SpaceX’s $2T Case, Nvidia’s Shock Selloff, America Turns on AI, Trump Pulls AI Order, Bond Crisis?
Episódio 274 do All-In discute a contratação de Andrej Karpathy pela Anthropic para liderar autoaperfeiçoamento recursivo, o IPO da SpaceX com valuation de US$ 1,75 trilhão e o papel da Elon Web Services, os resultados recordes da Nvidia e a crise de relações públicas da IA. Participam Chamath Palihapitiya, Jason Calacanis, David Friedberg e o convidado Gavin Baker (Atrides Management).
Chamath Palihapitiya – investidor e co-hostJason Calacanis – investidor e co-hostDavid Friedberg – investidor e co-hostGavin Baker – gestor de fundos, Atrides Management
Andrej Karpathy assume pré-treinamento na Anthropic focado em autoaperfeiçoamento recursivo, podendo acelerar melhorias anuais de 10x nos modelos.
SpaceX busca levantar US$ 75 bi a valuation de US$ 1,75 tri; Starlink gerou US$ 11,4 bi de receita e Elon Web Services (aluguel de GPUs) já soma US$ 15 bi/ano só com a Anthropic.
Nvidia reportou receita de US$ 81,6 bi no trimestre (+85% a/a), mas ações sobem apenas 16% no ano; empresa afirma estar ganhando participação em ASICs, contrariando narrativa de perda de share.
A crise de imagem da IA é alimentada por demissões em big techs (Cloudflare cortou 20% dos funcionários mesmo com receita recorde) e pela percepção de que trabalhadores estão treinando seus substitutos.
Friedberg vê riscos macro com inflação subindo (CPI pode chegar a 6% no 2º tri), dívida global a 310% do PIB e yields de títulos longos em máximas históricas, mas acredita que EUA estão relativamente protegidos por serem autossuficientes em energia e terem a liderança em IA.
A visita de CEOs tech à China não resultou em acordo amplo, apenas vendas pontuais de soja, aviões e chips H100/A200; Friedberg acredita que o alinhamento geopolítico por trás das cortinas foi mais relevante.
Gavin Baker defende que vender GPUs defasadas para China reduz incentivo ao desenvolvimento de ecossistema alternativo, mantendo a liderança americana.
Chamath sugere que Trump pode ter negociado um cronograma para Taiwan (ex.: handoff em 20-30 anos) e que o fechamento do Estreito de Ormuz beneficia relativamente os EUA ao encarecer energia para concorrentes.
Andrej Karpathy na Anthropic e autoaperfeiçoamento recursivo
Karpathy, 39 anos, ex-Tesla (FSD) e cofundador da OpenAI, junta-se à Anthropic para liderar nova equipe de pré-treinamento focada em recursive self-improvement.
Ele cunhou o termo 'vibe coding' e criou o Auto Research (82k+ estrelas no GitHub), ferramenta open-source que permite modelos melhorarem a si mesmos com experimentos de 5 minutos.
Chamath compara Karpathy aos 'Google Fellows' (Jeff Dean, Amit Singhal) que estavam na crista de cada onda tecnológica; ele foi pioneiro em comercializar a abordagem de força bruta computacional (bitter lesson de Sutton) no FSD da Tesla.
Na Tesla, Karpathy passava cerca de 25% do tempo rotulando dados manualmente (vídeos de direção) em 2016-17.
A Anthropic já tem lucro operacional no trimestre mais recente (segundo WSJ), com ARR estimado em ~US$ 100 bi (incluindo OpenAI, Gemini, Cursor, xAI) e margens brutas de ~80% em inferência.
Gavin Baker: recursive self-improvement e continual learning são as 'duas fronteiras finais' da IA; se bem-sucedidos, podem tornar conservadora a estimativa de melhoria de 10x ao ano.
Friedberg sugere que o futuro pode ser de redes de modelos pequenos e especializados, com custo por token drasticamente menor; breakthroughs em arquitetura podem reduzir custo em 50%.
Google incluiu silenciosamente o Gemini Nano (4 GB) no Chrome para tarefas locais (correção, autocomplete), gerando debates sobre privacidade; Chamath defende que o foco deve estar nos benefícios ao usuário final.
Crise de relações públicas da IA e demissões em big techs
Três discursos de formatura foram vaiados por menções à IA (Eric Schmidt entre eles); jovens temem concentração de poder e perda de empregos.
Matthew Prince (Cloudflare) demitiu 20% da força de trabalho mesmo com receita recorde, chamando os demitidos de 'measurers' (pessoas que medem dados), justificando que IA os torna desnecessários.
Mark Zuckerberg demitiu 8.000 pessoas e simultaneamente anunciou software de gravação em todos os computadores da Meta para treinar modelos de IA, gerando percepção de que funcionários estão treinando seus substitutos.
Chamath critica duramente a comunicação dos CEOs: 'Eles são péssimos nisso. Deveriam ficar quietos e apenas gerenciar.'
Friedberg aponta três causas para o backlash: (1) percepção de que a IA cria alavancagem para poucos, (2) interferência de atores estrangeiros (herança da Guerra Fria, KGB) para desacelerar a inovação americana, (3) choque antropocêntrico similar à revolução copernicana.
Gavin Baker sugere que Dario Amodei (Anthropic) exacerba o medo para criar fosso regulatório ('regulatory moat'), estratégia racional para seu negócio.
Sham Sankar (CTO Palantir) recomenda ouvir os usuários finais (enfermeiros, operários) que já se beneficiam da IA, em vez dos inventores.
Chamath defende que não se deve desacelerar a IA; a proliferação é inevitável e o equilíbrio com China (que está 9 meses atrás) é necessário para evitar hegemonia unilateral.
IPO da SpaceX: valuation de US$ 1,75 tri e Elon Web Services
SpaceX protocolou S-1 para levantar US$ 75 bi a valuation de US$ 1,75 tri; listagem prevista para 12 de junho, ticker SPCX; seria o maior IPO da história (mais que o dobro da Aramco).
Starlink: US$ 11,4 bi de receita (+50% a/a), US$ 4,4 bi de lucro operacional, 10 milhões de assinantes; potencial para centenas de milhões.
Lançamento (Falcon/Starship): US$ 4 bi de receita (+17% a/a), mas US$ 650 mi de prejuízo operacional.
xAI: US$ 3,2 bi de receita (+100% a/a), prejuízo de US$ 6,4 bi; 60% do Capex de US$ 20 bi foi para construção de clusters de IA.
Elon Web Services: Anthropic paga US$ 1,25 bi/mês (US$ 15 bi/ano) para alugar Colossus 1 e parte do Colossus 2; contrato de 3 anos (US$ 45 bi) com cláusula de cancelamento com 90 dias de aviso.
Cursor (adquirida pelo xAI) geraria mais US$ 2-3 bi de receita, dobrando a.a.; Composer 2.5 (modelo de código) tornou-se Pareto dominante após apenas 3-4 semanas de RL no Colossus 2.
Gavin Baker: SpaceX constrói datacenters em 66-122 dias, muito mais rápido que concorrentes; capacidade de escalar para gigawatts é diferencial crítico.
Chamath: sob múltiplo de receita (~20x sobre receita projetada de US$ 40-45 bi em 2026), o negócio de datacenters terrestres já justifica o valuation; ativos espaciais (Starlink, Starship) são 'gravy'.
Friedberg: datacenters em órbita são uma 'apólice de seguro para a civilização', livres de controle governamental terrestre; previsão de operação entre 2º semestre de 2028 e 1º semestre de 2030.
Starship: projetada para reuso rápido (múltiplos voos por dia); se bem-sucedida, capacidade de carga superará todo o histórico de lançamentos combinados.
Nvidia: resultados recordes e narrativa de perda de participação
Receita Q1: US$ 81,6 bi (+85% a/a, +20% q/q); lucro líquido de US$ 58 bi; fluxo de caixa livre de US$ 48 bi; margem bruta de 75%.
Market cap de US$ 5,3 tri; ações subiram apenas 16% no ano, apesar do crescimento explosivo.
Anunciou US$ 80 bi adicionais em recompras (total de US$ 180 bi desde 2023) e aumento de dividendo de 1 centavo para 25 centavos/ação (25x).
CFO afirmou que devolverá 50% do fluxo de caixa livre aos acionistas.
Gavin Baker: Nvidia está crescendo mais rápido que o Capex dos hyperscalers e que a receita de ASICs da Broadcom (+143% a/a), contrariando a tese de perda de share.
Jensen Huang estaria frustrado com a narrativa de perda de share, pois ASICs concorrentes (TPU, Inferentia, Trainium) não são submetidos a benchmarks públicos (MLPerf, CV analysis).
Negócio de CPUs da Nvidia deve atingir US$ 20 bi no ano, tornando-a um dos maiores fabricantes de CPU do mundo.
A amortização de GPUs em 4-6 anos (vs. vida útil real de 10-15 anos para inferência) permite financiamento a taxas baixas (CoreWeave consegue 6% em asset-backed loans), salvando as 'neo clouds'.
Friedberg: a evolução para arquiteturas específicas de domínio (DSA) está ocorrendo dentro da Nvidia, que co-desenha chips com todos os laboratórios de IA.
Macro: inflação, juros e riscos de crédito
Polymarket: 99% de chance de CPI de maio vir acima de 4,2%; pesquisa com profissionais projeta CPI em 6% no 2º trimestre.
Yield da T-10 anos em 4,6%; Japão: 30 anos a 5,1% (recorde); Reino Unido: maiores yields desde a crise financeira; Alemanha: maior desde 2011.
Friedberg ('Dr. Doom'): dívida global a 310% do PIB; gastos insustentáveis em todos os níveis de governo; carry trade pode desabar e desencadear crise de crédito.
Gavin Baker: três coisas podem ser verdade simultaneamente: (1) alta de juros é preocupante, (2) fundamentos da IA estão se fortalecendo (Anthropic lucrativa, crescendo mais rápido que qualquer empresa na história), (3) fechamento do Estreito de Ormuz é relativamente bom para os EUA (autossuficiência energética, gás natural barato).
Chamath: mantém apenas 5 ou menos posições públicas concentradas (ex.: 20% em uma, 15% em outra); evita especular e foca em empresas que representam o futuro.
Gavin Baker gere mais de 100 posições com equipe de 30+ pessoas; vê o mercado de IA como 'cross-sectionally inefficient' – múltiplos de receita de chips vs. memória vs. infraestrutura não podem estar todos corretos.
Visita de CEOs à China: resultados e geopolítica
Comitiva de 48h com Trump e Xi Jinping gerou anúncios de vendas de soja, aeronaves e chips H100/A200 para Baidu, mas nenhum acordo amplo.
Friedberg: não houve 'grande acordo'; a relação continua sendo de competição; Putin encontrou-se com Xi logo após a visita, sinalizando alinhamento Rússia-China.
Chamath: o mais importante foi o alinhamento tácito sobre o tabuleiro geopolítico (Venezuela, Irã, Taiwan); acredita que Trump pode ter negociado um cronograma para Taiwan (handoff em 20-30 anos).
Gavin Baker: vender GPUs defasadas para China reduz incentivo ao desenvolvimento de ecossistema alternativo, o que é estabilizador e mantém a liderança americana.
Chamath destaca que Trump tem habilidade única de se relacionar com ditadores e monarcas; sugere que pode ter garantido que China não iniciará conflitos durante seu mandato.
O fechamento do Estreito de Ormuz é usado como alavanca: China depende de petróleo do Irã, Venezuela e Rússia; se dois destes forem cortados, China fica vulnerável.
Debate sobre regulação de fronteira e testes de segurança
Ordem executiva presidencial sobre IA foi 'puxada' de última hora; versão vazada exigia supervisão federal de modelos de fronteira (frontier models).
Chamath defende KYC (know your customer) bilateral EUA-China para evitar que modelos sejam usados para armas biológicas; sugere que China já revisa treinamentos antes de liberar modelos.
Gavin Baker: prefere autorregulação e responsabilização via tribunais (ex.: OpenAI processada por suicídio de adolescente); teme que regulação governamental seja 'ratoeira de sentido único' (one-way ratchet).
Friedberg: a proliferação é inevitável; o equilíbrio com China (que está 9 meses atrás) é necessário; sociedades ortogonais (EUA e China) têm mais chance de encontrar paz (teoria mimética de René Girard).
Exemplo de Flock Safety (câmeras com IA para combate ao crime): cidades podem optar por adotar ou não; Cambridge (MA) votou por desligar detectores de tiros, gerando debate sobre prioridades.
Futuro do trabalho: robôs humanoides e direção autônoma
Figure Robot demonstrou capacidade de separar pacotes em armazém por uma semana; Amazon poderia substituir trabalhadores, gerando debate sobre taxação de robôs.
Chamath questiona se os próprios trabalhadores desejam manter seus empregos: 'Amazon tem churn de 35-40% nos armazéns; se fosse tão bom, seria 3-4%.'
Gavin Baker: cidades sem Waymo ou Cybercab parecerão 'bárbaras e inseguras'; 50 mil mortes no trânsito/ano nos EUA justificam a adoção de direção autônoma.
Friedberg: o medo da IA é comparável ao impacto da bomba atômica na psique coletiva; a tecnologia cria assimetrias de poder que assustam a população.
Chamath: 'Crime é uma escolha' – com ferramentas como Flock Safety e drones da polícia de Las Vegas (investimento de US$ 30-40 mi/ano), é possível tornar cidades extremamente seguras.
Passos práticos
Invista em empresas que representam o futuro (IA, infraestrutura espacial) e mantenha posições concentradas (5 ou menos), evitando especulação em ativos sem tese clara.
Avalie o uso de LLMs para pesquisa médica e solução de problemas complexos, como no caso do pai que encontrou tratamento para a filha com doença genética rara.
Considere a alocação para Nvidia e fornecedores de infraestrutura de IA, mas esteja atento à sazonalidade (verão pode reduzir uso de modelos).
Para empreendedores: foque em aplicações verticais de IA (small language models) que resolvem problemas específicos com custo reduzido.
Acompanhe de perto os yields de títulos longos (T-10, JGB-30) como sinal de alerta para crise de crédito; mantenha exposição a ativos reais (energia, infraestrutura).
Empresas de tecnologia devem comunicar demissões com cuidado para evitar crise de imagem; evite termos como 'measurers' e mensagens que sugiram substituição em massa.
Invista em segurança pública baseada em IA (ex.: Flock Safety) como forma de reduzir criminalidade com investimento relativamente baixo.
Frases marcantes
"Se você não falha, não está aprendendo. – Chamath Palihapitiya, sobre os testes da Starship."
"Pare de perguntar aos inventores de IA o que eles pensam. Vá perguntar ao enfermeiro da UTI que agora tem mais tempo para os pacientes. – Sham Sankar (citado por Gavin Baker)."
"O crime é uma escolha. – Chamath Palihapitiya, sobre o uso de IA na segurança pública."
"A IA é quase anti-humanista. Ela desloca o ego humano de forma similar à revolução copernicana. – David Friedberg."
"Se você der um poder ao governo, ele quase nunca é tomado de volta. É uma ratoeira de sentido único. – Gavin Baker, sobre regulação de IA."
"Vender GPUs defasadas para a China reduz o incentivo para eles desenvolverem seu próprio ecossistema alternativo. – Gavin Baker."
Mencionados no episódio
Andrej Karpathy – pesquisador de IA, ex-Tesla/OpenAI, agora na Anthropic
Anthropic – empresa de IA, criadora do Claude
SpaceX – empresa aeroespacial de Elon Musk
Starlink – divisão de internet via satélite da SpaceX
xAI – empresa de IA de Elon Musk (Grok)
Cursor – IDE de codificação com IA, adquirida pelo xAI
Nvidia – fabricante de GPUs e chips de IA
Broadcom – fabricante de ASICs e semicondutores
CoreWeave – provedor de nuvem especializado em GPUs
Cloudflare – empresa de segurança e infraestrutura de internet
Meta – empresa de tecnologia (Facebook, Instagram)
OpenAI – criadora do ChatGPT
Google – Alphabet, criadora do Gemini
Palantir – empresa de análise de dados e IA
Flock Safety – startup de câmeras com IA para segurança pública
Figure – startup de robôs humanoides
Polymarket – plataforma de previsão baseada em cripto
Michael Burry – investidor conhecido por 'The Big Short'
Jensen Huang – CEO da Nvidia
Elon Musk – CEO da SpaceX, Tesla, xAI
Sham Sankar – CTO da Palantir
Matthew Prince – CEO da Cloudflare
Mark Zuckerberg – CEO da Meta
Dario Amodei – CEO da Anthropic
Sam Altman – CEO da OpenAI
Ben Horowitz – cofundador da a16z
Felicia Horowitz – esposa de Ben, envolvida em segurança pública em Las Vegas
Jeff Dean – engenheiro do Google
Richard Sutton – cientista da computação, autor do 'bitter lesson'
René Girard – filósofo, teoria mimética
Thucydides – historiador grego, 'Thucydides trap'
Estreito de Ormuz – estreito estratégico para petróleo
Colossus 1 e 2 – clusters de computação do xAI
Composer 2.5 – modelo de código do Cursor
Grok Build – ferramenta/harness para o modelo Grok