BEDRIDDEN AT 26: How Food Reversed Her Autoimmune Disease
Mickey Trescott, criadora do Protocolo Autoimune (AIP), conta sua jornada de recuperação de Hashimoto e doença celíaca, explica a ciência por trás do AIP, detalha as atualizações do novo livro (incluindo versão modificada) e fornece um guia prático de eliminação, reintrodução e alimentação diária.
Ben Greenfield – apresentador e especialista em biohackingMickey Trescott – nutricionista, autora e criadora do Protocolo Autoimune (AIP)
O AIP não é uma dieta para sempre, mas um protocolo de eliminação de 30 a 90 dias seguido de reintrodução sistemática para identificar gatilhos individuais.
A genética é apenas um fator; o ambiente (dieta, estresse, patógenos) determina a expressão de doenças autoimunes.
A eliminação de alimentos é importante, mas a inclusão de alimentos ricos em nutrientes (caldo ósseo, fermentados, fibras) e mudanças no estilo de vida (sono, estresse, exercício) são igualmente cruciais.
Testes de sensibilidade alimentar (IgG) não substituem a eliminação e reintrodução – o padrão ouro continua sendo o desafio alimentar controlado.
A versão modificada do AIP inclui arroz, leguminosas, sementes e café, tornando o protocolo mais acessível sem perder a eficácia.
O iodo pode piorar tireoidites autoimunes (Hashimoto e Graves); a ingestão deve vir de frutos do mar, não de algas ou suplementos.
Reações a alimentos podem ocorrer até 6 dias após o consumo; o rastreamento com diários ou wearables (Whoop, Oura) é essencial para identificar gatilhos.
A transição gradual para o AIP (cerca de 1 mês) evita efeitos adversos como dores de cabeça ou desconforto digestivo.
Jornada pessoal de Mickey e origem do AIP
Mickey foi diagnosticada com Hashimoto e doença celíaca aos 26 anos, após anos de fadiga, perda de cabelo e intolerância ao exercício.
Ela chegou a ficar acamada, incapaz de trabalhar, e os médicos atribuíram seus sintomas à depressão.
A dieta sem glúten não resolveu; ela descobriu o conceito de AIP em uma frase no livro de Robb Wolf, que listava 6 grupos alimentares problemáticos: grãos, leguminosas, ovos, nozes, sementes, beladonas e laticínios.
Ela se conectou com outras 6 mulheres com doenças autoimunes (EM, DII, psoríase) e começou a compartilhar receitas, originando o primeiro livro de receitas AIP.
O AIP sempre foi um projeto comunitário, sem um único dono, e evoluiu com contribuições de pacientes e profissionais.
O que é doença autoimune e por que ela surge
Existem mais de 100 doenças autoimunes, todas caracterizadas pelo sistema imunológico atacando o próprio corpo.
Cerca de 70% do sistema imunológico reside no intestino, que determina o que entra no corpo.
A genética é apenas uma predisposição; o ambiente (vírus, estresse, nutrição) desencadeia a expressão gênica.
Eventos traumáticos (morte de ente querido, acidente) são gatilhos comuns, mas o início pode ser gradual, como no caso de Mickey.
O iodo em excesso (ex.: sal iodado, algas) pode desencadear tireoidite autoimune em populações susceptíveis – documentado na literatura.
Pesquisas científicas que embasam o novo livro
A partir de 2015, uma gastroenterologista do Scripps (San Diego) conduziu 4 estudos com pacientes de DII (Crohn e colite) usando AIP: transição de 6 semanas, eliminação de 8 semanas, com melhora clínica significativa.
Um estudo de expressão gênica intestinal (RNA) em 4 pacientes com colite ulcerativa mostrou mudanças positivas.
Dr. Rob Abbott liderou um estudo em Hashimoto: 60% dos pacientes tratados com medicamento ainda têm sintomas; o AIP melhorou os sintomas sem alterar os hormônios tireoidianos.
Um grupo polonês fez estudo de 12 semanas com análise de densidade nutricional no AIP.
Julianne Taylor (Nova Zelândia) publicou um piloto em artrite reumatoide com 9 pacientes há 2 semanas.
Resultado geral: cerca de 3 em cada 4 pacientes obtêm melhora clínica significativa com a combinação de dieta, sono, estresse e exercício.
Eliminação vs. inclusão: o que realmente importa
Para alguns, remover glúten é transformador; para outros, a chave é aumentar a densidade nutricional (caldo ósseo, fermentados, fibras).
Beladonas (tomate, pimenta, berinjela, batata) são inflamatórias para alguns, mas inofensivas para outros.
O AIP não é uma dieta low-carb; é importante incluir carboidratos de qualidade (batata-doce, abóbora, banana-da-terra) para evitar fadiga.
A versão modificada inclui arroz, leguminosas e sementes, facilitando a adesão sem perder os benefícios.
Exemplo de dia alimentar no AIP
Café da manhã: hambúrguer de carne moída com ervas + batata-doce e acelga refogados; ou sopa matinal (caldo, carne, legumes cozidos).
Almoço: salada com vegetais crus, ervas frescas (hortelã, manjericão, endro) e proteína (sardinha, salmão, frango, bife).
Lanche: almôndegas, caldo ósseo com limão, ou frutas com baixo índice glicêmico (bagas) combinadas com proteína.
Jantar: carne cozida lentamente (ex.: pot roast) com raízes e temperos como gengibre, cúrcuma, alho.
Sobremesas: torta de frutas, crumble de damasco e maçã, mousse de abacate e amora, iogurte de coco (verificar ingredientes – sem gomas ou amidos).
Temperos permitidos: ervas (manjericão, orégano, tomilho), especiarias de raiz (gengibre, cúrcuma, alho), canela (casca). Evitar pimenta-do-reino (eliminada no AIP clássico).
Fase de eliminação e reintrodução
Eliminação: 30 a 90 dias. O sistema imunológico precisa de pelo menos 3 semanas para 'limpar a lousa'.
Acompanhe os sintomas com uma escala numérica (ex.: fadiga de 1 a 10) para medir a melhora.
Reintrodução: após melhora mensurável, introduza um alimento de cada vez, em quantidade generosa, e observe reações por até 6 dias.
Reações podem ser imediatas ou tardias (até 6 dias), por isso o rastreamento é essencial.
Ferramentas como wearables (Whoop, Oura) podem detectar aumentos na frequência cardíaca e piora na variabilidade da frequência cardíaca (HRV) após exposição a alimentos gatilho.
Café e AIP: controvérsia e recomendações
Café é uma semente e não é permitido no AIP clássico (core), mas está incluído na versão modificada.
No AIP clássico, recomenda-se substituir o café por chá (mesma cafeína) para evitar abstinência, e depois reintroduzir o café para testar tolerância.
Café de qualidade (filtrado, sem mofo) pode ser rico em polifenóis, mas a cafeína pode ser problemática para alguns.
Mickey ficou 7 anos sem café; hoje bebe descafeinado pelos benefícios dos compostos, pois não tolera cafeína.
Transição gradual e efeitos colaterais
Uma transição de cerca de 1 mês é recomendada para evitar choque metabólico (dores de cabeça, fadiga, constipação).
AIP não é low-carb; é importante incluir carboidratos de tubérculos e frutas para manter a energia.
A 'reação de Herxheimer' é incomum no AIP se a transição for gradual.
O AIP modificado (com arroz, leguminosas, sementes) pode facilitar a adaptação para quem vem de dietas processadas.
Passos práticos
Se você suspeita de doença autoimune, comece com uma transição de 4 semanas: substitua alimentos processados por refeições AIP básicas (carne + vegetais).
Durante a eliminação (30-90 dias), registre seus sintomas principais (ex.: fadiga, dor articular) em uma escala de 1 a 10 diariamente.
Após melhora significativa, reintroduza um alimento de cada vez (ex.: ovos, laticínios, nozes) e monitore reações por até 6 dias.
Use um wearable (Whoop, Oura) ou diário alimentar para correlacionar picos de frequência cardíaca ou queda de HRV com alimentos específicos.
Evite suplementos de iodo e algas se você tem Hashimoto ou Graves; prefira frutos do mar para ingestão moderada.
Para café: se for sensível, troque por chá durante a eliminação e reintroduza o café filtrado de qualidade aos poucos.
Não confie apenas em testes de sensibilidade alimentar (IgG) – eles podem dar falsos negativos; a eliminação/reintrodução é o padrão ouro.
Inclua caldo ósseo, vegetais fermentados e fibras variadas (cozidas e cruas) para apoiar o microbioma e a imunidade.
Frases marcantes
"Eu estava acamada, não conseguia trabalhar, não conseguia funcionar. E, novamente, aos 26 anos, começando a não tolerar meus treinos."
"Os médicos disseram: 'Não sabemos por que você está tão cansada. Basicamente, talvez seja depressão.' E eu sabia que eles estavam errados."
"O AIP sempre foi um projeto comunitário. Ninguém realmente o possui – é da comunidade de praticantes e pessoas que o usam."
"Se você tem tireoidite autoimune, o iodo é como jogar gasolina na autoimunidade."
"Testes de sensibilidade alimentar não podem prever com precisão quais alimentos causam reação – o padrão ouro ainda é a eliminação e reintrodução."
"Quando você elimina tudo e o volume da inflamação diminui, ao reintroduzir um alimento gatilho, a reação é alta e clara."
Mencionados no episódio
Robb Wolf – autor que primeiro sugeriu os 6 grupos alimentares para autoimunidade
Loren Cordain – pesquisador que inspirou a dieta paleo com seu guia dietético para acne
Scripps Research – instituição que conduziu os estudos de AIP em DII
Dr. Rob Abbott – pesquisador que liderou o estudo de AIP em Hashimoto
Julianne Taylor – pesquisadora neozelandesa que publicou piloto em artrite reumatoide
Fritscher-Ravens – grupo de pesquisa que usou lasers confocais para mostrar reações alimentares tardias
CocoJune – marca de iogurte de coco com ingredientes AIP-compliant (apenas coco e probióticos)
Whoop – wearable usado para monitorar frequência cardíaca, HRV e sono durante reintroduções
Paleo f(x) – evento onde Ben e Mickey se conheceram
Boundless – livro de Ben Greenfield que menciona o AIP