade.
Ryan evita pensar no futuro negativo e foca em se manter saudável e evitar golpes desnecessários.
Ele acredita que, se for a vontade de Deus, aceitará as consequências.
Jake Paul, Conor McGregor e a evolução dos lutadores
Ryan inicialmente não considerava Jake Paul um boxeador de verdade, mas mudou de ideia após ele lutar contra Anthony Joshua.
Ele respeita a capacidade de Jake de gerar atenção e dinheiro, mas critica a 'ilusão' de que ele é de alto nível.
Sobre Conor McGregor, Ryan espera que ele encontre um caminho real (fé) e consiga uma última grande luta.
Chris observa que McGregor não evoluiu sua persona: continuou com a bravata em vez de se tornar um 'OG' calmo como Mayweather.
Ryan concorda que deveria haver uma evolução natural na carreira de um lutador, mas McGregor 'perdeu a atualização de firmware'.
Ele deseja ver McGregor vencer mais uma luta para 'salvar o legado'.
Passos práticos
Para entrar em estado de fluxo, pratique a habilidade até que os movimentos se tornem automáticos e use mantras mentais para manter o foco.
Diferencie raiva de agressão: canalize a agressão para ter vantagem sem perder a consciência do que está ao redor.
Evite o celular na primeira hora do dia; comece com meditação ou sons calmantes para não 'estragar o dia'.
Se tiver uma obsessão positiva, aproveite-a como motivação gratuita; não a desperdice, pois pode não durar para sempre.
Aprenda lições financeiras cedo: evite gastos impulsivos com carros e jogos de azar; cerque-se de uma equipe de confiança.
Ao enfrentar um problema técnico no esporte ou trabalho, reflita profundamente sobre ele por horas até encontrar a solução.
Siga intuições e 'nudges' que parecem guiá-lo; eles podem levar a oportunidades ou propósitos maiores.
Frases marcantes
"They wanted a bad guy, so I became one."
"I don't think you get to the level of obsession and focus you need without having something in that edge."
"My biggest fear in life is just not reaching my potential and wasting it."
"If you have an obsession that's pointing in a positive direction, you really shouldn't waste it. It's free motivation, free discipline."
"Raiva cega e faz você não ver o carro passando; agressão controlada te dá a vantagem sem perder a visão."
"Aprendi que o corpo é um templo e o que você coloca nele é tão importante quanto o que você coloca para fora."
Mencionados no episódio
Devin Haney - boxeador adversário de Ryan Garcia
Luke Campbell - boxeador que Ryan derrotou em 2021
Nikki Rodriguez - lutador de jiu-jitsu brasileiro, vencedor do CJI
Jake Paul - youtuber e boxeador
Anthony Joshua - boxeador peso pesado
Conor McGregor - lutador de MMA
Floyd Mayweather - boxeador aposentado
Manny Pacquiao - boxeador e político filipino
Mike Tyson - ex-boxeador
Tim Tebow - ex-jogador de futebol americano e fundador de fundação anti-tráfico
Bohemian Grove - local de retiro de elites nos EUA
Alex Jones - apresentador de rádio e teórico da conspiração
Ali Act - lei de transparência no boxe dos EUA
Zuffa - empresa do UFC que tenta entrar no boxe
Craig Jones Invitational (CJI) - evento de jiu-jitsu
Function Health - empresa de exames laboratoriais (patrocinador)
AG1 - suplemento nutricional (patrocinador)
Athletic Brewing Co. - cerveja sem álcool (patrocinador)