HYPERLIQUID: A MAIOR TESE DE CRIPTO DOS PRÓXIMOS ANOS? | Crypto Never Sleeps #53
Episódio analisa a fundo a Hyperliquid, exchange descentralizada que se tornou a maior tese de cripto para Juan Monton. Discute sua tecnologia de alta frequência, tokenomics com queima de 99% das taxas, airdrop recorde de US$ 16 bi, ausência de VCs, riscos regulatórios e concorrência com Lighter e CME. O convidado defende que o tempo é o principal driver para o token Hype atingir três dígitos.
Marcelo Cestari – host do Crypto Never SleepsJuan Monton – analista e embaixador da Pendle e Hyperliquid no Brasil
Hyperliquid processa 100.000 ordens/segundo e gerou US$ 116 mi de receita mensal em agosto/2025, com equipe de apenas 11 pessoas.
99% das taxas de trading são usadas para recomprar e queimar tokens Hype, criando deflação contínua e reduzindo o market cap necessário para novos ATHs.
O airdrop de 40% do supply (US$ 16 bi para 90 mil usuários) foi o maior da história e fidelizou a comunidade sem diluição por VCs.
A Hypercore (blockchain própria) e a HyperEVM permitem que terceiros criem corretoras e aplicativos usando seu motor de liquidez – modelo 'AWS de liquidez'.
O HIP4 (outcome markets) rivaliza com Polymarket, mas usa consenso de validadores com staking de 10.000 Hype (~US$ 600k) para evitar manipulação.
A parceria com a Circle (USDC) adicionou US$ 170 mi/ano em receita de yield para o fundo de recompra, além de fortalecer o lobby regulatório nos EUA.
Riscos principais: concentração de infraestrutura (oráculos), possível veto regulatório nos EUA por pressão de CME/Nasdaq, e centralização da equipe de 11 pessoas.
Juan Monton recomenda controle da ganância e visão de longo prazo: 'Crypto é uma maratona, não um sprint'.
Introdução e contexto do convidado
Juan Monton é analista e empreendedor de cripto desde 2019, com passagem pela área de compliance e pela Mint (corretora de cripto do BTG).
Atualmente é embaixador da Pendle (maior plataforma de rendimento fixo em cripto) e lidera a comunidade Hyperliquid no Brasil.
Conheceu a Hyperliquid em meados de 2023, quando um colega mostrou a plataforma; o primeiro trade impressionou pela velocidade e liquidez, comparável a corretoras tradicionais.
Antes da Hyperliquid, as DEXs de perpétuos (GMX, dYdX) tinham UX ruim, ordens lentas e slippage alto – a experiência era 'horrível'.
A Hyperliquid começou como uma DEX de perpétuos, mas evoluiu para uma infraestrutura de liquidez que outros podem usar (modelo 'AWS de liquidez').
O que são perpétuos e por que a Hyperliquid domina
Contratos perpétuos são futuros sem data de vencimento, permitindo alavancagem e especulação contínua.
Perpétuos são o negócio mais lucrativo em cripto; a Hyperliquid já negociou US$ 4,3 trilhões em 3 anos.
A plataforma suporta ordens de até US$ 1 bilhão sem limitação técnica, atendendo tanto varejo quanto grandes players.
Durante o crash de outubro/2024 (BTC caiu 50-60% em minutos), várias corretoras centralizadas e descentralizadas caíram, mas a Hyperliquid manteve-se operacional.
A eficiência tecnológica (100.000 ordens/segundo) e a liquidez profunda são os diferenciais competitivos centrais.
Tokenomics do Hype: buyback, queima e deflação
99% das taxas de trading são direcionadas a um fundo de assistência que recompra e queima tokens Hype permanentemente.
Em setembro/2025, o Hype atingiu ATH de ~US$ 60 com market cap de US$ 16,2 bi; semanas depois, bateu US$ 64 com market cap de US$ 14,8 bi – 10% a mais de preço com 9% a menos de market cap.
Esse efeito é resultado direto da queima contínua: menos tokens em circulação exigem menos capital para subir o preço.
A receita média é de ~US$ 1 milhão/dia; em agosto/2025 foram US$ 116 mi de receita mensal.
O time recebeu apenas 1-2% dos tokens do vesting programado, postergando a pressão vendedora e demonstrando alinhamento com a comunidade.
Airdrop recorde e ausência de VCs
40% do supply total foi distribuído via airdrop para 90 mil usuários – o maior da história, avaliado em US$ 16 bi no pico.
O fundador Jeff Yan (ex-Hudson River Trading, medalhista olímpico de física, Harvard) financiou o projeto com capital próprio e recusou investimento de VCs.
A ausência de VCs elimina a pressão de vendas futuras e alinha os incentivos com a comunidade de longo prazo.
Os 38,88% restantes do supply estão reservados para futuras recompensas à comunidade (possível segundo airdrop), mas sem detalhes públicos para evitar capital mercenário.
O airdrop funcionou como um sistema de fidelidade: quem mais usou a plataforma na fase beta recebeu mais tokens.
Hypercore e HyperEVM: a infraestrutura de duas camadas
Hypercore é a blockchain própria onde ocorrem as negociações (até 100.000 TPS); HyperEVM é uma camada para aplicativos descentralizados (dApps).
Ambas usam o mesmo mecanismo de consenso, mas com propósitos diferentes: Hypercore é otimizada para trading de alta frequência; HyperEVM para flexibilidade de contratos inteligentes.
Precompiles permitem que a HyperEVM acesse dados e execute transações na Hypercore, viabilizando produtos como empréstimos usando colateral da corretora.
O objetivo final é ser a 'AWS de liquidez': fornecer o motor de matching e liquidez para que terceiros criem suas próprias corretoras sem se preocupar com infraestrutura.
Qualquer pessoa pode listar novos mercados (perpétuos, spot, commodities) de forma permissionless, sem autorização da Hyperliquid.
HIPs e outcome markets (HIP4)
HIP1 e HIP2 tratam de tokens spot; HIP3 permite criação de mercados perpétuos; HIP4 é para outcome markets (mercados preditivos).
Diferente da Polymarket, que usa o token UMA para resolver disputas (market cap de US$ 60 mi vs US$ bi da Polymarket – vulnerável a manipulação), a Hyperliquid usa consenso de validadores.
Validadores precisam stakar 10.000 Hype (~US$ 600k) e podem ser punidos (slash) se tentarem manipular resultados – incentivo econômico forte contra fraudes.
Nos primeiros dias do HIP4, o volume de alguns mercados já superou o da Polymarket.
A transparência on-chain permite que qualquer um audite trades, taxas e resultados sem autorização.
Parceria com Circle e stablecoin USDC
A stablecoin nativa SDH (criada por terceiros com staking de 1 milhão de Hype) foi adquirida pela Circle e desativada; USDC tornou-se a stablecoin padrão.
90% da receita de yield dos USDCs na Hyperliquid (estimada em US$ 170 mi/ano, dado rendimento de ~3,5-3,75% a.a.) vai para o fundo de recompra de Hype.
A parceria com a Circle fortalece o lobby regulatório nos EUA, crucial para a aceitação institucional e para influenciar o Clarity Act e o GENIUS Act.
A Hyperliquid criou o Hyperliquid Policy Center no final de 2024, com membros que contribuíram para o GENIUS Act, para representar seus interesses nos EUA.
Riscos e críticas (centralização, regulação, concorrência)
Risco regulatório: CME e Nasdaq pressionaram a CFTC contra a Hyperliquid; o produto não está disponível nos EUA (apenas via distribuidores como Phantom).
Críticas de centralização: equipe de 11 pessoas; escolha arbitrária do time do SDH gerou acusações de 'panelinha'; baixo número de validadores.
Risco técnico: concentração de infraestrutura (poucos oráculos alimentam o mercado multibilionário); avanços em IA podem aumentar hacks (ex.: falhas no Linux, Nvidia, GitHub).
Concorrência: Lighter tem vantagem regulatória (CEO no conselho da CFTC) e conexão com Robinhood, mas open interest ainda é várias vezes menor que o da Hyperliquid.
Juan Monton afirma que sairia da posição se a eficiência tecnológica ou o alinhamento da equipe se degradassem.
Perspectivas de preço e ETFs
Bitwise, Grayscale e outros lançaram ETFs de Hype; o fluxo institucional é positivo, mas ainda pequeno comparado a BTC/ETH.
Para Hype chegar a US$ 150, Juan acredita que o principal fator é tempo: o token tem apenas 1,5 ano e já mostra efeito deflacionário claro.
Se a Hyperliquid igualasse o market cap da Solana hoje (~US$ 60 bi), o preço do Hype seria ~US$ 300.
A baleia que está shortando Hype (com posição de ~US$ 100 mi) provavelmente está fazendo hedge de posições spot, não é um trade direcional.
Conselhos finais e visão de mercado
Juan recomenda o livro 'Iludidos pelo Acaso' (Fooled by Randomness) de Nassim Taleb, que alerta sobre confundir sorte com competência – algo comum em cripto.
História real: um servente de pedreiro que investiu R$ 6 mil em uma altcoin aleatória e fez R$ 6 milhões em um mês, mas depois perdeu tudo.
Maior mito sobre cripto: 'dá para ganhar dinheiro rápido' – na verdade, é uma maratona, não um sprint.
Maior risco estrutural: concentração de infraestrutura (oráculos, poucos validadores) que pode levar a hacks em escala.
Dica para investidores: controlar a ganância é mais difícil do que encontrar o projeto certo; 'sobreviva' é a chave.
Passos práticos
Abrir conta na Binance (link na descrição) para comprar Hype e outras criptos com Pix.
Acessar a Hyperliquid para testar a plataforma de perpétuos e entender a experiência de trading de alta frequência.
Acompanhar as HIPs (propostas de melhoria) para identificar novas oportunidades de mercado e possíveis airdrops.
Diversificar com cautela em cripto: cada projeto adiciona vetores de risco (oráculos, frontend, auditorias) – não diversificar cegamente.
Usar carteiras como Phantom para acessar a Hyperliquid nos EUA (via distribuidores autorizados).
Controlar a ganância: evitar FOMO e manter posições de longo prazo, realizando lucros gradualmente.
Estudar tokenomics: priorizar projetos com queima de tokens, receita real e alinhamento de incentivos (como Hyperliquid).
Frases marcantes
"A maior jogada de cripto foi descentralizar a confiança. Você pode provar matematicamente que o que aconteceu realmente aconteceu."
"É muito fácil confundir competência com sorte. Essa sorte travestida de competência te cobra caro."
"Crypto é um jogo que você não fica rico rápido, você fica rico no longo prazo. É uma maratona, não um sprint."
"A ganância geralmente é que faz você tomar as piores decisões do mercado."
"Sobreviva. Só isso."
"O grande ponto é que muitos grupos rodam IA localmente, tiram todos os guard rails e fazem um juros composto de testes de estresse. Isso vai aumentar hacks em cripto."
Mencionados no episódio
Hyperliquid – exchange descentralizada de perpétuos e infraestrutura de liquidez
Hype – token nativo da Hyperliquid
Pendle – maior plataforma de rendimento fixo em cripto
GMX – DEX de perpétuos concorrente
dYdX – DEX de perpétuos concorrente
Jeff Yan – fundador da Hyperliquid, ex-Hudson River Trading
Hudson River Trading – empresa de HFT
Bitwise – gestora que chamou Hype de 'ativo mais mal precificado'
Grayscale – gestora que entrou com pedido de ETF de Hype
Circle – emissora do USDC
SDH – stablecoin nativa da Hyperliquid (adquirida pela Circle)
Polymarket – plataforma de mercados preditivos
UMA – token de governança usado pela Polymarket
Lighter – DEX de perpétuos concorrente
CME – bolsa de futuros tradicional
Nasdaq – bolsa de valores
CFTC – regulador de derivativos dos EUA
Clarity Act / GENIUS Act – projetos de lei de regulação cripto nos EUA
Phantom – carteira de cripto que integrou Hyperliquid
Robinhood – corretora que pode integrar perpétuos via Lighter
Iludidos pelo Acaso (Fooled by Randomness) – livro de Nassim Taleb
Multicoin Capital – fundo que critica a Hyperliquid (Kaio Samani)
Arthur Hayes – cofundador da BitMEX, fez aposta de US$ 100k contra Hype