Simone Tebet Reveals the Never-Before-Told Behind-the-Scenes Story of Lula's Government | Market ...
Simone Tebet, ex-ministra do Planejamento e pré-candidata ao Senado por São Paulo, revela bastidores inéditos do governo Lula, discute a polarização política, a necessidade de planejamento estratégico e eficiência nos gastos públicos, e defende uma terceira via de centro para o Brasil.
Thiago Salomão - host do Market MakersLeopoldo Rosa - co-host do Market MakersSimone Tebet - ex-ministra do Planejamento e pré-candidata ao Senado
Simone Tebet defende que a cultura do planejamento estratégico, comum no setor privado, precisa ser implantada no serviço público para resolver o problema fiscal do Brasil.
Ela propõe cortar 10% ao ano das renúncias fiscais (hoje ~R$ 600 bi), o que geraria R$ 60 bi em 2027, R$ 120 bi em 2028 e R$ 180 bi em 2029, sem aumentar impostos.
Tebet critica o orçamento secreto e as emendas parlamentares que financiam shows de milhões, enquanto o país tem demandas urgentes em infraestrutura e saúde.
Ela afirma que o maior erro do governo Lula 3 foi ter menos políticos experientes na antessala, sobrecarregando o presidente com papéis de gestor e político.
A ex-ministra defende que o impeachment de ministros do STF só deve ocorrer com denúncias comprovadas de corrupção ou desvio de finalidade, nunca por discordância de decisões.
Ela alerta que o Brasil está envelhecendo antes de enriquecer e que a violência contra jovens (75 assassinatos/dia) é um problema estrutural que exige coordenação nacional contra o crime organizado.
Tebet vê nas terras raras uma oportunidade de desenvolvimento, desde que o país agregue valor internamente, evitando repetir o erro do agronegócio de exportar commodities sem processamento.
Ela critica a polarização e defende que o centro político é essencial para dialogar com todos os lados e resolver problemas profundos como desigualdade e segurança.
Apoio a Lula em 2022 e reação do mercado
Simone Tebet recebeu ~5 milhões de votos no 1º turno de 2022 e apoiou Lula no 2º turno, o que gerou desembarque de parte do mercado financeiro.
Ela afirma que a decisão foi tomada com 'coragem' e baseada na defesa da democracia, especialmente após os ataques de 8 de janeiro.
Tebet relata que sofreu ameaças e hostilidade de ex-apoiadores, incluindo pessoas que viravam as costas para ela em elevadores.
Ela diz que a experiência a tornou mais resiliente: 'já abalou muito, já chorei muito, já fui uma mulher frágil'.
Tebet destaca que o mercado a recebeu com urbanidade mesmo após o desembarque, e que continua dialogando com o setor.
Bastidores do governo Lula: contraditório e capacidade de ouvir
Tebet foi ministra do Planejamento e Orçamento, cargo que considera 'a chave do orçamento público'.
Ela elogia a capacidade de Lula de ouvir todos os lados antes de decidir, algo que nunca viu em outros líderes políticos.
Tebet conta que Lula pedia reuniões extras quando não havia consenso, e que ele valorizava o contraditório.
Ela critica o Lula 3 por ter menos políticos experientes na antessala, sobrecarregando o presidente com funções de gestor e político.
Tebet afirma que Lula é 'fruto do amor de uma mãe' e que sua história de superação o torna uma pessoa admirável, apesar das divergências ideológicas.
Crise fiscal e renúncias fiscais
O Brasil tem ~R$ 600 bilhões em renúncias fiscais (gastos tributários) por ano.
Tebet propõe cortar 10% ao ano dessas renúncias a partir de 2027, gerando R$ 60 bi no 1º ano, R$ 120 bi no 2º e R$ 180 bi no 3º.
Ela defende que o corte não seja linear: o Simples Nacional (22% do total) não deve ser mexido, mas benefícios como deduções de despesas médicas e educacionais para altas rendas podem ser revistos.
Tebet critica a 'PEC da Gastança' (PEC da Transição), mas votou a favor por entender que era necessário repor políticas públicas destruídas na pandemia.
Ela afirma que o Congresso Nacional é o maior obstáculo para cortes de gastos, pois parlamentares de direita também votam contra a eficiência fiscal.
Orçamento secreto e emendas parlamentares
Tebet foi a primeira mulher candidata à presidência do Senado pós-pandemia, com 21 votos, para denunciar o orçamento secreto.
Ela estima que mais de 1/3 do orçamento discricionário (~R$ 60 bi) está nas mãos do Congresso para emendas parlamentares.
Tebet critica o uso de emendas para financiar shows de até R$ 2 milhões, enquanto o país tem demandas em infraestrutura e saúde.
Ela classifica essa prática como 'imoral e injusta', embora não necessariamente ilegal.
Tebet defende que o mercado financeiro e a sociedade civil pressionem por transparência e eficiência no gasto público.
Segurança pública e crime organizado
Tebet defende 'bandido bom, bandido preso, nem solto na rua e nem morto', mas critica a violência policial e os 'shows pirotécnicos' de resultados.
Ela aponta que o crime organizado é transnacional e exige coordenação nacional, envolvendo Forças Armadas, Polícia Federal e Receita Federal.
Tebet cita dados: 75 jovens assassinados por dia no Brasil, mais do que em todos os conflitos não estatais do mundo juntos (17.500 em 2024).
Ela critica governadores que se recusaram a apoiar o plano de coordenação nacional contra o crime organizado.
Tebet alerta que o crime organizado está infiltrando a política, elegendo vereadores e deputados, e que a situação é 'sequestro das famílias mais pobres'.
Impeachment de ministros do STF
Tebet afirma que o impeachment de ministros do STF existe na Constituição, mas só deve ocorrer com denúncias comprovadas de corrupção ou desvio de finalidade.
Ela critica a judicialização da política, que leva o STF a tomar decisões políticas, e defende que o Congresso resolva seus próprios problemas.
Tebet é contra o impeachment por 'crime de interpretação' (discordância de decisões), pois isso acovardaria o STF diante do Executivo.
Ela defende que ministros do STF tenham mandato (não vitalício) e idade mínima de 50 anos para garantir experiência de vida.
Terras raras e desenvolvimento industrial
Tebet vê nas terras raras uma oportunidade de desenvolvimento, desde que o Brasil agregue valor internamente, evitando repetir o erro do agronegócio (exportar commodities sem processamento).
Ela defende parcerias com China e EUA, mas com regras soberanas: 'que venham os dois, mas sob nossas regras'.
Tebet destaca que o Brasil não tem tecnologia para explorar terras raras na próxima década, mas pode atrair investimentos estrangeiros com contrapartidas de industrialização local.
Ela relaciona a oportunidade à necessidade de planejamento estratégico de longo prazo (25-30 anos).
Cultura do planejamento e papel do mercado
Tebet defende que o mercado financeiro ajude a incutir a cultura do planejamento no serviço público, em vez de apenas cobrar cortes de gastos.
Ela cita exemplos: o setor privado planeja safras com anos de antecedência, mas o orçamento público não tem planejamento de médio prazo.
Tebet propõe que o PPA (Plano Plurianual) seja levado a sério, com metas e indicadores de longo prazo (ex.: reduzir mortalidade infantil de 10 para 5 por mil em 25 anos).
Ela critica a falta de planejamento no Congresso, que cria políticas sem fonte de financiamento.
Eleições 2026 e cenário político
Tebet é pré-candidata ao Senado por São Paulo, em uma 'frente ampla' que reúne centro e esquerda democrática.
Ela critica a polarização e a falta de candidatos de centro, mas vê espaço para uma terceira via que dialogue com todos os lados.
Tebet afirma que o Brasil precisa enriquecer antes de envelhecer, e que a janela de oportunidade é de no máximo uma década.
Ela defende que a política forme novos quadros, pois a geração atual não passou o bastão para os jovens.
Passos práticos
Cobrar transparência nas emendas parlamentares e apoiar iniciativas de revisão de gastos públicos.
Exigir que candidatos ao Congresso tenham compromisso com a eficiência fiscal e o planejamento de longo prazo.
Apoiar a PEC da Segurança Pública e a coordenação nacional contra o crime organizado.
Incentivar a cultura do planejamento no serviço público, com metas e indicadores de longo prazo.
Investir em educação política para formar novos quadros, especialmente jovens e mulheres.
Pressionar por cortes nas renúncias fiscais que beneficiam setores de alta renda, sem prejudicar o Simples Nacional.
Frases marcantes
"Eu tenho idade suficiente para ter adquirido algo que a gente só adquire com tempo quando não nasce com ela: coragem."
"O discurso de ódio, essa pauta sectária de qualquer um, isso não vai resolver o problema do Brasil."
"Se a gente conseguisse diminuir 10% ao ano das renúncias fiscais, nós estamos falando de 60 bilhões que entrariam nos cofres públicos sem aumentar imposto."
"Ora, quem coloca uma emenda parlamentar num país de miseráveis para bancar um show que vai custar 2 milhões? Não tem lógica, é imoral, é injusto."
"Nós temos que diminuir a desigualdade, nós temos que enriquecer enquanto país antes de envelhecer. E nós não temos mais do que uma década para resolver esse problema."
"A última coisa que nós podemos ter é um Supremo acovardado diante de um presidente da República que pode querer aumentar o número de ministros."
Mencionados no episódio
Constituição Federal - base da defesa democrática de Tebet
PEC da Gastança (PEC da Transição) - emenda que elevou gastos em 2023
Orçamento secreto - prática de emendas parlamentares sem transparência
Simples Nacional - regime tributário para micro e pequenas empresas
Atlas da Violência - dados sobre homicídios de jovens no Brasil
Steve Levitsky - autor de 'Como as Democracias Morrem' e 'Como Salvar a Democracia'
Renato Teixeira - cantor de 'Romaria', música recomendada por Tebet
Frank Sinatra - cantor de 'My Way', música admirada por Tebet
Elvis Presley - cantor admirado por Tebet, com 'Amazing Grace'
Geraldo Alckmin - vice-presidente, convidado sugerido por Tebet para o podcast
Felipe Nunes - cientista político da Quaest, citado por dados de pesquisa
Banco Master - citado em esquema de corrupção de R$ 134 milhões
Terras raras - minerais críticos para tecnologia, oportunidade de desenvolvimento